Presidente realizou nessa quarta (3) a segunda reunião ministerial do ano. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nessa quarta-feira (3), que o governo brasileiro “não pode aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao País nesta semana”. Na abertura da reunião ministerial, Lula criticou a proposta do Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de tarifa de 25% sobre produtos nacionais.
Lula afirmou que vai mandar outra carta para o presidente dos EUA, Donald Trump, e escrever novos artigos na imprensa americana para defender o posicionamento do Brasil. “Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump, vou escrever quantos artigos forem necessários escrever na imprensa americana e na imprensa mundial, para mostrar que eles estão errados, equivocados, e que estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária”, afirmou.
No discurso, o presidente reafirmou que os EUA justificam a medida alegando um déficit comercial com o Brasil, mas argumentou que, nos últimos 15 anos, os americanos acumularam um superávit na balança comercial com o País.
“Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Eu fiquei sabendo da taxação pelo Twitter. Uma taxação consubstanciada com base em inverdades”, disse.
O presidente também criticou o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Segundo Lula, Rubio “não gosta da América Latina nem do Brasil”. “É um latino americano frustrado”, disse aos ministros.
Na reunião ministerial, porém, não citou o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário dele nas eleições de outubro.
“Confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem e antes de ontem com a decisão deles (EUA). E mais ainda, o que é triste, é que tem brasileiros que não vou citar nomes aqui, fomentando essa briga na perspectiva de que se ele taxar a gente ele vai prejudicar uma candidatura a presidente da República, e um imbecil desse não percebe que quem é prejudicado é o povo, não é o Lula”, afirmou.
“Vocês, ministros, não podem deixar de dizer isso em alto e bom som: ‘estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, rasteiros, de uma disputa eleitoral’. Não há disputa eleitoral, em qualquer país do mundo, que possa dar valor a alguém que trai a pátria”, disse, em referência aos integrantes da família Bolsonaro, mas sem mencioná-los nominalmente.
Lula também afirmou que, caso os Estados Unidos criem novas barreiras contra o Brasil, a orientação é achar novos parceiros comerciais. “Não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros. Se eles não querem comprar, nós vamos vender para quem quiser comprar, a gente não vai ficar reclamando”, disse o presidente.
Ele também citou minerais críticos brasileiros, que são de interesse dos Estados Unidos, afirmando que é preciso se comunicar ao governo brasileiro antes de iniciar explorações.
Período eleitoral
Lula também disse aos ministros que nenhuma iniciativa do governo deve ser apresentada mais neste ano. A orientação dada pelo presidente é entregar todas as ações já idealizadas até o dia 3 de julho, data limite da legislação eleitoral para a inauguração de obras por parte do Executivo.
“Ninguém me apresente absolutamente nada novo, agora é entregar o que já foi pensado. Tem muita coisa que vocês já pensaram, muita coisa que eu até pensei que já estava funcionando e algumas ainda não estão funcionando por problemas burocráticos”, disse o presidente.
Ao falar sobre as eleições presidenciais de outubro, Lula disse aos ministros que o momento é decisivo para o “fortalecimento da democracia” no Brasil.
“Nós estamos em um momento decisivo para que a sociedade brasileira e, até uma parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso País. A nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, a nossa luta para que este País não seja tratado, em nenhum momento, como uma republiqueta insignificante”, afirmou.
O presidente também reclamou de ministros que inauguram ações sem contato anterior com a Casa Civil. “Nós precisamos estar informados do que está acontecendo neste País”, disse Lula. As ações judiciais de ministros em tribunais superiores, sem consulta à Advocacia-Geral da União e à Casa Civil, também foram alvo de críticas de Lula. “É importante que a gente não saiba nada pelos jornais, que a gente saiba as coisas pelo compromisso de ser um governo unitário, democrático e progressista”, afirmou.
