O ministro André Mendonça, do Supremo, teve discussões em termos duros com a defesa de Daniel Vorcaro após a entrega da delação premiada do dono do Banco Master
Ministro acredita que informações estão distantes do apurado pela PF. (Foto: Carlos Moura/STF)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça teve discussões ríspidas e em termos duros com a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que tenta fazer delação premiada.
O magistrado está descontente com as informações já apresentadas à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos advogados de Vorcaro.
A coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, apurou que Mendonça, relator do processo que investiga Vorcaro por uma série de crimes, acredita que as informações estão distantes do que já foi apurado pela PF em suas investigações contra o dono do banco Master.
Não há, por exemplo, esclarecimentos sobre a relação de Vorcaro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil -AP).
O ex-banqueiro chegou a se reunir com Alcolumbre na residência oficial do Senado, de acordo com diálogos dele com a ex-namorada Marta Graeff que estavam em um dos celulares apreendidos pela PF.
A Amapá Previdência (Amprev), gestora do regime próprio de previdência do estado, aplicou R$ 400 milhões em títulos de alto risco do banco. A instituição era comandada por Jocildo Silva Lemos, alvo da PF em fevereiro e afilhado político de Alcolumbre.
Caso Mendonça não aceite a delação de Vorcaro, a defesa dele pode recorrer à Segunda Turma do STF para, entre outras coisas, pedir a libertação dele.
Como mostrou a Folha, cada um dos anexos da delação deve tratar de um episódio diferente de irregularidades cometidas pelo ex-banqueiro e por outras pessoas, com detalhes da situação, nomes dos envolvidos e a apresentação por meios de provas.
Também se discutirá os valores que terão que ser pagos por Vorcaro ao Estado, como multa ou ressarcimento.
Investigadores esperam que Vorcaro forneça detalhes do esquema. Pessoas próximas sugeriram que ele não estaria disposto a envolver magistrados do STF. Posteriormente, seus advogados afirmaram que ele não pouparia ninguém, o que destravou a fase inicial da negociação.
Atualmente, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estão no centro de suspeitas devido às menções e conversas identificadas no celular do ex-banqueiro. Ambos negam qualquer irregularidade.
Os advogados do ex-banqueiro têm ido diariamente à Superintendência da PF em Brasília, onde os relatos de Vorcaro são colhidos.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior, no aeroporto de Guarulhos. A PF aponta que ele tentava fugir do País, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Banco Master.
O ex-banqueiro chegou a ficar 13 dias sem tomar banho de sol e passou três dias trancado em uma cela sem ouvir voz humana. Para que a delação de Vorcaro seja aceita, ele terá de apresentar provas inéditas e indicar a possibilidade de recuperação de valores obtidos de forma fraudulenta.
Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março, em fase da operação policial Compliance Zero que também atingiu servidores do Banco Central.
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também preso durante investigações contra as fraudes do Banco Master, trocou sua equipe de defesa e mira conseguir fechar um acordo de delação premiada. (Com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo)
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O magistrado está descontente com as informações já apresentadas à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) pelos advogados de Vorcaro.
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Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março, em fase da operação policial Compliance Zero que também atingiu servidores do Banco Central.
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