Legendas vão se reunir nesta quarta-feira (25) para discutir aliança; grupo de Guilherme Boulos (foto) é favorável. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
O Psol resiste a fazer uma federação com o PT para disputar as eleições deste ano, apesar da pressão do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da articulação comandada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol). Lideranças da legenda temem perder a autonomia da sigla e reduzir o número de candidatos e de parlamentares eleitos, além da possibilidade de ter de compor nos Estados com adversários políticos.
Nesta quarta-feira (25), o comando nacional dos dois partidos se reunirá para discutir a composição, que precisa ser formalizada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 4 de abril, seis meses antes das eleições, para valer nesta disputa eleitoral. A decisão definitiva do Psol, porém, deve ser tomada apenas perto do prazo final para o registro na justiça Eleitoral, depois de reunião da direção nacional da sigla em 7 de março.
O PT e Lula pressionam pela federação com o Psol sob a justificativa de que é preciso construir um grande campo de esquerda para atuar em conjunto nas eleições e no Congresso. Os petistas já estão federados com o PCdoB e PV. O Psol está com a Rede.
A direção do PT e o grupo politico de Boulos no Psol defendem ainda que a federação ajudaria o partido a superar a cláusula de barreira, regra que define um percentual mínimo de votos para que uma legenda tenha direito ao fundo eleitoral e a tempo de televisão e rádio na propaganda eleitoral.
A tendência hoje no Psol, no entanto, é rejeitar a federação com o PT e aprovar o apoio a Lula na disputa presidencial, mas em uma coligação. O partido pretende ainda manter a federação com a Rede.
Na eleição de 2022, o Psol já superou a cláusula de barreira, que exige o mínimo de 2% dos votos válidos nas eleições para a Câmara, distribuídos em pelo menos nove unidades da federação, com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada um deles. O partido obteve 3,5% dos votos, e recebeu 1,5% em 12 Estados. Se somada com a Rede, a federação teve 4,4% dos votos nacionais, para a Câmara, e 1,5% em 14 Estados.
A federação faz com que os partidos fiquem “unidos por quatro anos nacionalmente e apojem os mesmos candidatos a prefeito, governador e senador. Se uma legenda deixar a federação antes desse prazo, pode perder recursos do fundo partidário, já uma coligação permite alianças regionais e os partidos ficam unidos apenas em uma eleição.
Ex-petista e um dos fundadores do Psol, o deputado Chico Alencar (RJ) rejeita a federação e defende uma “coligação eleitoral propositiva e programática”, para cobrar o governo quando houver divergência de opinião no Congresso. “O PT é muito forte, hegemonista e pode haver uma submissão do Psol, uma quase que fusão, que implicará no nossa desaparecimento. Coligação sim, federação não”, diz Alencar, “Olhamos a experiência concreta do PCdoB, do PV, que estão federados com o PT, e entendemos que eles perderam muito da sua fisionomia própria. Isso não é bom”, afirma. “Para a democracia é bom a diversidade. A unidade na diversidade é elemento essencial.”
A deputada Taliria Petrone (RJ), que deve participar da reunião com o PT, também resiste à federação e diz que para Lula é “bom ter o apoio de duas federações”. “É melhor não só politicamente, mas também matematicamente. Pode ter mais candidatos da esquerda nas eleições”. diz. “Não cabe uma federação neste momento. Não ajuda nem Lula nem o Psol.”
A presidente nacional do Psol, Paula Coradi, diz que o debate sobre a federação com o PT tem sido feito no partido e é legítimo, mas afirma que a legenda já superou a cláusula de barreira nas eleições de 2022 e em outubro deve ampliar não só a votação, mas também o número de deputados eleitos. Segundo Coradi, uma federação com o PT tende a reduzir o número de candidatos do Psol e, com isso, pode prejudicar a votação do partido nas urnas.
Oposição histórica
Outro ponto destacado são as alianças nos Estados. Com o PT, o Psol terá que se aliar ao governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), apesar de ser adversário político no Estado, por exemplo. No Rio de Janeiro, o partido também terá que apoiar opositor. O PT está com o prefeito e pré-candidato Eduardo Paes (PSD), a quem o Psol faz “oposição histórica”.
O Psol tem dois ministérios no governo (Secretaria-Geral e Povos Indígenas), e Boulos e seu grupo político no partido têm defendido a federação.
Nos bastidores, integrantes do Psol avaliam que, se a federação for rejeitada pelo partido, Boulos poderá deixar a legenda rumo ao PT depois das eleições. O ministro é visto como um potencial sucessor político de Lula, mas teria que se filiar ao PT para ter apoio do partido para o futuro. (Com informações do Valor Econômico)
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A direção do PT e o grupo politico de Boulos no Psol defendem ainda que a federação ajudaria o partido a superar a cláusula de barreira, regra que define um percentual mínimo de votos para que uma legenda tenha direito ao fundo eleitoral e a tempo de televisão e rádio na propaganda eleitoral.
A tendência hoje no Psol, no entanto, é rejeitar a federação com o PT e aprovar o apoio a Lula na disputa presidencial, mas em uma coligação. O partido pretende ainda manter a federação com a Rede.
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