Mesmo com a pressão das ruas, parlamentares dizem que havia um entendimento com senadores. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
A rejeição da PEC da Blindagem pelo Senado escancarou um mal-estar com a Câmara, com acusações sobre quebra de acordo e reclamações de exposição indevida. A avaliação de deputados do Centrão é que parlamentares da Casa ao lado teriam posado de “paladinos”, evitando compartilhar o desgaste, apesar do alinhamento prévio sobre a pauta.
Em meio à tramitação da proposta alternativa à anistia aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023, aliados do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), passaram a temer que a mesma história se repita.
Para conter a crise, interlocutores marcaram um encontro entre Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no fim da noite de quarta-feira (24), com o objetivo de “acalmar os ânimos”.
Mesmo com a pressão das ruas, parlamentares dizem que havia um entendimento sobre a posição do Congresso. Republicanos, União e PP tinham fechado posição a favor da PEC, e Alcolumbre teria participado da articulação.
Na véspera da votação, o presidente do Senado chegou a ter uma conversa reservada com Motta. A PEC avançou na Câmara, mas, com o recuo, os deputados acabaram “na fogueira”.
A irritação dos deputados foi verbalizada em uma série de reuniões. No encontro do PP e do União com Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto alternativo à anistia, o líder do PP, Doutor Luizinho (RJ), abriu a rodada de críticas.
“Hoje a gente teve um exemplo clássico de um comportamento errático do Senado (na PEC da Blindagem), diferente do que teoricamente estava acordado com o presidente Hugo Motta e o presidente Davi Alcolumbre.”
Na sequência, Luizinho fez a ponte direta com a anistia:
“Reforço a necessidade de construir uma solução negociada entre Câmara e Senado, para que a gente não seja exposto novamente. A Câmara hoje está exposta.”
Um dia antes, Paulinho da Força havia escutado o mesmo alerta em reunião com o MDB. O recado veio de Acácio Favacho (MDB-AC):
“Não adianta ter acordo na Câmara se no Senado o texto não estiver encaminhado.”
A leitura de líderes é que a relação entre Alcolumbre e Motta saiu arranhada. Aliados ponderam que a disputa por protagonismo é natural, mas consideram que o presidente do Senado “passou dos limites”.
A interlocutores, Motta buscou relativizar o revés. Ele afirmou que não adianta “remoer” a derrota e que é hora de seguir adiante.
Questionado sobre o tema, Alcolumbre desconversou:
“Falo com Hugo várias vezes ao dia.”
A irritação atravessou siglas e se espalhou pelo Centrão. PP, União e MDB, todos com peso em votações, se alinharam no diagnóstico: não é possível aprovar projetos de alto desgaste político sem que o Senado esteja previamente comprometido.
O gesto da CCJ — rejeitar a PEC numa quarta-feira, sem esperar o fim da semana legislativa e sem levar o texto ao plenário — foi lido como provocação adicional. “Quiseram fritar os deputados”, resumiu um interlocutor.
O presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), evitou falar sobre a derrota:
“Vida que segue.”
Antes mesmo do desfecho no Senado, Motta já buscava reduzir o desgaste na Câmara após as manifestações populares contra a PEC e a anistia no fim de semana. Em reunião de líderes na terça-feira (23), afirmou que era hora de “virar a página” e pautou uma medida provisória de apelo popular, a dos Mais Especialistas.
“Eu garanto a votação do IR para quarta-feira. Não há vinculação de anistia ou qualquer outra pauta com esta votação. A matéria está madura”, disse Motta.
