Fachin quebrou a tradição, e recusou a festa milionária promovida ao novo presidente pelo lobby das associações de juízes. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)
Segunda-feira de posse do ministro Edson Fachin como presidente do STF. Fachin quebrou a tradição, e recusou a festa milionária promovida ao novo presidente pelo lobby das associações de juízes.
O exercício de hoje serve para jantares de homenagem, a contratação de palestras com honorários generosos, o patrocínio de um evento em um resort. Há duas interpretações dominantes.
Tese 1. A empresa ou associação incorre no custo porque acredita que receberá um benefício. Calcula que o agente ou conjunto de agentes beneficiados se sentirá devedor de alguma lealdade quando for acionado.
Mesmo aqueles que se acham incorruptíveis acabariam, sem perceber, promovendo o retorno esperado. São humanos e ficariam mais propensos a acolher seus argumentos depois de ter recebido o presente. Afinal, essas entidades não desperdiçariam milhões de reais se não soubessem que vale a pena.
Tese 2. O agente público não é trouxa, o trouxa é o pagante. O agente público se beneficia da ingenuidade do privado.
Seria tolo alguém com cargo vitalício e boa remuneração se vender por uma festa ou viagem e, se a empresa quer pagar achando que vai conseguir vantagens, o problema é dela. Assim, não é o privado que se beneficiará do público com um regabofe, mas o contrário. Na versão mais esperta, o agente público pode ser ele próprio o solicitante do rendez-vous, e o privado se vê impelido a aceitar por projetar retaliações.
Eu tenho uma outra tese, menos cética dos nossos líderes.
Tese 3. Os incentivos existem para pessoas, não entidades, e pessoas dentro de entidades é que contratam esses gastos. Sobra dinheiro nas empresas/associações, e seus dirigentes querem projetar influência para os seus.
Não são métricas de produtividade ou de impacto que justificam os pagamentos. Alguém quer parecer importante. Um diretor para o seu presidente, o dirigente associativo para os seus associados. É um argumento consoante à teoria dos bullshit jobs, que postula que contratações não são sempre regidas por eficiência.
Pense que um banco brasileiro contratou palestras de Hillary Clinton quando deixou o governo. Difícil pensar num plano de dominação mundial, é mais uma ação de RH, uma versão luxuosa da garrafinha térmica que seu empregador vai te dar no Natal. Segue o baile. (Opinião por Pedro Fernando Nery – Professor de economia do IDP. Autor do livro “Extremos – Um Mapa para Entender as Desigualdades no Brasil”)
https://www.osul.com.br/quem-paga-a-festa-recusa-de-edson-fachin-a-baile-de-posse-expoe-rituais-entre-agentes-publicos-e-privados/ Quem paga a festa? Recusa de Edson Fachin a baile de posse expõe rituais entre agentes públicos e privados 2025-10-01
Numa rápida conversa com jornalistas antes do início da reunião, Trump disse ser “uma honra estar com o presidente do Brasil”. (Foto: Reprodução) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu neste domingo (26/10) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia. Foi o primeiro encontro formal entre …
Para Ibaneis Rocha, as estimativas de rombo bilionário são “especulações” Foto: Agência Brasil Para Ibaneis Rocha, as estimativas de rombo bilionário são “especulações”. (Foto: Agência Brasil) O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), minimizou a crise enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB) após negócios firmados com o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco …
Ao mesmo tempo, há preocupação com os custos políticos de apoio. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados Ao mesmo tempo, há preocupação com os custos políticos de apoio. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) A cerimônia que marcou o lançamento de Ronaldo Caiado como pré-candidato do PSD à Presidência teve um gesto de peso político: o apoio …
Silêncio de advogados desmonta o discurso de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o deputado tem repetido a narrativa de perseguição. (Foto: Reprodução) No 1º dia de sustentações orais no julgamento da trama golpista, um ponto ficou evidente: as defesas não negaram a existência dos fatos relatados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O esforço foi …
Quem paga a festa? Recusa de Edson Fachin a baile de posse expõe rituais entre agentes públicos e privados
Fachin quebrou a tradição, e recusou a festa milionária promovida ao novo presidente pelo lobby das associações de juízes. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)
Segunda-feira de posse do ministro Edson Fachin como presidente do STF. Fachin quebrou a tradição, e recusou a festa milionária promovida ao novo presidente pelo lobby das associações de juízes.
