O Palácio dos Bandeirantes também registrou movimentos coordenados nas redes sociais para criticar Tarcísio. (Foto: Reprodução/YouTube)
Refratário até aqui à ideia de antecipar um embate com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o PT recalculou a rota. A ordem de conter a artilharia deu lugar à decisão de transformá-lo em alvo.
A estratégia prevê que dirigentes e parlamentares petistas assumam a linha de frente da ofensiva. Integrantes da cúpula da legenda defendem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva evite o embate direto para não acabar projetando nacionalmente o adversário, ainda desconhecido de boa parte da população.
Até o mês passado, dirigentes petistas ouvidos reservadamente pelo Estadão defendiam poupar ataques ao governador para não gastar munição antes da hora. Eles alegavam dois riscos: além da possibilidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro optar por outro nome, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a ofensiva poderia acabar colocando o governador em evidência.
A estratégia mudou após as últimas movimentações do governador. Além de se envolver diretamente na articulação do projeto de lei de anistia aos condenados por atos golpistas, deixando de atuar somente no plano estadual, Tarcísio radicalizou seu discurso e fez acenos ao bolsonarismo na manifestação de 7 de Setembro, quando chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “ditador”.
A avaliação no PT é a de que Tarcísio tem acumulado erros e se colocado na linha de tiro. Por isso, o partido considera que é preciso aproveitar o momento para desgastá-lo.
Um exemplo da estratégia aparece nas inserções de rádio e TV do partido. O PT nacionalizou as peças veiculadas nos Estados, tratando sobretudo de temas nacionais e da gestão Lula. Em São Paulo, porém, abriu uma exceção e exibiu propaganda voltada exclusivamente a atacar o governador. O vídeo diz que o governo “está do lado do Trump e dos bilionários”, critica a privatização da Sabesp e o preço dos pedágios no Estado.
Auxiliares de Tarcísio veem na postura dos petistas uma tentativa de semear a discórdia no bolsonarismo. Nessa visão, tratar o governador como candidato também o coloca na mira de eleitores mais fiéis de Bolsonaro que ainda enxergam o ex-presidente como candidato e rotulam qualquer movimentação em sentido contrário como traição.
O Palácio dos Bandeirantes também registrou movimentos coordenados nas redes sociais para criticar Tarcísio.
O deputado estadual Lucas Bove (PL), bolsonarista e aliado de Tarcísio na Assembleia Legislativa, afirma ter notado uma postura mais agressiva do PT em relação ao governador na Casa. “Existe um movimento de endurecimento do PT em relação ao Tarcísio”, disse ele, acrescentando que o partido tem criado obstáculos ao governador até em pautas menos ideológicas ou pouco ligadas diretamente ao mandato.
“A indicação de Wagner Rosário para o Tribunal de Contas do Estado, por exemplo, eles estão há semanas travando a pauta por causa disso, enquanto temos projetos importantes para votar”, afirmou. Rosário teve o nome aprovado na última terça-feira (23).
O deputado ainda acrescentou: “Os partidos de esquerda, que o tempo todo faziam uma oposição de festim aqui, agora estão endurecendo porque sabem que, sendo Bolsonaro o candidato, o Tarcísio é um grande outdoor de campanha, já que representa a continuação do trabalho do Bolsonaro que fez sucesso em São Paulo. Não sendo Bolsonaro o candidato, eles sabem que o Tarcísio é um forte concorrente”.
Já o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que o partido “não escala o time adversário” e que tem um projeto para o Brasil, representado por Lula.
“A turma da direita e extrema direita não tem candidato e muito menos um programa de governo. Se vai ser um dos filhos de Bolsonaro ou se vai ser um dos governadores bolsonaristas, isso nem eles sabem, nem a gente. E, sinceramente, isso não nos pauta”, disse Valadares, acrescentando que “o vazio de ideias e de candidatura no campo da oposição é um problema da direita”.
Até pouco tempo atrás, Lula repetia a análise do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) de que Tarcísio não abriria mão de uma reeleição praticamente garantida em São Paulo para uma aventura incerta rumo à Presidência. Agora, porém, o petista afirma que o governador será seu adversário em 2026. Na visão de Lula, Bolsonaro, condenado pelo Supremo a 27 anos e três meses de prisão pelo plano de golpe de Estado, não terá alternativa senão apostar no aliado paulista.
No início de seus mandatos, Lula e Tarcísio mantiveram uma relação cordial e chegaram a trocar afagos em fevereiro de 2024, durante a assinatura de um termo de cooperação técnica para a construção do túnel Santos-Guarujá. Agora, petistas afirmam que a lua de mel acabou. Nos últimos meses, o presidente tem deixado explícito o incômodo com as críticas do governador. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/pt-coloca-tarcisio-como-alvo-mas-quer-lula-fora-de-embates/ PT coloca Tarcísio como alvo, mas quer Lula fora de embates 2025-09-28
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PT coloca Tarcísio como alvo, mas quer Lula fora de embates
O Palácio dos Bandeirantes também registrou movimentos coordenados nas redes sociais para criticar Tarcísio. (Foto: Reprodução/YouTube)
Refratário até aqui à ideia de antecipar um embate com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o PT recalculou a rota. A ordem de conter a artilharia deu lugar à decisão de transformá-lo em alvo.