Na mesma linha de tentar virar a página, o líder do MDB, Isnaldo Bulhões, reforçou em plenário:
“Depois de muita turbulência na semana anterior, a Câmara dos Deputados defende que a pauta, acima de tudo, seja de interesse da sociedade brasileira. Agora há pouco, votamos a MP dos Mais Especialistas. Há dias, não colocávamos à disposição do povo brasileiro interesses da saúde e educação”, discursou Isnaldo Bulhões, aliado de primeira hora de Motta. (Com informações do jornal O Globo)
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Mesmo com a pressão das ruas, parlamentares dizem que havia um entendimento com senadores. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
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Em meio à tramitação da proposta alternativa à anistia aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023, aliados do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), passaram a temer que a mesma história se repita.
Para conter a crise, interlocutores marcaram um encontro entre Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no fim da noite de quarta-feira (24), com o objetivo de “acalmar os ânimos”.
Mesmo com a pressão das ruas, parlamentares dizem que havia um entendimento sobre a posição do Congresso. Republicanos, União e PP tinham fechado posição a favor da PEC, e Alcolumbre teria participado da articulação.
Na véspera da votação, o presidente do Senado chegou a ter uma conversa reservada com Motta. A PEC avançou na Câmara, mas, com o recuo, os deputados acabaram “na fogueira”.
A irritação dos deputados foi verbalizada em uma série de reuniões. No encontro do PP e do União com Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto alternativo à anistia, o líder do PP, Doutor Luizinho (RJ), abriu a rodada de críticas.
“Hoje a gente teve um exemplo clássico de um comportamento errático do Senado (na PEC da Blindagem), diferente do que teoricamente estava acordado com o presidente Hugo Motta e o presidente Davi Alcolumbre.”
Na sequência, Luizinho fez a ponte direta com a anistia:
“Reforço a necessidade de construir uma solução negociada entre Câmara e Senado, para que a gente não seja exposto novamente. A Câmara hoje está exposta.”
Um dia antes, Paulinho da Força havia escutado o mesmo alerta em reunião com o MDB. O recado veio de Acácio Favacho (MDB-AC):
“Não adianta ter acordo na Câmara se no Senado o texto não estiver encaminhado.”
A leitura de líderes é que a relação entre Alcolumbre e Motta saiu arranhada. Aliados ponderam que a disputa por protagonismo é natural, mas consideram que o presidente do Senado “passou dos limites”.
A interlocutores, Motta buscou relativizar o revés. Ele afirmou que não adianta “remoer” a derrota e que é hora de seguir adiante.
Questionado sobre o tema, Alcolumbre desconversou:
“Falo com Hugo várias vezes ao dia.”
A irritação atravessou siglas e se espalhou pelo Centrão. PP, União e MDB, todos com peso em votações, se alinharam no diagnóstico: não é possível aprovar projetos de alto desgaste político sem que o Senado esteja previamente comprometido.
O gesto da CCJ — rejeitar a PEC numa quarta-feira, sem esperar o fim da semana legislativa e sem levar o texto ao plenário — foi lido como provocação adicional. “Quiseram fritar os deputados”, resumiu um interlocutor.
O presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), evitou falar sobre a derrota:
“Vida que segue.”
Antes mesmo do desfecho no Senado, Motta já buscava reduzir o desgaste na Câmara após as manifestações populares contra a PEC e a anistia no fim de semana. Em reunião de líderes na terça-feira (23), afirmou que era hora de “virar a página” e pautou uma medida provisória de apelo popular, a dos Mais Especialistas.
“Eu garanto a votação do IR para quarta-feira. Não há vinculação de anistia ou qualquer outra pauta com esta votação. A matéria está madura”, disse Motta.
Na mesma linha de tentar virar a página, o líder do MDB, Isnaldo Bulhões, reforçou em plenário:
“Depois de muita turbulência na semana anterior, a Câmara dos Deputados defende que a pauta, acima de tudo, seja de interesse da sociedade brasileira. Agora há pouco, votamos a MP dos Mais Especialistas. Há dias, não colocávamos à disposição do povo brasileiro interesses da saúde e educação”, discursou Isnaldo Bulhões, aliado de primeira hora de Motta. (Com informações do jornal O Globo)
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