Presidente do partido, Marcos Pereira vê “dificuldade” do presidenciável do PL em negociar palanques e diz que Lula se mantém competitivo. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, considera provável o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na eleição para a Presidência, mas condiciona a aliança nacional ao apoio do presidenciável a pré-candidaturas do partido nos Estados. Em entrevista ao Valor Econômico, Pereira diz que não se trata apenas de “apoiar por apoiar” e que é preciso construir palanques pensando em fortalecer as duas partes.
Um dos Estados onde o Republicanos reivindica o apoio de Flávio é Minas Gerais, onde o senador Cleitinho Azevedo lidera as pesquisas, enquanto o PL cogita lançar o empresário Flávio Roscoe, que tem resultado pior nas sondagens.
O presidente do Republicanos afirma que uma aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “é difícil”, pela posição mais à direita de lideranças da sigla, mas “não impossível”. Para Pereira, Flávio superou a dificuldade inicial e “está se consolidando” como o candidato da direita e do antipetismo, “até por falta de uma outra opção”.
Frustrada a expectativa de uma candidatura presidencial própria, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o Republicanos deve discutir até junho sua posição na eleição nacional, de acordo com Pereira. O dirigente cogita a hipótese de vitória de Tarcísio no primeiro turno, na tentativa de reeleição, mas prega “humildade e serenidade”, num cenário de polarização contra Fernando Haddad (PT).
O presidente do partido, que também é deputado federal e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, projeta uma aproximação dos evangélicos com o presidenciável do PL e vê Lula distante do segmento por causa do “assistencialismo” e das pautas de costumes progressistas.
A seguir os principais pontos da entrevista:
* Qual é o principal objetivo do Republicanos nestas eleições?
Aumentar a bancada de deputados federais e senadores. Na Câmara, nós elegemos 40 em 2022, estamos com 43 após a janela partidária, e o objetivo é eleger entre 50 e 60. O segundo plano é eleger os governadores onde o partido vai lançar nomes. A princípio, são sete Estados: São Paulo, com Tarcísio; Espírito Santo, com Lorenzo Pazolini; Sergipe, com Valmir de Francisquinho; Acre, com Alan Rick; Mato Grosso, com Otaviano Pivetta; Minas Gerais, com Cleitinho; e Rio de Janeiro, onde estamos avaliando André Português.
* Nacionalmente, qual caminho o senhor defende: Lula, Flávio ou neutralidade?
Não posso antecipar, porque minha palavra influencia o debate interno. Mas temos que olhar o espectro do partido. A tendência é caminhar com uma candidatura de centro-direita, mas nada foi decidido ainda.
* Uma aliança formal com Lula ou o PT está descartada?
Acho que é difícil, mas em política não existe impossível. É um debate interno, que o partido vai tratar mais à frente.
* O senhor foi procurado por Flávio depois das suas sinalizações públicas de que deseja dialogar e entender quais gestos ele está disposto a fazer pelo apoio?
Não. Estive há uns dois meses com ele e com Rogério Marinho (coordenador da pré-campanha). Passamos Estado por Estado, e ele (Flávio) demonstrou uma certa dificuldade de apoiar os governadores, à exceção de São Paulo, que é algo automático. Acho que mais à frente vamos ter um novo encontro, porque os cenários também vão mudando.
* Além dos apoios, que outros pontos gostaria de negociar?
É importante dialogarmos sobre propostas, mas, sobretudo, numa agenda mais pragmática, os apoios. Porque não é só apoio por apoio; é apoio para formar palanque.
* Como o senhor vê as recentes derrotas do governo no Congresso, classificadas por parte do universo político como sinal de que o governo Lula já chegou ao fim?
Vejo de forma natural. Isso é da democracia. O governo tem suas pautas, e o parlamento, em algumas delas, tem a palavra final. No caso da rejeição do nome do ministro Jorge Messias, para mim foi uma surpresa. Faltou, talvez, mais articulação do governo, mais atenção ao Senado.
* Vê o governo em condições de manter relações com o parlamento e votar suas pautas até a eleição, como o fim da escala 6×1?
Lula é um animal político. Ele sabe das suas virtudes e das suas limitações, e acho que a relação vai se ajustar.
