Governo reclama de sobreposição de legislações, recursos para a PF e tipificação de crimes. (Foto: Pedro França/Agência Senado)
Governistas e oposição continuam divergindo sobre pontos que consideram ser prejudiciais no Projeto de Lei Antifacção, que combate ao crime organizado. A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (18) o texto da proposta. A proposta cria novos crimes, amplia poderes de investigação e determina regras especiais para líderes de organizações criminosas.
Para além do texto, a discussão ganhou contornos eleitorais. Embora o governo tenha enviado o texto ao Congresso Nacional, o relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), alterou o projeto e apresentou uma nova versão que desagradou o Executivo.
Derrite é secretário de Segurança Pública de São Paulo e deixou o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) momentaneamente apenas para relatar a proposta na Câmara.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a proposta. Em uma rede social, o petista disse que o texto, com a redação dada pelos deputados, “favorece quem quer escapar da lei”.
Os governistas exigem a tipificação de “facções criminosas” dentro da lei que já regulamenta o combate a organizações criminosas.
Derrite definiu o que é facção, mas manteve a tipificação de outro crime: domínio social estruturado. Além disso, diferenciou organizações criminosas comuns das demais definindo as facções como organizações criminosas “ultraviolentas”, o que foi criticado por governistas:
“Eu pergunto aos senhores: por que não assumiu o termo correto, ‘facção criminosa’? Sabe por que não assumiu? É porque quer ser claramente contra o governo”, afirmou o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ).
Segundo os governistas, o projeto de Derrite também vai criar uma sobreposição de legislações, porque já existe uma lei de combate a organizações criminosa no Brasil cujos dispositivos não foram revogados pelo projeto atual.
Verba da PF
Os governistas apontam que a nova destinação dos bens apreendidos nas operações contra o crime organizado retira verba que antes seria destinada à Polícia Federal (PF). O impacto seria de cerca R$ 300 milhões ao ano, segundo o Ministério da Justiça.
Apenas quando houver participação da PF, serão enviados ao Fundo Nacional de Segurança Pública.
O projeto original apontava o Ministério da Justiça e Segurança Pública como o gestor da alienação de bens, direitos e valores declarados perdidos em favor da União.
Caberia ao ministério, a definição da destinação desses ativos à União, Estados ou Distrito Federal, bem como dos municípios no caso de imóveis registrados em cartório.
Oposição
O principal ponto de crítica da oposição ao texto de Derrite foi a retirada da menção de organizações criminosas da lei antiterrorismo.
Inicialmente, o texto continha a equiparação das facções a grupos terroristas, mas Derrite precisou recuar após críticas do governo e exigência do próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Motta afirmou que a inclusão poderia ameaçar a soberania do Brasil, dado que tratados internacionais preveem sanções a países que abrigam células terroristas.
Uma demanda apresentada por governadores da oposição na semana passada também pedia a restrição da possibilidade de realização de audiências de custódia para criminosos reincidentes e integrantes de facções criminosas.
“Defendo que quem tiver três reincidências no mesmo crime, não tenha mais direito a audiência de custódia”, disse o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), logo após a apresentação de alterações ao texto na semana passada.
https://www.osul.com.br/o-que-o-governo-critica-e-o-que-a-oposicao-queria-no-texto-aprovado-do-projeto-de-lei-antifaccao/ O que o governo critica e o que a oposição queria no texto aprovado do Projeto de Lei Antifacção 2025-11-19
O presidente afirmou ainda que a regulação de “tudo que for digital” é um gesto de defesa da soberania nacional. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 17, que o governo vai “trabalhar muito” para regular plataformas que “causem dano à democracia”. O presidente, que está em viagem …
O pagamento foi de US$ 11,5 milhões, equivalentes a R$ 60 milhões pela cotação atual, para financiar eventos internacionais de alto padrão. (Foto: Divulgação) As despesas, descritas em documentos coletados pela Polícia Federal, incluem jatinhos para Brasília, shows com dançarinas, troféus de cristal, degustação e distribuição de uísque e muito mais. Em 2024, o Master …
Registros mostram que empresário teve reunião com Wolney e com um aliado político do ministro no dia do pregão. (Foto: Liliana Soares/MPS) O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, pediu para que a Controladoria-Geral da União (CGU) abra uma “ampla e rigorosa investigação” sobre a empresa que ganhou uma licitação no mesmo dia em que o …
Ainda não se sabe qual será, exatamente, a fórmula ideal para a jornada máxima de trabalho. Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados Ainda não se sabe qual será, exatamente, a fórmula ideal para a jornada máxima de trabalho. (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados) A redução da jornada máxima de trabalho é uma tendência internacional, ainda que …
O que o governo critica e o que a oposição queria no texto aprovado do Projeto de Lei Antifacção
Governo reclama de sobreposição de legislações, recursos para a PF e tipificação de crimes. (Foto: Pedro França/Agência Senado)
Governistas e oposição continuam divergindo sobre pontos que consideram ser prejudiciais no Projeto de Lei Antifacção, que combate ao crime organizado. A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (18) o texto da proposta. A proposta cria novos crimes, amplia poderes de investigação e determina regras especiais para líderes de organizações criminosas.
