No entendimento do ministro, a defesa do bolsonarista buscava apenas rediscutir teses processuais e de mérito já enfrentadas pela Primeira Turma no decorrer da análise penal. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
Após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal rejeitar, por unanimidade, o recurso de Jair Bolsonaro (PL), o ex-presidente vê a execução da pena se aproximar de forma inevitável. A defesa ainda estuda apresentar um novo recurso, embora as chances de êxito sejam praticamente nulas.
Com os votos de Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, o colegiado negou, nesta sexta-feira 7, os chamados embargos de declaração — um instrumento processual usado apenas para corrigir eventuais omissões, contradições ou obscuridades no acórdão de um julgamento.
Diante desse resultado, os advogados de Bolsonaro avaliam apresentar os embargos infringentes, capazes de alterar no mérito uma sentença. As regras para protocolar esse recurso, no entanto, são muito mais rígidas – e reforçam a sensação de um desfecho desfavorável para o ex-capitão.
O Supremo firmou em 2018 o precedente que agora usa contra Bolsonaro: na ocasião, enterrou os embargos infringentes do ex-deputado, ex-prefeito de São Paulo e ex-governador Paulo Maluf, condenado por lavagem de dinheiro.
Os ministros fixaram a tese de que só seria possível admitir os embargos infringentes contra a decisão de uma turma se houvesse dois votos vencidos em favor do réu — ambos de juízos absolutórios em sentido próprio, ou seja, pela absolvição no mérito do processo, não em questões preliminares.
O julgamento de Maluf se tornou ainda mais relevante porque o regimento interno da Corte não explicita os requisitos para apresentar esse tipo de recurso contra decisão de uma das duas turmas — em julgamentos no plenário, por outro lado, o documento cobra pelo menos quatro votos divergentes.
Para Pedro Serrano, especialista em Direito Constitucional, a tendência é que Moraes, o relator da ação penal, rejeite um eventual pedido de embargos infringentes por parte da defesa de Bolsonaro. “Por uma questão de proporção, na turma deveria haver ao menos dois votos divergentes para ensejar os embargos — ou você chegaria ao absurdo de falar que há um direito mais extenso de recurso e defesa na turma do que no pleno.”
Já o advogado Marcelo Válio, especialista em Direito Constitucional e pós-doutor pela Universidade de Messina, na Itália, aponta um outro caminho para Bolsonaro: protocolar mais uma rodada de embargos de declaração.
Mas alerta: se o Supremo considerá-los apenas uma tentativa de atrasar a conclusão do processo, poderá determinar imediatamente o início do cumprimento da pena.
Já no caso dos embargos infringentes, acrescenta o advogado, a jurisprudência é clara. “Portanto, inviável que a causa seja julgada pelo plenário, e o início do cumprimento da pena é iminente.”
Uma última alternativa?
Ainda que a defesa de Bolsonaro apele e perca nos embargos infringentes, restará a ela a esperança de uma revisão criminal, como têm feito outros réus envolvidos nos atos golpistas de 8 de Janeiro — sem sucesso.
Trata-se de um instrumento excepcional, mas seria a tentativa derradeira de retirar o caso de Moraes e da Primeira Turma. Na última quarta-feira 5, por exemplo, o ministro Dias Toffoli negou pela segunda vez um pedido de revisão criminal de Antônio Teodoro de Moraes, condenado a 12 anos e um mês de prisão por participar do 8 de Janeiro.
No entendimento do ministro, a defesa do bolsonarista buscava apenas rediscutir teses processuais e de mérito já enfrentadas pela Primeira Turma no decorrer da análise penal. Seria, portanto, uma tentativa de reabrir o debate sobre fatos e provas.
Esse passo-a-passo, porém, não seria imediato. O julgamento do primeiro recurso de Bolsonaro, embora já tenha desfecho, só terminará oficialmente na próxima sexta-feira 14 — até lá, os ministros poderiam, em teoria, mudar de ideia. Luiz Fux, a esperança do ex-presidente por um voto favorável, pediu transferência para a Segunda Turma e não participou da votação. Com informações do portal Carta Capital.
https://www.osul.com.br/que-alternativas-restam-a-bolsonaro-depois-de-o-supremo-negar-seu-recurso-contra-a-condenacao/ Que alternativas restam a Bolsonaro depois de o Supremo negar seu recurso contra a condenação 2025-11-09
Deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) elogiou voto do ministro do STF. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados) Líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) elogiou nessa quarta-feira (10) o voto do ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), no julgamento da trama golpista de 2022. Até agora, ele afirmou …
Volume exportado em setembro chegou a 314,7 mil toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). (Foto: Kleiber Arantes/Governo do Tocantins) As exportações brasileiras de carne bovina atingiram um novo recorde mensal em setembro, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume embarcado foi de 314,7 mil toneladas, superando o …
Ricardo Lewandowski deixou o cargo na última sexta-feira (9).(Foto: Divulgação/SCO/STF) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém dúvidas sobre a criação imediata do Ministério da Segurança Pública, diante da saída do ministro Ricardo Lewandowski do comando do Ministério da Justiça. A decisão envolve fatores políticos, institucionais e orçamentários, e segue em avaliação no Palácio …
(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil) A despeito do alto índice de letalidade da operação policial no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, a maioria dos entrevistados defende que operações como essa sejam realizadas pela polícia nas comunidades (73% contra 22%), mostra a pesquisa Genial/Quaest. Há uma divisão da população, contudo, quando ela é questionada sobre …
Que alternativas restam a Bolsonaro depois de o Supremo negar seu recurso contra a condenação
No entendimento do ministro, a defesa do bolsonarista buscava apenas rediscutir teses processuais e de mérito já enfrentadas pela Primeira Turma no decorrer da análise penal. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)
Após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal rejeitar, por unanimidade, o recurso de Jair Bolsonaro (PL), o ex-presidente vê a execução da pena se aproximar de forma inevitável. A defesa ainda estuda apresentar um novo recurso, embora as chances de êxito sejam praticamente nulas.
