PF reúne episódios que considera evidências da continuidade das atividades do grupo e do risco de interferência na apuração. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro e tornadas públicas na terça-feira (17) reforçam um dos principais argumentos utilizados pela Polícia Federal (PF) e pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para manter o empresário preso nas investigações do caso Master. Trata-se da existência de uma estrutura paralela voltada à obtenção de informações sigilosas, intimidação de adversários e interferência em investigações.
Os novos documentos descrevem a atuação de grupos coordenados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela PF como operador de uma rede que reunia policiais federais, hackers e produtores de conteúdo. Segundo os investigadores, a estrutura atuava em favor dos interesses de Vorcaro e de empresas ligadas ao Banco Master.
A divulgação do material ocorre em meio à rejeição da segunda proposta de delação de Vorcaro, tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o que gera indefinição sobre qual deve ser o futuro prisional do ex-banqueiro, que hoje está na superintendência da corporação, em Brasília A PF pediu a transferência dele para a penitenciária federal, e caberá a Mendonça decidir.
Além disso, Vorcaro viu uma das possíveis frentes de contestação no STF sofrer novo revés nesta terça-feira, quando a Segunda Turma manteve a prisão de seu pai, Henrique, e seu primo, Felipe, por entender que havia riscos concretos de obstrução de justiça caso fossem colocados em prisão domiciliar ou que tivessem a soltura decretada. No julgamento, Mendonça conseguiu convencer os demais colegas que ainda há um longo percurso de investigação por parte da PF o que, portanto, não mudaria a situação para Vorcaro, agora sem poder contar com os benefícios da colaboração.
Nos documentos, a PF reúne episódios que considera evidências da continuidade das atividades do grupo e do risco de interferência na apuração. Em uma das frentes, os investigadores afirmam que integrantes da chamada “Turma” realizavam levantamentos sobre inquéritos policiais e processos judiciais, inclusive sigilosos, além de consultas a sistemas restritos e monitoramento de pessoas consideradas de interesse do empresário.
As mensagens também descrevem a atuação de um núcleo identificado como “Os Meninos”, formado por hackers que, segundo a PF, seriam responsáveis por invadir contas e perfis na internet, obter senhas, remover conteúdos considerados prejudiciais a Vorcaro e impulsionar publicações favoráveis ao grupo empresarial.
Os investigadores afirmam ainda que os grupos recebiam pagamentos mensais intermediados por Mourão. Segundo a PF, havia uma divisão estruturada de tarefas e recursos entre os diferentes núcleos, o que demonstraria atuação permanente e organizada.
Ao justificar a manutenção da prisão preventiva, a PF tem sustentado que a organização não se limitava à prática de crimes financeiros, mas possuía capacidade de mobilizar agentes para influenciar testemunhas, intimidar desafetos e acessar informações estratégicas. A avaliação dos investigadores é que parte dessa estrutura permaneceu ativa mesmo após o avanço das operações policiais.
A defesa de Vorcaro nega irregularidades e sustenta que o empresário é alvo de uma investigação baseada em interpretações equivocadas de mensagens e relações profissionais legítimas.
Diálogos interceptados pela PF, porém, apontam que o ex-controlador do Banco Master planejou uma emboscada, por exemplo, com “droga” para se vingar do DJ e ex-jogador da NBA Ronald Fred Seikaly. O plano começou a ser executado pela chamada “Turma”.
Rony Seikaly jogou na NBA de 1988 a 1999. Ele teve um relacionamento com Martha Graeff, com quem tem uma filha. À época das mensagens, Graeff estava em um relacionamento com Vorcaro.
Vorcaro chegou a cogitar uma emboscada com drogas contra Seikaly, e citou pressão da polícia e da milícia. Os integrantes da Turma, usando o login de uma servidora do Ministério Público Federal, chegaram a produzir um ofício falso à Interpol para buscar informações sobre Seikaly. (Com informações do jornal O Globo)
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Os novos documentos descrevem a atuação de grupos coordenados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela PF como operador de uma rede que reunia policiais federais, hackers e produtores de conteúdo. Segundo os investigadores, a estrutura atuava em favor dos interesses de Vorcaro e de empresas ligadas ao Banco Master.
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