O forte crescimento do Banco Master só foi possível porque dentro do Banco Central havia dois servidores cooptados pelo banqueiro para ajudar a burlar a fiscalização
Enquanto deveriam vigiar e fiscalizar o Master, funcionários passaram a ajudá-lo a esconder inconsistências técnicas. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
O forte crescimento do Banco Master, de 2019 a 2025, só foi possível porque dentro do Banco Central (BC) havia dois servidores cooptados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar a instituição financeira a burlar a fiscalização do órgão regulador.
Segundo a Polícia Federal (PF), Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, receberam “mesada” para trabalhar em conjunto como “consultores informais” do banco. Eles não se manifestaram.
Dessa forma, enquanto deveriam vigiar e fiscalizar o Master, passaram a ajudá-lo a esconder inconsistências técnicas, contornar as regras e até atrasar o envio de documentos exigidos pela Polícia Federal durante as investigações. Eles chegaram a participar de um grupo de troca de mensagens para facilitar a comunicação direta com Vorcaro.
Ambos receberam recursos por meio de empresas de fachada usadas por Vorcaro, coordenadas pelo seu cunhado, Fabiano Zettel: a Super Participações, de onde saíam os recursos, passando pela Varajo Consultoria Empresarial, que atuava como uma conta de passagem, até chegar às contas bancárias dos dois servidores.
Foi nesse período em que Paulo Sérgio ocupava a Diretoria de Fiscalização que o Master deixou de ser um banco muito pequeno dentro do sistema financeiro e aumentou em 10 vezes o seu tamanho: saiu de R$ 3,5 bilhões em passivos, em 2019, para R$ 33,9 bilhões em 2023. Os passivos, nesse caso, são um dado mais confiável, uma vez que os ativos eram em geral inflados artificialmente.
Esse crescimento já era baseado na emissão de CDBs com remuneração muito acima da praticada pelo mercado e na compra de ativos de baixa liquidez, como precatórios e ações de empresas com problemas, que depois eram reprecificados no balanço do banco para que permanecesse dentro das regras prudenciais do sistema financeiro.
Quando deixou o cargo de diretor, em julho de 2023, Paulo Sérgio passou a ser chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), subordinado à própria Diretoria de Fiscalização. Nesse momento, comunicou a Vorcaro sobre o novo cargo e recebeu como resposta “Parabéns”, segundo relatório da PF.
Assim, ele descia dois degraus na estrutura do órgão, mas passava, em compensação, a ter uma atuação mais próxima do balanço do Master, um banco ainda de pequeno porte e que não deveria ser objeto de maior atenção pelo primeiro escalão do BC devido ao seu baixo risco sistêmico.
Internamente, ele era quem mais defendia os números do banco, e chegou a ter discussões acaloradas com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, ao longo de 2025. Foi nesse período que o BRB fez uma proposta para comprar o Master, em março daquele ano, o que obrigou o BC a se debruçar sobre os números para avaliar o negócio.
A atuação de Paulo Sérgio, mesmo tendo descido de cargo, contava com a ajuda de Belline Santana, que virou o seu chefe na Desup. Ambos passaram a responder a Ailton de Aquino, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Diretoria de Fiscalização, e que passou a receber informações dos subordinados cooptados pelo Master.
Aquino, quando começou a desconfiar dos dados, determinou a criação de uma outra equipe para se debruçar sobre a venda de carteiras de crédito por parte do Master. Em setembro de 2025, o BC mandou a Auditoria Interna revisar o trabalho feito pelo departamento dos dois. Em janeiro, eles foram afastados do cargo, e informações sobre a atuação de ambos foram repassadas à Polícia Federal. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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O forte crescimento do Banco Master, de 2019 a 2025, só foi possível porque dentro do Banco Central (BC) havia dois servidores cooptados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar a instituição financeira a burlar a fiscalização do órgão regulador.
Segundo a Polícia Federal (PF), Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, receberam “mesada” para trabalhar em conjunto como “consultores informais” do banco. Eles não se manifestaram.
Dessa forma, enquanto deveriam vigiar e fiscalizar o Master, passaram a ajudá-lo a esconder inconsistências técnicas, contornar as regras e até atrasar o envio de documentos exigidos pela Polícia Federal durante as investigações. Eles chegaram a participar de um grupo de troca de mensagens para facilitar a comunicação direta com Vorcaro.
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Quando deixou o cargo de diretor, em julho de 2023, Paulo Sérgio passou a ser chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), subordinado à própria Diretoria de Fiscalização. Nesse momento, comunicou a Vorcaro sobre o novo cargo e recebeu como resposta “Parabéns”, segundo relatório da PF.
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Internamente, ele era quem mais defendia os números do banco, e chegou a ter discussões acaloradas com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, ao longo de 2025. Foi nesse período que o BRB fez uma proposta para comprar o Master, em março daquele ano, o que obrigou o BC a se debruçar sobre os números para avaliar o negócio.
A atuação de Paulo Sérgio, mesmo tendo descido de cargo, contava com a ajuda de Belline Santana, que virou o seu chefe na Desup. Ambos passaram a responder a Ailton de Aquino, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Diretoria de Fiscalização, e que passou a receber informações dos subordinados cooptados pelo Master.
Aquino, quando começou a desconfiar dos dados, determinou a criação de uma outra equipe para se debruçar sobre a venda de carteiras de crédito por parte do Master. Em setembro de 2025, o BC mandou a Auditoria Interna revisar o trabalho feito pelo departamento dos dois. Em janeiro, eles foram afastados do cargo, e informações sobre a atuação de ambos foram repassadas à Polícia Federal. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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