O Brasil já atravessou sucessivas ondas de escândalos que consolidaram a percepção de que a corrupção é um problema estrutural da vida pública.
Foto: Divulgação
O Brasil já atravessou sucessivas ondas de escândalos que consolidaram a percepção de que a corrupção é um problema estrutural da vida pública. (Foto: Divulgação)
A revelação da mecânica mafiosa envolvendo um banqueiro corruptor e seus comparsas, as engrenagens de uma rede perniciosa que atravessa lideranças do Congresso, partidos, governo, Banco Central e Supremo Tribunal Federal, as zonas de sombra expostas no escândalo do INSS – tudo isso vem produzindo, nos últimos tempos, uma sensação inquietante na opinião pública: a de que o coração da República estaria tomado por redes de influência, intermediários e negócios pouco transparentes.
A consequência praticamente inevitável, e também o maior perigo, de é que esses episódios aprofundem a desconfiança do brasileiro em relação ao sistema político e democrático. Se a perplexidade diante da promiscuidade entre interesses privados e representantes dos Três Poderes se converter em descrença generalizada nas instituições e na democracia, estará aberto o terreno em que prosperam oportunistas, aventureiros e populistas – quase sempre amparados na ideia de que é preciso não apenas mudar a política, mas negá-la por completo.
Não é a primeira vez que o Brasil se submete a provas severas. Os brasileiros enfrentaram o impeachment de Fernando Collor, assistiram ao mensalão durante o primeiro governo do PT e ao petrolão, talvez o maior escândalo de corrupção da história nacional, que expôs o saque sistemático da Petrobras e de outras estatais, sobreviveram ao impeachment de Dilma Rousseff, processo traumático que dividiu o País, e resistiram ainda à investida liberticida dos golpistas reunidos em torno de Jair Bolsonaro. Em todos esses momentos, a impressão dominante foi a de que o sistema chegara ao limite. Ainda assim, a ordem constitucional resistiu.
Isso não significa que o problema seja menor do que parece. Ao contrário. A corrupção permanece profundamente presente na consciência do eleitor porque ela é real. Pesquisas recentes mostram que o tema figura entre as principais preocupações nacionais, ao lado da segurança pública e da situação econômica.
É inevitável que as revelações recentes tenham impacto no ambiente político e eleitoral. A proximidade das eleições tende a amplificar o peso do tema. Casos que atingem atores situados em diferentes campos políticos – da esquerda à direita, passando pelo onipresente Centrão – reforçam a percepção de que a corrupção não é monopólio ideológico de ninguém. Essa constatação pode aumentar a exigência do eleitor por integridade, mas também alimentar a perigosa ideia de que “todos são iguais”.
É precisamente aí que reside o grande risco. A indignação é legítima, mas o desalento absoluto, não. Entre reconhecer a gravidade dos fatos e concluir que a República está dominada por malandros há um salto que interessa apenas aos demagogos. Descrença generalizada costuma abrir espaço para aqueles que prometem varrer o sistema em nome de uma suposta regeneração moral – promessas que raramente fortalecem instituições.
Governador de São Paulo diz ter levado argumento humanitário a ministros da Corte. Foto: Pablo Jacob/GovSP Governador de São Paulo diz ter levado argumento humanitário a ministros da Corte. (Foto: Pablo Jacob/GovSP) O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu nesta quinta-feira (2) que atuou pela prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) …
São Paulo terá o palanque mais forte possível para garantir a vitória de Lula. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) Com quase metade do eleitorado nacional, o Sudeste tem representado um obstáculo ao presidente Lula na formação de palanques para outubro. Se em São Paulo e Minas Gerais ainda não há nitidez sobre quem serão os candidatos a …
Depois de uma semana de articulações em Brasília, Tarcísio (foto) cobrou nominalmente Motta a pautar a anistia. (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP) Os planos da oposição para a semana final de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) foram “por água abaixo”. O Partido Liberal (PL) não conseguiu convencer o …
Comitiva gaúcha buscou informações sobre potenciais que possam estimular intercâmbio econômico e turístico com o Chile. Foto: Divulgação Comitiva gaúcha buscou informações sobre potenciais que possam estimular intercâmbio econômico e turístico com o Chile. (Foto: Divulgação) Com o objetivo de fortalecer vínculos com o Sul do Brasil — especialmente em relação aos novos pontos de …
Revelações estarrecedoras sobre promiscuidade em altos escalões reforçam urgência do combate à corrupção no Brasil
O Brasil já atravessou sucessivas ondas de escândalos que consolidaram a percepção de que a corrupção é um problema estrutural da vida pública.
