Advogados, políticos e integrantes do mercado financeiro avaliam nos bastidores que a PF estaria fora de controle. (Foto: PF/Divulgação)
A ramificação de investigações envolvendo o Banco Master, com a abertura de inquéritos em diversos estados e uma apuração sobre a tentativa de venda ao BRB (Banco de Brasília), passou a ser encarada como uma ameaça por políticos de partidos que entraram na mira das investigações.
Advogados e políticos da esquerda e do centrão afirmam nos bastidores que a PF (Polícia Federal) estaria fora de controle e levaram ao Palácio do Planalto uma “advertência” de que as investigações podem afetar também o PT e seus aliados muito em breve, numa tentativa de pressionar por um acordão para delimitar o alcance da apuração.
Políticos da esquerda e do centrão temem que as ramificações do caso para diversas instâncias da Justiça, a atenção pública voltada para o caso, o impulso do governo Lula (PT) em explorar politicamente as investigações e o tamanho do rombo, de mais de R$ 50 bilhões, sejam um obstáculo às tentativas de um acerto político para abafar as investigações.
Já há inquéritos abertos em pelo menos seis estados, como São Paulo, Alagoas, Amapá, Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo, para apurar desvios em fundos de previdência que terão prejuízo com títulos do Master. Há também investigações sobre fraudes em títulos e fundos de investimentos e sobre as duas empresas que tentaram comprar o banco: o BRB (Banco de Brasília) e a Fictor.
Pelo menos cem fundos de previdência fizeram aportes em títulos do Master, e agora terão que lidar com prejuízos e a responsabilização de seus dirigentes.
De acordo com um auxiliar do presidente, ouvido pela Folha na condição de anonimato, há uma preocupação entre integrantes do Palácio do Planalto para que as investigações contra o Master não atinjam a cúpula do Congresso, devido às consequências políticas que isso poderia ter para o governo. Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), são dois dos principais aliados de Lula.
Após a operação de sexta, Alcolumbre afirmou que tem confiança nas instituições e na Justiça brasileira e que defende “que tudo seja apurado, devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal”.
Dias antes, em outro eixo, a PF prendeu o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes em ação que investiga aplicações que somam cerca de R$ 970 milhões do fundo fluminense no Master – valor que dificilmente será ressarcido com a quebra do banco.
A situação é diferente daquela enfrentada pela classe política e empresarial na época da operação Lava-Jato, quando a investigação inicial ficou concentrada na vara criminal de Curitiba e só depois se fragmentou para apurações em outros lugares, como Rio de Janeiro e Distrito Federal, com base em desdobramentos das delações premiadas de empreiteiros e doleiros contra os políticos.
Embora o quadro não seja o mesmo, lideranças do setor financeiro enxergam o risco de a teia montada por Vorcaro se transformar “numa Lava-Jato ainda maior”, afetando não só o cenário eleitoral, mas também a economia. O Banco Central, que está no meio da crise do caso Master e tem sido alvo de ataques, está prestes a começar o processo de redução da taxa básica de juros (Selic) em março.
Desta vez, as apurações correm em paralelo em diversos lugares. Políticos mantêm interesse em um acordo que limite o alcance das investigações, mas consideram que essa situação pode tornar mais custoso “estancar a sangria”, como sugerido pelo ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) na época da Lava Jato, em diálogo gravado secretamente pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado semanas antes de a Câmara abrir o processo de impeachment e afastar a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) do cargo. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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Políticos veem ameaça com multiplicação de investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master
Advogados, políticos e integrantes do mercado financeiro avaliam nos bastidores que a PF estaria fora de controle. (Foto: PF/Divulgação)
A ramificação de investigações envolvendo o Banco Master, com a abertura de inquéritos em diversos estados e uma apuração sobre a tentativa de venda ao BRB (Banco de Brasília), passou a ser encarada como uma ameaça por políticos de partidos que entraram na mira das investigações.
Advogados e políticos da esquerda e do centrão afirmam nos bastidores que a PF (Polícia Federal) estaria fora de controle e levaram ao Palácio do Planalto uma “advertência” de que as investigações podem afetar também o PT e seus aliados muito em breve, numa tentativa de pressionar por um acordão para delimitar o alcance da apuração.
Políticos da esquerda e do centrão temem que as ramificações do caso para diversas instâncias da Justiça, a atenção pública voltada para o caso, o impulso do governo Lula (PT) em explorar politicamente as investigações e o tamanho do rombo, de mais de R$ 50 bilhões, sejam um obstáculo às tentativas de um acerto político para abafar as investigações.
Já há inquéritos abertos em pelo menos seis estados, como São Paulo, Alagoas, Amapá, Amazonas, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo, para apurar desvios em fundos de previdência que terão prejuízo com títulos do Master. Há também investigações sobre fraudes em títulos e fundos de investimentos e sobre as duas empresas que tentaram comprar o banco: o BRB (Banco de Brasília) e a Fictor.
Pelo menos cem fundos de previdência fizeram aportes em títulos do Master, e agora terão que lidar com prejuízos e a responsabilização de seus dirigentes.
De acordo com um auxiliar do presidente, ouvido pela Folha na condição de anonimato, há uma preocupação entre integrantes do Palácio do Planalto para que as investigações contra o Master não atinjam a cúpula do Congresso, devido às consequências políticas que isso poderia ter para o governo. Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), são dois dos principais aliados de Lula.
Após a operação de sexta, Alcolumbre afirmou que tem confiança nas instituições e na Justiça brasileira e que defende “que tudo seja apurado, devidamente investigado, esclarecido e conduzido com transparência e respeito ao devido processo legal”.
Dias antes, em outro eixo, a PF prendeu o ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes em ação que investiga aplicações que somam cerca de R$ 970 milhões do fundo fluminense no Master – valor que dificilmente será ressarcido com a quebra do banco.
A situação é diferente daquela enfrentada pela classe política e empresarial na época da operação Lava-Jato, quando a investigação inicial ficou concentrada na vara criminal de Curitiba e só depois se fragmentou para apurações em outros lugares, como Rio de Janeiro e Distrito Federal, com base em desdobramentos das delações premiadas de empreiteiros e doleiros contra os políticos.
Embora o quadro não seja o mesmo, lideranças do setor financeiro enxergam o risco de a teia montada por Vorcaro se transformar “numa Lava-Jato ainda maior”, afetando não só o cenário eleitoral, mas também a economia. O Banco Central, que está no meio da crise do caso Master e tem sido alvo de ataques, está prestes a começar o processo de redução da taxa básica de juros (Selic) em março.
Desta vez, as apurações correm em paralelo em diversos lugares. Políticos mantêm interesse em um acordo que limite o alcance das investigações, mas consideram que essa situação pode tornar mais custoso “estancar a sangria”, como sugerido pelo ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) na época da Lava Jato, em diálogo gravado secretamente pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado semanas antes de a Câmara abrir o processo de impeachment e afastar a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) do cargo. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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