Ninguém pode afirmar que Lula não vai se reeleger ou que Flávio será o presidente. É uma disputa bastante dividida. A polarização existe desde a redemocratização, e o PT sempre está no segundo turno. Não dá para cravar quem é que vai ganhar.
* Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), então, não têm chance? Por quê?
Porque a polarização está cristalizada. Com todo respeito ao Zema e ao Caiado, não vejo que essa divisão será vencida por eles. Quem protagoniza hoje o antipetismo, de forma mais consistente, é o bolsonarismo. (Com informações do Valor Econômico)
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Partido Republicanos flerta com Flávio Bolsonaro, mas quer apoio dele nos Estados
Presidente do partido, Marcos Pereira vê “dificuldade” do presidenciável do PL em negociar palanques e diz que Lula se mantém competitivo. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, considera provável o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na eleição para a Presidência, mas condiciona a aliança nacional ao apoio do presidenciável a pré-candidaturas do partido nos Estados. Em entrevista ao Valor Econômico, Pereira diz que não se trata apenas de “apoiar por apoiar” e que é preciso construir palanques pensando em fortalecer as duas partes.
Um dos Estados onde o Republicanos reivindica o apoio de Flávio é Minas Gerais, onde o senador Cleitinho Azevedo lidera as pesquisas, enquanto o PL cogita lançar o empresário Flávio Roscoe, que tem resultado pior nas sondagens.
O presidente do Republicanos afirma que uma aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “é difícil”, pela posição mais à direita de lideranças da sigla, mas “não impossível”. Para Pereira, Flávio superou a dificuldade inicial e “está se consolidando” como o candidato da direita e do antipetismo, “até por falta de uma outra opção”.
Frustrada a expectativa de uma candidatura presidencial própria, com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o Republicanos deve discutir até junho sua posição na eleição nacional, de acordo com Pereira. O dirigente cogita a hipótese de vitória de Tarcísio no primeiro turno, na tentativa de reeleição, mas prega “humildade e serenidade”, num cenário de polarização contra Fernando Haddad (PT).
O presidente do partido, que também é deputado federal e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, projeta uma aproximação dos evangélicos com o presidenciável do PL e vê Lula distante do segmento por causa do “assistencialismo” e das pautas de costumes progressistas.
A seguir os principais pontos da entrevista:
* Qual é o principal objetivo do Republicanos nestas eleições?
Aumentar a bancada de deputados federais e senadores. Na Câmara, nós elegemos 40 em 2022, estamos com 43 após a janela partidária, e o objetivo é eleger entre 50 e 60. O segundo plano é eleger os governadores onde o partido vai lançar nomes. A princípio, são sete Estados: São Paulo, com Tarcísio; Espírito Santo, com Lorenzo Pazolini; Sergipe, com Valmir de Francisquinho; Acre, com Alan Rick; Mato Grosso, com Otaviano Pivetta; Minas Gerais, com Cleitinho; e Rio de Janeiro, onde estamos avaliando André Português.
* Nacionalmente, qual caminho o senhor defende: Lula, Flávio ou neutralidade?
Não posso antecipar, porque minha palavra influencia o debate interno. Mas temos que olhar o espectro do partido. A tendência é caminhar com uma candidatura de centro-direita, mas nada foi decidido ainda.
* Uma aliança formal com Lula ou o PT está descartada?
Acho que é difícil, mas em política não existe impossível. É um debate interno, que o partido vai tratar mais à frente.
* O senhor foi procurado por Flávio depois das suas sinalizações públicas de que deseja dialogar e entender quais gestos ele está disposto a fazer pelo apoio?
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* Além dos apoios, que outros pontos gostaria de negociar?
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* Como o senhor vê as recentes derrotas do governo no Congresso, classificadas por parte do universo político como sinal de que o governo Lula já chegou ao fim?
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* Vê o governo em condições de manter relações com o parlamento e votar suas pautas até a eleição, como o fim da escala 6×1?
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Ninguém pode afirmar que Lula não vai se reeleger ou que Flávio será o presidente. É uma disputa bastante dividida. A polarização existe desde a redemocratização, e o PT sempre está no segundo turno. Não dá para cravar quem é que vai ganhar.
* Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), então, não têm chance? Por quê?
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