Se aceitar o convite, bloco enviará pela primeira vez missão oficial para observar um pleito brasileiro. (Foto: Reprodução)
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, vai convidar a União Europeia a enviar uma missão oficial de acompanhamento para as eleições deste ano. Caso o convite seja aceito, será a primeira vez que o bloco europeu terá uma delegação do tipo para acompanhar um pleito brasileiro.
Kassio tem defendido a interlocutores a necessidade de ampliar o monitoramento internacional das eleições para blindar o processo contra possíveis questionamentos aos resultados e às urnas eletrônicas. Ele também tem dito que haverá maior transparência com a ampliação do número de entidades envolvidas no acompanhamento.
Os ataques sem provas ao sistema eleitoral na disputa de 2022 foram uma das marcas de Jair Bolsonaro (PL), responsável pela indicação de Kassio ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Naquela eleição, porém, o governo Bolsonaro foi contrário ao convite à União Europeia para acompanhar o pleito, algo que vinha sendo articulado pela gestão do TSE – a preparação daquele processo eleitoral perpassou as presidências de Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes.
O tipo de comissão eleitoral que está sendo negociado neste ano com a UE é a chamada Missão de Especialistas Eleitorais (EEM, na sigla em inglês). De acordo com o Serviço Europeu para a Ação Externa, as EEMs são compostas por especialistas independentes que acompanham por cerca de dois meses o processo eleitoral de um país. Elas não têm visibilidade pública, mas produzem um relatório com recomendações.
“Os especialistas avaliam de forma imparcial se o processo eleitoral é conduzido em conformidade com as obrigações internacionais, regionais e nacionais relativas à realização de eleições democráticas”, diz o serviço externo da UE.
Trata-se de um formato menor e menos abrangente do que as Missões de Observação Eleitoral (EOM, na sigla em inglês), cujas delegações são maiores, permanecem no país por mais tempo, visitam locais de votação, interagem com a imprensa e publicam conclusões e sugestões detalhadas para melhorar o processo eleitoral.
De acordo com pessoas com conhecimento da estrutura de acompanhamento eleitoral da Europa, não há tempo suficiente para a organização de uma EOM.
O TSE disse que o convite para a União Europeia será expedido nos próximos dias.
“As missões de observação eleitoral são regulamentadas em resolução do TSE e observam critérios rigorosos em razão das diversas atividades realizadas pelos observadores, como visitas às seções eleitorais”, declarou o tribunal.
“O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, entende que todos os interessados em conhecer o sistema de votação brasileiro podem participar desde que preencham os requisitos previstos na regulamentação do TSE.”
Ainda segundo a corte, a OEA (Organização dos Estados Americanos), a Uniore (União Interamericana de Organismos Eleitorais) e a Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) já confirmaram presença no pleito de outubro.
A conclusão dos trâmites para a participação da UE depende de articulação com o governo Lula (PT), uma vez que cabe ao Executivo expedir os convites aos observadores internacionais.
Nas eleições de 2022, quando o presidente Lula derrotou Bolsonaro por uma diferença de 2,1 milhões de votos, OEA, Uniore e CPLP enviaram missões de observação. Além delas, também participaram o Carter Center (instituto fundado pelo ex-presidente dos EUA Jimmy Carter), a Ifes (Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais) e a organização Transparência Electoral.
Naquela eleição, quando o governo Bolsonaro foi contrário ao convite à União Europeia, o argumento do então chanceler, Carlos França, foi de que o Brasil não é membro da União Europeia. Além disso, ele afirmou que a UE não envia missões de observação quando seus próprios países-membros realizam eleições.
“Acho que podemos com a OEA e outros organismos ter esse cuidado de observação eleitoral sem depender de uma organização que, estranhamente, dentro dos seus próprios membros não desdobra missão eleitoral”, disse França, em maio de 2022, durante uma audiência na Câmara dos Deputados.
Desde antes de tomar posse no TSE Kassio afirmava a aliados que poderia ressurgir o debate sobre a lisura das votações, alvo de campanha de desinformação encampada nos últimos anos por aliados de Bolsonaro.
