O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou o corte da Selic. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Lula (PT) afirmou nessa quarta-feira (1º) que senador, com mandato de oito anos, “pensa que é Deus” e pode criar problemas para o Palácio de Planalto caso o governo não tenha uma base na Casa.
O mandatário reforçou em entrevista no Ceará, onde cumpre agendas nesta quarta, que o problema dos partidos aliados neste ano é eleger senadores e construir maiores no Congresso.
“As eleições para o Senado são muito importantes. O senador com mandato de oito anos pensa que é Deus. E ele pode criar muito problema se você não tiver uma base de sustentação dentro do Senado”, disse Lula em entrevista à TV Cidade do Ceará.
O mandatário mantém impasse com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sobre a indicação de ministro ao STF (Supremo Tribunal Federal) para a vaga deixada pela aposentadoria de Luis Roberto Barroso.
Na terça (31), o presidente encaminhou ao Senado a comunicação que formaliza a indicação de Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União. O anúncio do nome foi feito há mais de quatro meses, no dia 20 de novembro, mas não havia sido formalizado. A preferência de Alcolumbre era pela escolha do senador Rodrigo Pacheco (MG) para o posto.
Lula também comentou na entrevista sobre a escolha do ministro Camilo Santana (Educação) de deixar o governo para uma eventual disputa das eleições deste ano.
Há possibilidade de que o chefe da pasta se dedique a apoiar a campanha de Lula ou se lance candidato ao Governo do Ceará, seu estado, no qual já ocupou a posição duas vezes. “Não queria que ele [Camilo] tivesse saído. Mas ele tem uma pulga atrás da orelha que ele queria sair”, disse ele.
O presidente, porém, afirmou acreditar que o atual governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), seja candidato à reeleição, a não ser que “apareça uma figura como (Donald) Trump aqui fazendo um desastre”.
O petista ainda comentou sua relação com Ciro Gomes (PSDB), que também deve concorrer ao Governo do Ceará e apareceu na última pesquisa Datafolha à frente de Elmano nas intenções de voto.
Lula afirmou ter respeito por Ciro, que foi ministro em seu primeiro mandato na Presidência, mas caracterizou o ex-aliado como “destemperado”. “Não houve rompimento, Ciro sonhava em ser candidato, e ele acha que fui eu que não quis que ele fosse presidente, e quem não quis foi o povo.”
Depois da entrevista, já no final da manhã, Lula fez um ato em Fortaleza ao lado de Camilo e Elmano para marcar os dois anos de implementação do programa Pé-de-Meia e também inaugurar parte das obras do novo campus do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).
Camilo foi ovacionado ao ser apresentado no palco e fez um discurso em tom emocionado, exaltando o governo Lula, e apresentando números da gestão. Já os aplausos a Elmano se misturaram com algumas vaias de uma parte da plateia e ele reagiu a elas, dizendo que se tratava de protesto de bolsonaristas.
“Deixa para lá. É uma provocação dos bolsonaristas que não fizeram nada no Ceará. Tchau, tchau e tchau. Já vai tarde Bolsonaro. Nós vamos falar é de amor, de ITA, de escola pública, do SUS. Deixa a provocação para lá”, discursou Elmano.
O campus avançado do ITA no Ceará, anunciado em 2023, será a segunda unidade do instituto e a primeira fora da cidade de São José dos Campos (SP). O local abrigará dois novos cursos, de engenharia de energia e engenharia de sistemas.
Em seu discurso, Lula agradeceu Camilo, que deixa a pasta nesta quinta-feira (2), e apresentou o novo ministro da pasta, Leonardo Barchini. “Se eu tivesse que pagar a você, Camilo, pelo serviço prestado ao país na educação, eu não teria dinheiro para pagar. Eu só posso dizer um muito obrigado”, disse o presidente.
Na base eleitoral do aliado, Lula também falou que os investimentos no programa Pé-de-Meia chegaram a R$ 18 bilhões até aqui e que, por isso, os banqueiros da Faria Lima devem ter ficado irritados.
“Por que esse Lula fica colocando R$ 18 bilhões para filho de pobre ir à escola se podia estar no banco rendendo para a gente ficar mais rico? Governar um país e fazer uma ponte é fácil. Governar para 30% do país é fácil. O desafio é escolher entre a ponte e um prato de comida, entre a ponte e uma escola, entre a ponte e uma creche. O país precisa dos dois. Mas você precisa definir que o ser humano é prioritário”, disse o mandatário.
O programa Pé-de-Meia é uma ajuda financeira para estudantes do ensino médio público que estão no CadÚnico (Cadastro Único). O objetivo é reduzir a evasão e incentivar a conclusão do ensino médio. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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Lula diz que “senador com mandato de oito anos pensa que é Deus”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou o corte da Selic. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Lula (PT) afirmou nessa quarta-feira (1º) que senador, com mandato de oito anos, “pensa que é Deus” e pode criar problemas para o Palácio de Planalto caso o governo não tenha uma base na Casa.
O mandatário reforçou em entrevista no Ceará, onde cumpre agendas nesta quarta, que o problema dos partidos aliados neste ano é eleger senadores e construir maiores no Congresso.
“As eleições para o Senado são muito importantes. O senador com mandato de oito anos pensa que é Deus. E ele pode criar muito problema se você não tiver uma base de sustentação dentro do Senado”, disse Lula em entrevista à TV Cidade do Ceará.
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Na terça (31), o presidente encaminhou ao Senado a comunicação que formaliza a indicação de Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União. O anúncio do nome foi feito há mais de quatro meses, no dia 20 de novembro, mas não havia sido formalizado. A preferência de Alcolumbre era pela escolha do senador Rodrigo Pacheco (MG) para o posto.
Lula também comentou na entrevista sobre a escolha do ministro Camilo Santana (Educação) de deixar o governo para uma eventual disputa das eleições deste ano.
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Em seu discurso, Lula agradeceu Camilo, que deixa a pasta nesta quinta-feira (2), e apresentou o novo ministro da pasta, Leonardo Barchini. “Se eu tivesse que pagar a você, Camilo, pelo serviço prestado ao país na educação, eu não teria dinheiro para pagar. Eu só posso dizer um muito obrigado”, disse o presidente.
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“Por que esse Lula fica colocando R$ 18 bilhões para filho de pobre ir à escola se podia estar no banco rendendo para a gente ficar mais rico? Governar um país e fazer uma ponte é fácil. Governar para 30% do país é fácil. O desafio é escolher entre a ponte e um prato de comida, entre a ponte e uma escola, entre a ponte e uma creche. O país precisa dos dois. Mas você precisa definir que o ser humano é prioritário”, disse o mandatário.
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