A estratégia prevê que dirigentes e parlamentares petistas assumam a linha de frente da ofensiva. Integrantes da cúpula da legenda defendem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva evite o embate direto para não acabar projetando nacionalmente o adversário, ainda desconhecido de boa parte da população.
Até o mês passado, dirigentes petistas ouvidos reservadamente pelo Estadão defendiam poupar ataques ao governador para não gastar munição antes da hora. Eles alegavam dois riscos: além da possibilidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro optar por outro nome, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a ofensiva poderia acabar colocando o governador em evidência.
A estratégia mudou após as últimas movimentações do governador. Além de se envolver diretamente na articulação do projeto de lei de anistia aos condenados por atos golpistas, deixando de atuar somente no plano estadual, Tarcísio radicalizou seu discurso e fez acenos ao bolsonarismo na manifestação de 7 de Setembro, quando chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “ditador”.
A avaliação no PT é a de que Tarcísio tem acumulado erros e se colocado na linha de tiro. Por isso, o partido considera que é preciso aproveitar o momento para desgastá-lo.
Um exemplo da estratégia aparece nas inserções de rádio e TV do partido. O PT nacionalizou as peças veiculadas nos Estados, tratando sobretudo de temas nacionais e da gestão Lula. Em São Paulo, porém, abriu uma exceção e exibiu propaganda voltada exclusivamente a atacar o governador. O vídeo diz que o governo “está do lado do Trump e dos bilionários”, critica a privatização da Sabesp e o preço dos pedágios no Estado.
Auxiliares de Tarcísio veem na postura dos petistas uma tentativa de semear a discórdia no bolsonarismo. Nessa visão, tratar o governador como candidato também o coloca na mira de eleitores mais fiéis de Bolsonaro que ainda enxergam o ex-presidente como candidato e rotulam qualquer movimentação em sentido contrário como traição.
O Palácio dos Bandeirantes também registrou movimentos coordenados nas redes sociais para criticar Tarcísio.
O deputado estadual Lucas Bove (PL), bolsonarista e aliado de Tarcísio na Assembleia Legislativa, afirma ter notado uma postura mais agressiva do PT em relação ao governador na Casa. “Existe um movimento de endurecimento do PT em relação ao Tarcísio”, disse ele, acrescentando que o partido tem criado obstáculos ao governador até em pautas menos ideológicas ou pouco ligadas diretamente ao mandato.
“A indicação de Wagner Rosário para o Tribunal de Contas do Estado, por exemplo, eles estão há semanas travando a pauta por causa disso, enquanto temos projetos importantes para votar”, afirmou. Rosário teve o nome aprovado na última terça-feira (23).
O deputado ainda acrescentou: “Os partidos de esquerda, que o tempo todo faziam uma oposição de festim aqui, agora estão endurecendo porque sabem que, sendo Bolsonaro o candidato, o Tarcísio é um grande outdoor de campanha, já que representa a continuação do trabalho do Bolsonaro que fez sucesso em São Paulo. Não sendo Bolsonaro o candidato, eles sabem que o Tarcísio é um forte concorrente”.
Já o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que o partido “não escala o time adversário” e que tem um projeto para o Brasil, representado por Lula.
“A turma da direita e extrema direita não tem candidato e muito menos um programa de governo. Se vai ser um dos filhos de Bolsonaro ou se vai ser um dos governadores bolsonaristas, isso nem eles sabem, nem a gente. E, sinceramente, isso não nos pauta”, disse Valadares, acrescentando que “o vazio de ideias e de candidatura no campo da oposição é um problema da direita”.
Até pouco tempo atrás, Lula repetia a análise do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) de que Tarcísio não abriria mão de uma reeleição praticamente garantida em São Paulo para uma aventura incerta rumo à Presidência. Agora, porém, o petista afirma que o governador será seu adversário em 2026. Na visão de Lula, Bolsonaro, condenado pelo Supremo a 27 anos e três meses de prisão pelo plano de golpe de Estado, não terá alternativa senão apostar no aliado paulista.
No início de seus mandatos, Lula e Tarcísio mantiveram uma relação cordial e chegaram a trocar afagos em fevereiro de 2024, durante a assinatura de um termo de cooperação técnica para a construção do túnel Santos-Guarujá. Agora, petistas afirmam que a lua de mel acabou. Nos últimos meses, o presidente tem deixado explícito o incômodo com as críticas do governador. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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2025-09-28
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