Além da ampliação das missões, ele fixou, enquanto relator das resoluções eleitorais aprovadas pela corte neste ano, a possibilidade de a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) fiscalizar diretamente todo o processo eleitoral, uma novidade para o pleito.
Após a eleição, os observadores publicam relatórios com conclusões e recomendações.
Em 2022, por exemplo, a OEA destacou o trabalho do TSE como uma instituição que demonstrou “alto nível de profissionalismo e solidez”.
Proposta está sendo formatada pelo advogado do ex-dono do Master. (Foto: Reprodução) A defesa do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou uma proposta de delação premiada na qual se compromete a devolver R$ 40 bilhões, mas com o pagamento parcelado ao longo de 10 anos. A avaliação no Supremo Tribunal Federal (STF) é que …
Carlos Roberto Ferreira Lopes foi acusado de mentir ao dizer que desconhecia informações sobre transferências bancárias. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado) O empresário Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), foi preso na madrugada dessa terça-feira (30) após o comando da CPMI do INSS avaliar que ele …
Caso Banco Master aumenta chance de afastamento de integrantes do tribunal. (Foto: Divulgação) Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) não precisa do voto popular para chegar ao posto e tem o direito de permanecer na cadeira até os 75 anos. Até aqui, essas garantias davam segurança para os integrantes da Corte cumprirem o papel contramajoritário …
Alcolumbre (foto) disse que Zanin e Dino só foram aprovados para o STF com ajuda dele. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil) Senadores afirmam que, ao trabalhar pela derrota histórica de Jorge Messias, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), quis devolver o que via como ingratidão do governo Lula, demonstrar força e marcar pontos com …
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral vai convidar a União Europeia para acompanhar as eleições no Brasil
Se aceitar o convite, bloco enviará pela primeira vez missão oficial para observar um pleito brasileiro. (Foto: Reprodução)
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, vai convidar a União Europeia a enviar uma missão oficial de acompanhamento para as eleições deste ano. Caso o convite seja aceito, será a primeira vez que o bloco europeu terá uma delegação do tipo para acompanhar um pleito brasileiro.
Kassio tem defendido a interlocutores a necessidade de ampliar o monitoramento internacional das eleições para blindar o processo contra possíveis questionamentos aos resultados e às urnas eletrônicas. Ele também tem dito que haverá maior transparência com a ampliação do número de entidades envolvidas no acompanhamento.
Os ataques sem provas ao sistema eleitoral na disputa de 2022 foram uma das marcas de Jair Bolsonaro (PL), responsável pela indicação de Kassio ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Naquela eleição, porém, o governo Bolsonaro foi contrário ao convite à União Europeia para acompanhar o pleito, algo que vinha sendo articulado pela gestão do TSE – a preparação daquele processo eleitoral perpassou as presidências de Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes.
O tipo de comissão eleitoral que está sendo negociado neste ano com a UE é a chamada Missão de Especialistas Eleitorais (EEM, na sigla em inglês). De acordo com o Serviço Europeu para a Ação Externa, as EEMs são compostas por especialistas independentes que acompanham por cerca de dois meses o processo eleitoral de um país. Elas não têm visibilidade pública, mas produzem um relatório com recomendações.
“Os especialistas avaliam de forma imparcial se o processo eleitoral é conduzido em conformidade com as obrigações internacionais, regionais e nacionais relativas à realização de eleições democráticas”, diz o serviço externo da UE.
Trata-se de um formato menor e menos abrangente do que as Missões de Observação Eleitoral (EOM, na sigla em inglês), cujas delegações são maiores, permanecem no país por mais tempo, visitam locais de votação, interagem com a imprensa e publicam conclusões e sugestões detalhadas para melhorar o processo eleitoral.
De acordo com pessoas com conhecimento da estrutura de acompanhamento eleitoral da Europa, não há tempo suficiente para a organização de uma EOM.
O TSE disse que o convite para a União Europeia será expedido nos próximos dias.
