A proposta reduz a inelegibilidade de políticos condenados ao contar a punição a partir da data da cassação
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
A proposta reduz a inelegibilidade de políticos condenados ao contar a punição a partir da data da cassação. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
O advogado e ex-juiz Márlon Reis, idealizador da Lei da Ficha Limpa, afirmou nesta semana que pedirá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para vetar o projeto de lei, aprovado pelo Senado na última terça-feira (2), que enfraquece a legislação.
A proposta reduz a inelegibilidade de políticos condenados ao contar a punição a partir da data da cassação, e não do fim do mandato cassado. O texto não afeta o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030.
“Enviaremos uma nota técnica ao presidente Lula pedindo o veto de todos os trechos que tratam de inelegibilidade. Esse projeto beneficia poderosos que praticaram crimes como compra de votos e improbidade administrativa. A Lei da Ficha Limpa é uma conquista humanitária”, disse Reis.
Se o projeto não for vetado, o advogado apresentará uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2022 já rejeitou diminuir a punição prevista na legislação.
Na última terça-feira, o Senado aprovou por 50 votos a 24, o projeto de lei que limita a oito anos a inelegibilidade de políticos condenados. Na prática, a punição era maior porque o prazo contava a partir do fim do mandato cassado, e não do momento da cassação.
Para o advogado, o Senado deu um “grande golpe” ao endossar a proposta. A votação aconteceu enquanto Bolsonaro e os outros sete réus do “núcleo crucial” do processo da trama golpista começavam a ser julgados no STF.
“Foi um grande golpe do Senado. O projeto beneficia todos os condenados nos últimos grandes escândalos de corrupção, os que restaram condenados do mensalão e da Lava Jato. É uma anistia concedida ilegalmente”, disse Márlon Reis.
Aprovado pela Câmara a toque de caixa no ano passado, o texto foi apresentado pela deputada Dani Cunha (União-RJ). A proposta favorece o pai da parlamentar, o ex-presidente da Casa Eduardo Cunha, que agora deve disputar as eleições de 2026.
Atualmente, no caso de delitos eleitorais de menor gravidade ou de improbidade administrativa, a inelegibilidade dura por todo o mandato e por mais 8 anos após o término do mandato no qual o político foi condenado, o que pode se estender por mais de 15 anos.
Para crimes mais graves, segue valendo a regra atual, na qual o prazo de inelegibilidade de 8 anos começa a partir do final do cumprimento da pena.
Entre esses crimes estão o contra a administração pública, o de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, de tráfico de entorpecentes e drogas afins, de racismo, tortura, terrorismo, crimes contra a vida, contra a dignidade sexual, praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando.
Para o relator do projeto, senador Weverton (PDT-MA), “não é razoável que nós possamos permitir que a inelegibilidade seja ad eternum”, mas a manutenção da regra para crimes graves ajuda a preservar “o espírito principal da Lei da Ficha Limpa”.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apoiou o projeto.
“Eu faço questão dessa modernização, dessa atualização da legislação da Lei da Ficha Limpa para dar o espírito do legislador quando da votação da lei. A inelegibilidade não pode ser eterna! Está no texto da lei: 8 anos. Não pode ser nove nem vinte”, defendeu.
Os parlamentares contrários ao projeto entendem que seria um enfraquecimento da legislação.
“O espírito da Lei da Ficha Limpa é que quem foi punido com inelegibilidade fique por duas eleições fora do pleito. Com esta lei que nós estamos aprovando agora, ninguém, por crime eleitoral, ficará mais por duas eleições fora do pleito, porque está sendo estendida, para a data da diplomação, a aferição dos 8 anos do cumprimento da pena, o que eu entendo que é uma anomalia”, disse o senador Marcelo Castro (MDB-PI).
https://www.osul.com.br/pai-da-ficha-limpa-pedira-que-lula-vete-projeto-que-enfraquece-legislacao/ “Pai” da Ficha Limpa pedirá que Lula vete projeto que enfraquece legislação 2025-09-05
Irritação do presidente Lula com o tema ficou clara em discurso. Foto: Ricardo Stuckert/PR Irritação do presidente Lula com o tema ficou clara em discurso. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) Preocupado com a escalada da crise envolvendo o Banco Master, o Palácio do Planalto tem adotado uma estratégia de distanciamento do caso e trabalha para evitar o …
A estratégia é reduzir a tensão na Câmara e definir uma pauta morna para esta semana Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados A estratégia é reduzir a tensão na Câmara e definir uma pauta morna para esta semana. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados) O presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Republicanos-PB) determinou a realização de …
Vereador disse que o pai “cada dia come menos”, está com problema de falta de ferro no sangue e há uma possibilidade de nova hérnia. (Foto: Reprodução) O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a saúde do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é “delicada”. Segundo ele, Bolsonaro vem enfrentando uma série de problemas de saúde …
Proposta precisa ser aprovada pelos plenários da Câmara e do Senado até esta quarta (8), para não perder a validade. (Foto: Agência Senado) Após recuos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, a Medida Provisória (MP) 1303, com alternativas de arrecadação a um aumento maior do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), foi aprovada em comissão …
“Pai” da Ficha Limpa pedirá que Lula vete projeto que enfraquece legislação
A proposta reduz a inelegibilidade de políticos condenados ao contar a punição a partir da data da cassação
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
A proposta reduz a inelegibilidade de políticos condenados ao contar a punição a partir da data da cassação. (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
O advogado e ex-juiz Márlon Reis, idealizador da Lei da Ficha Limpa, afirmou nesta semana que pedirá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para vetar o projeto de lei, aprovado pelo Senado na última terça-feira (2), que enfraquece a legislação.