Com os votos de Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, o colegiado negou, nesta sexta-feira 7, os chamados embargos de declaração — um instrumento processual usado apenas para corrigir eventuais omissões, contradições ou obscuridades no acórdão de um julgamento.
Diante desse resultado, os advogados de Bolsonaro avaliam apresentar os embargos infringentes, capazes de alterar no mérito uma sentença. As regras para protocolar esse recurso, no entanto, são muito mais rígidas – e reforçam a sensação de um desfecho desfavorável para o ex-capitão.
O Supremo firmou em 2018 o precedente que agora usa contra Bolsonaro: na ocasião, enterrou os embargos infringentes do ex-deputado, ex-prefeito de São Paulo e ex-governador Paulo Maluf, condenado por lavagem de dinheiro.
Os ministros fixaram a tese de que só seria possível admitir os embargos infringentes contra a decisão de uma turma se houvesse dois votos vencidos em favor do réu — ambos de juízos absolutórios em sentido próprio, ou seja, pela absolvição no mérito do processo, não em questões preliminares.
O julgamento de Maluf se tornou ainda mais relevante porque o regimento interno da Corte não explicita os requisitos para apresentar esse tipo de recurso contra decisão de uma das duas turmas — em julgamentos no plenário, por outro lado, o documento cobra pelo menos quatro votos divergentes.
Para Pedro Serrano, especialista em Direito Constitucional, a tendência é que Moraes, o relator da ação penal, rejeite um eventual pedido de embargos infringentes por parte da defesa de Bolsonaro. “Por uma questão de proporção, na turma deveria haver ao menos dois votos divergentes para ensejar os embargos — ou você chegaria ao absurdo de falar que há um direito mais extenso de recurso e defesa na turma do que no pleno.”
Já o advogado Marcelo Válio, especialista em Direito Constitucional e pós-doutor pela Universidade de Messina, na Itália, aponta um outro caminho para Bolsonaro: protocolar mais uma rodada de embargos de declaração.
Mas alerta: se o Supremo considerá-los apenas uma tentativa de atrasar a conclusão do processo, poderá determinar imediatamente o início do cumprimento da pena.
Já no caso dos embargos infringentes, acrescenta o advogado, a jurisprudência é clara. “Portanto, inviável que a causa seja julgada pelo plenário, e o início do cumprimento da pena é iminente.”
Uma última alternativa?
Ainda que a defesa de Bolsonaro apele e perca nos embargos infringentes, restará a ela a esperança de uma revisão criminal, como têm feito outros réus envolvidos nos atos golpistas de 8 de Janeiro — sem sucesso.
Trata-se de um instrumento excepcional, mas seria a tentativa derradeira de retirar o caso de Moraes e da Primeira Turma. Na última quarta-feira 5, por exemplo, o ministro Dias Toffoli negou pela segunda vez um pedido de revisão criminal de Antônio Teodoro de Moraes, condenado a 12 anos e um mês de prisão por participar do 8 de Janeiro.
No entendimento do ministro, a defesa do bolsonarista buscava apenas rediscutir teses processuais e de mérito já enfrentadas pela Primeira Turma no decorrer da análise penal. Seria, portanto, uma tentativa de reabrir o debate sobre fatos e provas.
Esse passo-a-passo, porém, não seria imediato. O julgamento do primeiro recurso de Bolsonaro, embora já tenha desfecho, só terminará oficialmente na próxima sexta-feira 14 — até lá, os ministros poderiam, em teoria, mudar de ideia. Luiz Fux, a esperança do ex-presidente por um voto favorável, pediu transferência para a Segunda Turma e não participou da votação. Com informações do portal Carta Capital.
https://www.osul.com.br/que-alternativas-restam-a-bolsonaro-depois-de-o-supremo-negar-seu-recurso-contra-a-condenacao/
Que alternativas restam a Bolsonaro depois de o Supremo negar seu recurso contra a condenação
2025-11-09
Related Posts
Para líder do partido de Bolsonaro, o ministro Luiz Fux está certíssimo e deveria pedir vista do processo
Deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) elogiou voto do ministro do STF. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados) Líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) elogiou nessa quarta-feira (10) o voto do ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), no julgamento da trama golpista de 2022. Até agora, ele afirmou …
Exportação de carne bovina do Brasil bate recorde mesmo com tarifaço
Volume exportado em setembro chegou a 314,7 mil toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). (Foto: Kleiber Arantes/Governo do Tocantins) As exportações brasileiras de carne bovina atingiram um novo recorde mensal em setembro, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O volume embarcado foi de 314,7 mil toneladas, superando o …
Com a saída de Lewandowski do Ministério da Justiça, Lula quer esperar o momento certo para a criação da pasta da Segurança Pública
Ricardo Lewandowski deixou o cargo na última sexta-feira (9).(Foto: Divulgação/SCO/STF) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém dúvidas sobre a criação imediata do Ministério da Segurança Pública, diante da saída do ministro Ricardo Lewandowski do comando do Ministério da Justiça. A decisão envolve fatores políticos, institucionais e orçamentários, e segue em avaliação no Palácio …
Levantamento quis saber de moradores do Rio o que o policial deve fazer ao se deparar com uma pessoa armada com fuzil
(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil) A despeito do alto índice de letalidade da operação policial no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, a maioria dos entrevistados defende que operações como essa sejam realizadas pela polícia nas comunidades (73% contra 22%), mostra a pesquisa Genial/Quaest. Há uma divisão da população, contudo, quando ela é questionada sobre …