“As missões de observação eleitoral são regulamentadas em resolução do TSE e observam critérios rigorosos em razão das diversas atividades realizadas pelos observadores, como visitas às seções eleitorais”, declarou o tribunal.
“O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, entende que todos os interessados em conhecer o sistema de votação brasileiro podem participar desde que preencham os requisitos previstos na regulamentação do TSE.”
Ainda segundo a corte, a OEA (Organização dos Estados Americanos), a Uniore (União Interamericana de Organismos Eleitorais) e a Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) já confirmaram presença no pleito de outubro.
A conclusão dos trâmites para a participação da UE depende de articulação com o governo Lula (PT), uma vez que cabe ao Executivo expedir os convites aos observadores internacionais.
Nas eleições de 2022, quando o presidente Lula derrotou Bolsonaro por uma diferença de 2,1 milhões de votos, OEA, Uniore e CPLP enviaram missões de observação. Além delas, também participaram o Carter Center (instituto fundado pelo ex-presidente dos EUA Jimmy Carter), a Ifes (Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais) e a organização Transparência Electoral.
Naquela eleição, quando o governo Bolsonaro foi contrário ao convite à União Europeia, o argumento do então chanceler, Carlos França, foi de que o Brasil não é membro da União Europeia. Além disso, ele afirmou que a UE não envia missões de observação quando seus próprios países-membros realizam eleições.
“Acho que podemos com a OEA e outros organismos ter esse cuidado de observação eleitoral sem depender de uma organização que, estranhamente, dentro dos seus próprios membros não desdobra missão eleitoral”, disse França, em maio de 2022, durante uma audiência na Câmara dos Deputados.
Desde antes de tomar posse no TSE Kassio afirmava a aliados que poderia ressurgir o debate sobre a lisura das votações, alvo de campanha de desinformação encampada nos últimos anos por aliados de Bolsonaro.
Além da ampliação das missões, ele fixou, enquanto relator das resoluções eleitorais aprovadas pela corte neste ano, a possibilidade de a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) fiscalizar diretamente todo o processo eleitoral, uma novidade para o pleito.
Após a eleição, os observadores publicam relatórios com conclusões e recomendações.
Em 2022, por exemplo, a OEA destacou o trabalho do TSE como uma instituição que demonstrou “alto nível de profissionalismo e solidez”.
Related Posts
Daniel Vorcaro quer devolver R$ 40 bilhões, mas só em 10 anos
Proposta está sendo formatada pelo advogado do ex-dono do Master. (Foto: Reprodução) A defesa do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou uma proposta de delação premiada na qual se compromete a devolver R$ 40 bilhões, mas com o pagamento parcelado ao longo de 10 anos. A avaliação no Supremo Tribunal Federal (STF) é que …
Roubalheira nas aposentadorias do INSS: presidente de entidade é preso por supostas mentiras em depoimento e solto após pagar fiança
Carlos Roberto Ferreira Lopes foi acusado de mentir ao dizer que desconhecia informações sobre transferências bancárias. (Foto: Carlos Moura/Agência Senado) O empresário Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), foi preso na madrugada dessa terça-feira (30) após o comando da CPMI do INSS avaliar que ele …
Impeachment de ministro do Supremo por impopularidade traz risco à democracia
Caso Banco Master aumenta chance de afastamento de integrantes do tribunal. (Foto: Divulgação) Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) não precisa do voto popular para chegar ao posto e tem o direito de permanecer na cadeira até os 75 anos. Até aqui, essas garantias davam segurança para os integrantes da Corte cumprirem o papel contramajoritário …
O presidente do Senado quis devolver o que via como ingratidão do governo Lula, demonstrar força e marcar pontos com o grupo bolsonarista de olho na reeleição dele para a presidência da Casa no ano que vem
Alcolumbre (foto) disse que Zanin e Dino só foram aprovados para o STF com ajuda dele. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil) Senadores afirmam que, ao trabalhar pela derrota histórica de Jorge Messias, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), quis devolver o que via como ingratidão do governo Lula, demonstrar força e marcar pontos com …