O exercício de hoje serve para jantares de homenagem, a contratação de palestras com honorários generosos, o patrocínio de um evento em um resort. Há duas interpretações dominantes.
Tese 1. A empresa ou associação incorre no custo porque acredita que receberá um benefício. Calcula que o agente ou conjunto de agentes beneficiados se sentirá devedor de alguma lealdade quando for acionado.
Mesmo aqueles que se acham incorruptíveis acabariam, sem perceber, promovendo o retorno esperado. São humanos e ficariam mais propensos a acolher seus argumentos depois de ter recebido o presente. Afinal, essas entidades não desperdiçariam milhões de reais se não soubessem que vale a pena.
Tese 2. O agente público não é trouxa, o trouxa é o pagante. O agente público se beneficia da ingenuidade do privado.
Seria tolo alguém com cargo vitalício e boa remuneração se vender por uma festa ou viagem e, se a empresa quer pagar achando que vai conseguir vantagens, o problema é dela. Assim, não é o privado que se beneficiará do público com um regabofe, mas o contrário. Na versão mais esperta, o agente público pode ser ele próprio o solicitante do rendez-vous, e o privado se vê impelido a aceitar por projetar retaliações.
Eu tenho uma outra tese, menos cética dos nossos líderes.
Tese 3. Os incentivos existem para pessoas, não entidades, e pessoas dentro de entidades é que contratam esses gastos. Sobra dinheiro nas empresas/associações, e seus dirigentes querem projetar influência para os seus.
Não são métricas de produtividade ou de impacto que justificam os pagamentos. Alguém quer parecer importante. Um diretor para o seu presidente, o dirigente associativo para os seus associados. É um argumento consoante à teoria dos bullshit jobs, que postula que contratações não são sempre regidas por eficiência.
Pense que um banco brasileiro contratou palestras de Hillary Clinton quando deixou o governo. Difícil pensar num plano de dominação mundial, é mais uma ação de RH, uma versão luxuosa da garrafinha térmica que seu empregador vai te dar no Natal. Segue o baile. (Opinião por Pedro Fernando Nery – Professor de economia do IDP. Autor do livro “Extremos – Um Mapa para Entender as Desigualdades no Brasil”)
https://www.osul.com.br/quem-paga-a-festa-recusa-de-edson-fachin-a-baile-de-posse-expoe-rituais-entre-agentes-publicos-e-privados/
Quem paga a festa? Recusa de Edson Fachin a baile de posse expõe rituais entre agentes públicos e privados
2025-10-01
Related Posts
Lula diz que reunião com Trump foi “ótima” e fala em negociação rápida
Numa rápida conversa com jornalistas antes do início da reunião, Trump disse ser “uma honra estar com o presidente do Brasil”. (Foto: Reprodução) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu neste domingo (26/10) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia. Foi o primeiro encontro formal entre …
O governador do Distrito Federal minimizou a crise enfrentada pelo Banco de Brasília após negócios firmados com o Banco Master
Para Ibaneis Rocha, as estimativas de rombo bilionário são “especulações” Foto: Agência Brasil Para Ibaneis Rocha, as estimativas de rombo bilionário são “especulações”. (Foto: Agência Brasil) O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), minimizou a crise enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB) após negócios firmados com o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco …
Direita evangélica racha com apoio de bispo a Ronaldo Caiado
Ao mesmo tempo, há preocupação com os custos políticos de apoio. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados Ao mesmo tempo, há preocupação com os custos políticos de apoio. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados) A cerimônia que marcou o lançamento de Ronaldo Caiado como pré-candidato do PSD à Presidência teve um gesto de peso político: o apoio …
Julgamento no Supremo: defesas não negam reuniões e esvaziam discurso usado pelo clã Bolsonaro no exterior
Silêncio de advogados desmonta o discurso de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o deputado tem repetido a narrativa de perseguição. (Foto: Reprodução) No 1º dia de sustentações orais no julgamento da trama golpista, um ponto ficou evidente: as defesas não negaram a existência dos fatos relatados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O esforço foi …