Sobre o câmbio, inclusive, há uma percepção geral de que o ambiente de dólar fraco tende a continuar em vigor.(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
Depois da porta aberta para o início de um ciclo de redução da taxa de juros, já começam no mercado as discussões sobre a extensão dos cortes e sobre a postura do Banco Central na condução da política monetária.
Em um jantar nesta semana que reuniu importantes gestores, traders e ex-diretores do BC, o assunto principal foi a condução à frente da política monetária — e os possíveis reflexos nos preços dos ativos financeiros. De forma consensual, houve a sensação de que o cenário daqui em diante é claramente mais “dovish” (favorável a juros baixos), de acordo com relatos.
Há uma percepção de que o BC está confiante para começar o ciclo e que, ao abrir a porta para o início dos cortes, “parece acreditar ter potencial para ser prolongado”. “O BC já escolheu seu lado, adotando uma narrativa de ‘desinflação oportunística’ ancorada no choque externo favorável”, em um movimento que não agradou tanto a ala mais “hawkish” do mercado.
“Um ciclo de 2,5 a 3 pontos de cortes é visto como piso”, de acordo com um dos presentes em relação às discussões. Houve o debate, ainda, sobre uma aceleração no ritmo de cortes de 0,5 ponto para 0,75 ponto mais adiante.
O que poderia atrapalhar esse movimento seria, justamente, a indicação de Guilherme Mello para uma das vagas na diretoria do BC. “Houve ampla discussão em torno de Guilherme Mello, mas a visão consensual é de que isso não altera de forma material o ciclo de afrouxamento. No entanto, poderia reduzir os graus de liberdade do BC para avançar para cortes de 0,75 p.p., já que o câmbio tenderia a ficar mais sensível.”
Sobre o câmbio, inclusive, há uma percepção geral de que o ambiente de dólar fraco tende a continuar em vigor. Um ponto de atenção destacado foi o das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos (“midterms”), já que, se Donald Trump se tornar um “lame duck”, é possível que a tese de “debasement” do dólar perca força.
Já em relação aos mercados de juros domésticos, as discussões apontaram para alguns lados consensuais: a aposta na queda dos juros curtos e intermediários foi reforçada pelos agentes no jantar. Afinal, com os cortes na Selic, esse trecho da curva, de fato, teria espaço para “andar”. Qualquer alta abrupta das taxas é vista como uma oportunidade para aumentar exposição.
Além disso, há quem veja assimetrias na dinâmica de mercado a partir de agora: dados fortes não devem interromper o movimento, enquanto o mercado pode dar um peso maior aos dados fracos.
Nas discussões sobre posições em inclinação da curva de juros, alguns apontaram para um viés de aumento da inclinação da curva (“steepening”), diante das fortes emissões do Tesouro Nacional e da retomada das emissões no setor privado.
Isso casa, também, com a visão dos profissionais do mercado para as NTN-Bs: não há grande entusiasmo e não existe confiança de que os títulos indexados à inflação estão perto de um ponto de inflexão. E também não houve um consenso claro em torno da inflação implícita. Com informações do portal Valor Econômico.
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No mercado, a discussão já é sobre o ritmo e a extensão dos cortes na taxa básica de juros, a Selic
Sobre o câmbio, inclusive, há uma percepção geral de que o ambiente de dólar fraco tende a continuar em vigor.(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
Depois da porta aberta para o início de um ciclo de redução da taxa de juros, já começam no mercado as discussões sobre a extensão dos cortes e sobre a postura do Banco Central na condução da política monetária.
Em um jantar nesta semana que reuniu importantes gestores, traders e ex-diretores do BC, o assunto principal foi a condução à frente da política monetária — e os possíveis reflexos nos preços dos ativos financeiros. De forma consensual, houve a sensação de que o cenário daqui em diante é claramente mais “dovish” (favorável a juros baixos), de acordo com relatos.
Há uma percepção de que o BC está confiante para começar o ciclo e que, ao abrir a porta para o início dos cortes, “parece acreditar ter potencial para ser prolongado”. “O BC já escolheu seu lado, adotando uma narrativa de ‘desinflação oportunística’ ancorada no choque externo favorável”, em um movimento que não agradou tanto a ala mais “hawkish” do mercado.
“Um ciclo de 2,5 a 3 pontos de cortes é visto como piso”, de acordo com um dos presentes em relação às discussões. Houve o debate, ainda, sobre uma aceleração no ritmo de cortes de 0,5 ponto para 0,75 ponto mais adiante.
O que poderia atrapalhar esse movimento seria, justamente, a indicação de Guilherme Mello para uma das vagas na diretoria do BC. “Houve ampla discussão em torno de Guilherme Mello, mas a visão consensual é de que isso não altera de forma material o ciclo de afrouxamento. No entanto, poderia reduzir os graus de liberdade do BC para avançar para cortes de 0,75 p.p., já que o câmbio tenderia a ficar mais sensível.”
Sobre o câmbio, inclusive, há uma percepção geral de que o ambiente de dólar fraco tende a continuar em vigor. Um ponto de atenção destacado foi o das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos (“midterms”), já que, se Donald Trump se tornar um “lame duck”, é possível que a tese de “debasement” do dólar perca força.
Já em relação aos mercados de juros domésticos, as discussões apontaram para alguns lados consensuais: a aposta na queda dos juros curtos e intermediários foi reforçada pelos agentes no jantar. Afinal, com os cortes na Selic, esse trecho da curva, de fato, teria espaço para “andar”. Qualquer alta abrupta das taxas é vista como uma oportunidade para aumentar exposição.
Além disso, há quem veja assimetrias na dinâmica de mercado a partir de agora: dados fortes não devem interromper o movimento, enquanto o mercado pode dar um peso maior aos dados fracos.
Nas discussões sobre posições em inclinação da curva de juros, alguns apontaram para um viés de aumento da inclinação da curva (“steepening”), diante das fortes emissões do Tesouro Nacional e da retomada das emissões no setor privado.
Isso casa, também, com a visão dos profissionais do mercado para as NTN-Bs: não há grande entusiasmo e não existe confiança de que os títulos indexados à inflação estão perto de um ponto de inflexão. E também não houve um consenso claro em torno da inflação implícita. Com informações do portal Valor Econômico.
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