Foto: Divulgação
O Brasil já atravessou sucessivas ondas de escândalos que consolidaram a percepção de que a corrupção é um problema estrutural da vida pública. (Foto: Divulgação)
A revelação da mecânica mafiosa envolvendo um banqueiro corruptor e seus comparsas, as engrenagens de uma rede perniciosa que atravessa lideranças do Congresso, partidos, governo, Banco Central e Supremo Tribunal Federal, as zonas de sombra expostas no escândalo do INSS – tudo isso vem produzindo, nos últimos tempos, uma sensação inquietante na opinião pública: a de que o coração da República estaria tomado por redes de influência, intermediários e negócios pouco transparentes.
A consequência praticamente inevitável, e também o maior perigo, de é que esses episódios aprofundem a desconfiança do brasileiro em relação ao sistema político e democrático. Se a perplexidade diante da promiscuidade entre interesses privados e representantes dos Três Poderes se converter em descrença generalizada nas instituições e na democracia, estará aberto o terreno em que prosperam oportunistas, aventureiros e populistas – quase sempre amparados na ideia de que é preciso não apenas mudar a política, mas negá-la por completo.
Não é a primeira vez que o Brasil se submete a provas severas. Os brasileiros enfrentaram o impeachment de Fernando Collor, assistiram ao mensalão durante o primeiro governo do PT e ao petrolão, talvez o maior escândalo de corrupção da história nacional, que expôs o saque sistemático da Petrobras e de outras estatais, sobreviveram ao impeachment de Dilma Rousseff, processo traumático que dividiu o País, e resistiram ainda à investida liberticida dos golpistas reunidos em torno de Jair Bolsonaro. Em todos esses momentos, a impressão dominante foi a de que o sistema chegara ao limite. Ainda assim, a ordem constitucional resistiu.
Isso não significa que o problema seja menor do que parece. Ao contrário. A corrupção permanece profundamente presente na consciência do eleitor porque ela é real. Pesquisas recentes mostram que o tema figura entre as principais preocupações nacionais, ao lado da segurança pública e da situação econômica.
É inevitável que as revelações recentes tenham impacto no ambiente político e eleitoral. A proximidade das eleições tende a amplificar o peso do tema. Casos que atingem atores situados em diferentes campos políticos – da esquerda à direita, passando pelo onipresente Centrão – reforçam a percepção de que a corrupção não é monopólio ideológico de ninguém. Essa constatação pode aumentar a exigência do eleitor por integridade, mas também alimentar a perigosa ideia de que “todos são iguais”.
É precisamente aí que reside o grande risco. A indignação é legítima, mas o desalento absoluto, não. Entre reconhecer a gravidade dos fatos e concluir que a República está dominada por malandros há um salto que interessa apenas aos demagogos. Descrença generalizada costuma abrir espaço para aqueles que prometem varrer o sistema em nome de uma suposta regeneração moral – promessas que raramente fortalecem instituições.
Related Posts
Tarcísio de Freitas defendeu prisão domiciliar em reunião com ministros do Supremo e diz que medida é factível
Governador de São Paulo diz ter levado argumento humanitário a ministros da Corte. Foto: Pablo Jacob/GovSP Governador de São Paulo diz ter levado argumento humanitário a ministros da Corte. (Foto: Pablo Jacob/GovSP) O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu nesta quinta-feira (2) que atuou pela prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) …
Lula vê sua avaliação piorar nos maiores Estados e entra em cena para tentar viabilizar palanques
São Paulo terá o palanque mais forte possível para garantir a vitória de Lula. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) Com quase metade do eleitorado nacional, o Sudeste tem representado um obstáculo ao presidente Lula na formação de palanques para outubro. Se em São Paulo e Minas Gerais ainda não há nitidez sobre quem serão os candidatos a …
Oposição bolsonarista volta a desconfiar de Tarcísio de Freitas após anistia “esfriar” e exige mais empenho por Bolsonaro
Depois de uma semana de articulações em Brasília, Tarcísio (foto) cobrou nominalmente Motta a pautar a anistia. (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP) Os planos da oposição para a semana final de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) foram “por água abaixo”. O Partido Liberal (PL) não conseguiu convencer o …
Delegação gaúcha participa no Chile de foro político e empresarial sobre Corredor Bioceânico e Plataforma Logística do Mercosul
Comitiva gaúcha buscou informações sobre potenciais que possam estimular intercâmbio econômico e turístico com o Chile. Foto: Divulgação Comitiva gaúcha buscou informações sobre potenciais que possam estimular intercâmbio econômico e turístico com o Chile. (Foto: Divulgação) Com o objetivo de fortalecer vínculos com o Sul do Brasil — especialmente em relação aos novos pontos de …