Ex-governador diz que dinheiro foi doado de forma legal para o partido e que “nenhum centavo” foi usado em sua campanha de reeleição. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Preso nessa quinta-feira (14), o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, doou R$ 1 milhão para o diretório estadual do Novo em Minas Gerais nas eleições de 2022, mostram dados da prestação de conta do partido apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
De acordo com os registros, o pai do dono do Banco Master foi o sexto maior financiador do partido no Estado. Ao todo, o diretório mineiro arrecadou R$ 28,6 milhões no pleito daquele ano, quando o hoje pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) foi reeleito governador.
O maior doador do Novo em Minas foi o empresário Salim Mattar, ex-secretário de Desestatização do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Fundador da Localiza, ele transferiu R$ 2 milhões para a sigla.
Em nota, Zema disse que o dinheiro foi doado de forma legal e transparente para o partido e que “nenhum centavo” foi usado em sua campanha.
“A doação para o partido foi em 2022, quando não havia nem mesmo suspeita contra Vorcaro. A PF só iniciou as investigações sobre o Banco Master em 2024. Não tenho o rabo preso. Sou o pré-candidato que mais denuncia os intocáveis. Não vou recuar”, escreveu.
À Folha o Novo também afirmou que jamais escondeu a origem de suas doações e repetiu que, na época do repasse de Henrique Vorcaro, o esquema de fraudes do Banco Master era desconhecido.
“Desde que o caso veio à tona, o partido e sua bancada no Congresso têm criticado e atuado na investigação dos escândalos em que o banco está envolvido”, afirmou, em comunicado.
O partido disse ainda que não condiciona sua atuação política aos interesses dos doadores. “Essa sempre será a postura do Novo: independência absoluta, compromisso com a legalidade e coragem para denunciar quaisquer indícios de irregularidade, independentemente de quem esteja envolvido.”
A informação sobre a doação foi compartilhada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em resposta a um vídeo de Zema em que o ex-governador classifica como “imperdoável” a negociação do senador Flávio Bolsonaro (PL) com Vorcaro, revelada pelo site The Intercept Brasil e confirmada pela Folha.
“Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, disse Zema na quarta (13).
Em resposta, Eduardo compartilhou um registro da doação do pai do ex-banqueiro ao diretório mineiro do Novo e perguntou ao pré-candidato: “Isso aqui seria, nas suas palavras, ‘fazer a mesma coisa que o PT’, Zema?”
Henrique Vorcaro foi preso na sexta fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades relacionadas ao Master.
As investigações da Polícia Federal que levaram à prisão apontam que ele atuava em conjunto com o filho como “solicitador e beneficiário” de serviços ilícitos prestados pelo grupo “A Turma”, que fazia ameaças e tentava obter acesso a informações sigilosas de investigações contra eles.
Essa atuação, segundo as apurações, continuou mesmo após a prisão de Daniel, em novembro do ano passado.
O advogado de Henrique, Eugênio Pacelli, afirmou em nota que a decisão “se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo”. “E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele”, disse.
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Pai de Daniel Vorcaro doou R$ 1 milhão a diretório do Partido Novo em Minas Gerais quando Romeu Zema era candidato
Ex-governador diz que dinheiro foi doado de forma legal para o partido e que “nenhum centavo” foi usado em sua campanha de reeleição. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Preso nessa quinta-feira (14), o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, doou R$ 1 milhão para o diretório estadual do Novo em Minas Gerais nas eleições de 2022, mostram dados da prestação de conta do partido apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
De acordo com os registros, o pai do dono do Banco Master foi o sexto maior financiador do partido no Estado. Ao todo, o diretório mineiro arrecadou R$ 28,6 milhões no pleito daquele ano, quando o hoje pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) foi reeleito governador.
O maior doador do Novo em Minas foi o empresário Salim Mattar, ex-secretário de Desestatização do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Fundador da Localiza, ele transferiu R$ 2 milhões para a sigla.
Em nota, Zema disse que o dinheiro foi doado de forma legal e transparente para o partido e que “nenhum centavo” foi usado em sua campanha.
“A doação para o partido foi em 2022, quando não havia nem mesmo suspeita contra Vorcaro. A PF só iniciou as investigações sobre o Banco Master em 2024. Não tenho o rabo preso. Sou o pré-candidato que mais denuncia os intocáveis. Não vou recuar”, escreveu.
À Folha o Novo também afirmou que jamais escondeu a origem de suas doações e repetiu que, na época do repasse de Henrique Vorcaro, o esquema de fraudes do Banco Master era desconhecido.
“Desde que o caso veio à tona, o partido e sua bancada no Congresso têm criticado e atuado na investigação dos escândalos em que o banco está envolvido”, afirmou, em comunicado.
O partido disse ainda que não condiciona sua atuação política aos interesses dos doadores. “Essa sempre será a postura do Novo: independência absoluta, compromisso com a legalidade e coragem para denunciar quaisquer indícios de irregularidade, independentemente de quem esteja envolvido.”
A informação sobre a doação foi compartilhada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em resposta a um vídeo de Zema em que o ex-governador classifica como “imperdoável” a negociação do senador Flávio Bolsonaro (PL) com Vorcaro, revelada pelo site The Intercept Brasil e confirmada pela Folha.
“Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, disse Zema na quarta (13).
Em resposta, Eduardo compartilhou um registro da doação do pai do ex-banqueiro ao diretório mineiro do Novo e perguntou ao pré-candidato: “Isso aqui seria, nas suas palavras, ‘fazer a mesma coisa que o PT’, Zema?”
Henrique Vorcaro foi preso na sexta fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades relacionadas ao Master.
As investigações da Polícia Federal que levaram à prisão apontam que ele atuava em conjunto com o filho como “solicitador e beneficiário” de serviços ilícitos prestados pelo grupo “A Turma”, que fazia ameaças e tentava obter acesso a informações sigilosas de investigações contra eles.
Essa atuação, segundo as apurações, continuou mesmo após a prisão de Daniel, em novembro do ano passado.
O advogado de Henrique, Eugênio Pacelli, afirmou em nota que a decisão “se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo”. “E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele”, disse.
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