Para além do texto, a discussão ganhou contornos eleitorais. Embora o governo tenha enviado o texto ao Congresso Nacional, o relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), alterou o projeto e apresentou uma nova versão que desagradou o Executivo.
Derrite é secretário de Segurança Pública de São Paulo e deixou o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) momentaneamente apenas para relatar a proposta na Câmara.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a proposta. Em uma rede social, o petista disse que o texto, com a redação dada pelos deputados, “favorece quem quer escapar da lei”.
Os governistas exigem a tipificação de “facções criminosas” dentro da lei que já regulamenta o combate a organizações criminosas.
Derrite definiu o que é facção, mas manteve a tipificação de outro crime: domínio social estruturado. Além disso, diferenciou organizações criminosas comuns das demais definindo as facções como organizações criminosas “ultraviolentas”, o que foi criticado por governistas:
“Eu pergunto aos senhores: por que não assumiu o termo correto, ‘facção criminosa’? Sabe por que não assumiu? É porque quer ser claramente contra o governo”, afirmou o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ).
Segundo os governistas, o projeto de Derrite também vai criar uma sobreposição de legislações, porque já existe uma lei de combate a organizações criminosa no Brasil cujos dispositivos não foram revogados pelo projeto atual.
Verba da PF
Os governistas apontam que a nova destinação dos bens apreendidos nas operações contra o crime organizado retira verba que antes seria destinada à Polícia Federal (PF). O impacto seria de cerca R$ 300 milhões ao ano, segundo o Ministério da Justiça.
Apenas quando houver participação da PF, serão enviados ao Fundo Nacional de Segurança Pública.
O projeto original apontava o Ministério da Justiça e Segurança Pública como o gestor da alienação de bens, direitos e valores declarados perdidos em favor da União.
Caberia ao ministério, a definição da destinação desses ativos à União, Estados ou Distrito Federal, bem como dos municípios no caso de imóveis registrados em cartório.
Oposição
O principal ponto de crítica da oposição ao texto de Derrite foi a retirada da menção de organizações criminosas da lei antiterrorismo.
Inicialmente, o texto continha a equiparação das facções a grupos terroristas, mas Derrite precisou recuar após críticas do governo e exigência do próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Motta afirmou que a inclusão poderia ameaçar a soberania do Brasil, dado que tratados internacionais preveem sanções a países que abrigam células terroristas.
Uma demanda apresentada por governadores da oposição na semana passada também pedia a restrição da possibilidade de realização de audiências de custódia para criminosos reincidentes e integrantes de facções criminosas.
“Defendo que quem tiver três reincidências no mesmo crime, não tenha mais direito a audiência de custódia”, disse o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), logo após a apresentação de alterações ao texto na semana passada.
https://www.osul.com.br/o-que-o-governo-critica-e-o-que-a-oposicao-queria-no-texto-aprovado-do-projeto-de-lei-antifaccao/
O que o governo critica e o que a oposição queria no texto aprovado do Projeto de Lei Antifacção
2025-11-19
Related Posts
Lula defende regular redes sociais para impedir “intromissão de fora” nas eleições
O presidente afirmou ainda que a regulação de “tudo que for digital” é um gesto de defesa da soberania nacional. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 17, que o governo vai “trabalhar muito” para regular plataformas que “causem dano à democracia”. O presidente, que está em viagem …
Banco Master gastou R$ 60 milhões com autoridades da República em Londres, Nova York e Lisboa
O pagamento foi de US$ 11,5 milhões, equivalentes a R$ 60 milhões pela cotação atual, para financiar eventos internacionais de alto padrão. (Foto: Divulgação) As despesas, descritas em documentos coletados pela Polícia Federal, incluem jatinhos para Brasília, shows com dançarinas, troféus de cristal, degustação e distribuição de uísque e muito mais. Em 2024, o Master …
Ministro pede apuração sobre empresa que ganhou uma licitação do INSS no mesmo dia em que o sócio dela esteve por cerca de sete horas dentro do ministério
Registros mostram que empresário teve reunião com Wolney e com um aliado político do ministro no dia do pregão. (Foto: Liliana Soares/MPS) O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, pediu para que a Controladoria-Geral da União (CGU) abra uma “ampla e rigorosa investigação” sobre a empresa que ganhou uma licitação no mesmo dia em que o …
Redução da jornada de trabalho ganha força no Congresso
Ainda não se sabe qual será, exatamente, a fórmula ideal para a jornada máxima de trabalho. Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados Ainda não se sabe qual será, exatamente, a fórmula ideal para a jornada máxima de trabalho. (Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados) A redução da jornada máxima de trabalho é uma tendência internacional, ainda que …