Lula convocou reunião ministerial nesta quarta para definir como será a estratégia de propaganda do governo federal nos últimos meses de mandato. A ideia do presidente é alinhar a divulgação dos principais programas com potencial eleitoral para a campanha à reeleição, como o Desenrola 2.0 e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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“Não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana”, diz Lula
Presidente realizou nessa quarta (3) a segunda reunião ministerial do ano. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nessa quarta-feira (3), que o governo brasileiro “não pode aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao País nesta semana”. Na abertura da reunião ministerial, Lula criticou a proposta do Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de tarifa de 25% sobre produtos nacionais.
Lula afirmou que vai mandar outra carta para o presidente dos EUA, Donald Trump, e escrever novos artigos na imprensa americana para defender o posicionamento do Brasil. “Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump, vou escrever quantos artigos forem necessários escrever na imprensa americana e na imprensa mundial, para mostrar que eles estão errados, equivocados, e que estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária”, afirmou.
No discurso, o presidente reafirmou que os EUA justificam a medida alegando um déficit comercial com o Brasil, mas argumentou que, nos últimos 15 anos, os americanos acumularam um superávit na balança comercial com o País.
“Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Eu fiquei sabendo da taxação pelo Twitter. Uma taxação consubstanciada com base em inverdades”, disse.
O presidente também criticou o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Segundo Lula, Rubio “não gosta da América Latina nem do Brasil”. “É um latino americano frustrado”, disse aos ministros.
Na reunião ministerial, porém, não citou o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário dele nas eleições de outubro.
“Confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem e antes de ontem com a decisão deles (EUA). E mais ainda, o que é triste, é que tem brasileiros que não vou citar nomes aqui, fomentando essa briga na perspectiva de que se ele taxar a gente ele vai prejudicar uma candidatura a presidente da República, e um imbecil desse não percebe que quem é prejudicado é o povo, não é o Lula”, afirmou.
“Vocês, ministros, não podem deixar de dizer isso em alto e bom som: ‘estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, rasteiros, de uma disputa eleitoral’. Não há disputa eleitoral, em qualquer país do mundo, que possa dar valor a alguém que trai a pátria”, disse, em referência aos integrantes da família Bolsonaro, mas sem mencioná-los nominalmente.
Lula também afirmou que, caso os Estados Unidos criem novas barreiras contra o Brasil, a orientação é achar novos parceiros comerciais. “Não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros. Se eles não querem comprar, nós vamos vender para quem quiser comprar, a gente não vai ficar reclamando”, disse o presidente.
Ele também citou minerais críticos brasileiros, que são de interesse dos Estados Unidos, afirmando que é preciso se comunicar ao governo brasileiro antes de iniciar explorações.
Período eleitoral
Lula também disse aos ministros que nenhuma iniciativa do governo deve ser apresentada mais neste ano. A orientação dada pelo presidente é entregar todas as ações já idealizadas até o dia 3 de julho, data limite da legislação eleitoral para a inauguração de obras por parte do Executivo.
“Ninguém me apresente absolutamente nada novo, agora é entregar o que já foi pensado. Tem muita coisa que vocês já pensaram, muita coisa que eu até pensei que já estava funcionando e algumas ainda não estão funcionando por problemas burocráticos”, disse o presidente.
Ao falar sobre as eleições presidenciais de outubro, Lula disse aos ministros que o momento é decisivo para o “fortalecimento da democracia” no Brasil.
“Nós estamos em um momento decisivo para que a sociedade brasileira e, até uma parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso País. A nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, a nossa luta para que este País não seja tratado, em nenhum momento, como uma republiqueta insignificante”, afirmou.
O presidente também reclamou de ministros que inauguram ações sem contato anterior com a Casa Civil. “Nós precisamos estar informados do que está acontecendo neste País”, disse Lula. As ações judiciais de ministros em tribunais superiores, sem consulta à Advocacia-Geral da União e à Casa Civil, também foram alvo de críticas de Lula. “É importante que a gente não saiba nada pelos jornais, que a gente saiba as coisas pelo compromisso de ser um governo unitário, democrático e progressista”, afirmou.
Lula convocou reunião ministerial nesta quarta para definir como será a estratégia de propaganda do governo federal nos últimos meses de mandato. A ideia do presidente é alinhar a divulgação dos principais programas com potencial eleitoral para a campanha à reeleição, como o Desenrola 2.0 e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
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