A proposta reduz a inelegibilidade de políticos condenados ao contar a punição a partir da data da cassação, e não do fim do mandato cassado. O texto não afeta o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030.
“Enviaremos uma nota técnica ao presidente Lula pedindo o veto de todos os trechos que tratam de inelegibilidade. Esse projeto beneficia poderosos que praticaram crimes como compra de votos e improbidade administrativa. A Lei da Ficha Limpa é uma conquista humanitária”, disse Reis.
Se o projeto não for vetado, o advogado apresentará uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2022 já rejeitou diminuir a punição prevista na legislação.
Na última terça-feira, o Senado aprovou por 50 votos a 24, o projeto de lei que limita a oito anos a inelegibilidade de políticos condenados. Na prática, a punição era maior porque o prazo contava a partir do fim do mandato cassado, e não do momento da cassação.
Para o advogado, o Senado deu um “grande golpe” ao endossar a proposta. A votação aconteceu enquanto Bolsonaro e os outros sete réus do “núcleo crucial” do processo da trama golpista começavam a ser julgados no STF.
“Foi um grande golpe do Senado. O projeto beneficia todos os condenados nos últimos grandes escândalos de corrupção, os que restaram condenados do mensalão e da Lava Jato. É uma anistia concedida ilegalmente”, disse Márlon Reis.
Aprovado pela Câmara a toque de caixa no ano passado, o texto foi apresentado pela deputada Dani Cunha (União-RJ). A proposta favorece o pai da parlamentar, o ex-presidente da Casa Eduardo Cunha, que agora deve disputar as eleições de 2026.
Atualmente, no caso de delitos eleitorais de menor gravidade ou de improbidade administrativa, a inelegibilidade dura por todo o mandato e por mais 8 anos após o término do mandato no qual o político foi condenado, o que pode se estender por mais de 15 anos.
Para crimes mais graves, segue valendo a regra atual, na qual o prazo de inelegibilidade de 8 anos começa a partir do final do cumprimento da pena.
Entre esses crimes estão o contra a administração pública, o de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, de tráfico de entorpecentes e drogas afins, de racismo, tortura, terrorismo, crimes contra a vida, contra a dignidade sexual, praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando.
Para o relator do projeto, senador Weverton (PDT-MA), “não é razoável que nós possamos permitir que a inelegibilidade seja ad eternum”, mas a manutenção da regra para crimes graves ajuda a preservar “o espírito principal da Lei da Ficha Limpa”.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apoiou o projeto.
“Eu faço questão dessa modernização, dessa atualização da legislação da Lei da Ficha Limpa para dar o espírito do legislador quando da votação da lei. A inelegibilidade não pode ser eterna! Está no texto da lei: 8 anos. Não pode ser nove nem vinte”, defendeu.
Os parlamentares contrários ao projeto entendem que seria um enfraquecimento da legislação.
“O espírito da Lei da Ficha Limpa é que quem foi punido com inelegibilidade fique por duas eleições fora do pleito. Com esta lei que nós estamos aprovando agora, ninguém, por crime eleitoral, ficará mais por duas eleições fora do pleito, porque está sendo estendida, para a data da diplomação, a aferição dos 8 anos do cumprimento da pena, o que eu entendo que é uma anomalia”, disse o senador Marcelo Castro (MDB-PI).
https://www.osul.com.br/pai-da-ficha-limpa-pedira-que-lula-vete-projeto-que-enfraquece-legislacao/
“Pai” da Ficha Limpa pedirá que Lula vete projeto que enfraquece legislação
2025-09-05
Related Posts
Governo tenta se afastar da crise do Banco Master e quer evitar CPI em ano eleitoral
Irritação do presidente Lula com o tema ficou clara em discurso. Foto: Ricardo Stuckert/PR Irritação do presidente Lula com o tema ficou clara em discurso. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) Preocupado com a escalada da crise envolvendo o Banco Master, o Palácio do Planalto tem adotado uma estratégia de distanciamento do caso e trabalha para evitar o …
Presidente da Câmara decide adotar sessões remotas na Casa em semana decisiva no julgamento de trama golpista
A estratégia é reduzir a tensão na Câmara e definir uma pauta morna para esta semana Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados A estratégia é reduzir a tensão na Câmara e definir uma pauta morna para esta semana. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados) O presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Republicanos-PB) determinou a realização de …
Carlos Bolsonaro diz que o pai investiga possível câncer: “Tiraram pedaços profundos de pele”
Vereador disse que o pai “cada dia come menos”, está com problema de falta de ferro no sangue e há uma possibilidade de nova hérnia. (Foto: Reprodução) O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a saúde do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é “delicada”. Segundo ele, Bolsonaro vem enfrentando uma série de problemas de saúde …
Comissão aprova medida provisória alternativa ao IOF com tributação de 18% sobre investimentos
Proposta precisa ser aprovada pelos plenários da Câmara e do Senado até esta quarta (8), para não perder a validade. (Foto: Agência Senado) Após recuos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, a Medida Provisória (MP) 1303, com alternativas de arrecadação a um aumento maior do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), foi aprovada em comissão …