No seu lugar, assume Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira que ingressou no Instituto em 2003 como Analista do Seguro Social. (Foto: Divulgação)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu o presidente do INSS, Gilberto Waller, que estava no cargo há 11 meses. Ele assumiu o posto como resposta às investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões, mas se desgastou por conta do tamanho da fila de requerimentos no instituto, que chegou a 2,7 milhões em março. O Palácio do Planalto teme o impacto disso nas eleições deste ano.
A demissão foi anunciada pelo ministro da Previdência, Wolney Queiroz, que estava em rota de colisão com Waller desde o ano passado. Um dos principais focos de tensão era o tamanho da fila de requerimentos do órgão.
No seu lugar, assume Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira que ingressou no Instituto em 2003 como Analista do Seguro Social. Ela ocupava o cargo de secretária executiva adjunta do Ministério da Previdência Social. Seu currículo inclui, ainda, a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos.
Fila elevada
O governo teme os impactos da fila do INSS sobre a campanha do presidente Lula, que tentará a reeleição. Em dezembro de 2022, o estoque de requerimentos pendentes era de cerca de 1,087 milhão, segundo o Boletim Estatístico da Previdência (BEPS). Entre o fim de 2022 e o final de 2025, avançando para o início de 2026, a fila quase triplicou, alcançando patamares próximos de 3 milhões de pedidos em espera.
Dados mais recentes mostram que o INSS ainda lida com uma fila elevada. Em março, o estoque de pedidos aguardando análise caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões. Apesar da melhora pontual, o volume segue alto e pressionado pela entrada constante de novos requerimentos, cerca de 61 mil por dia, segundo o próprio instituto. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a queda não tem sido suficiente para mudar a percepção negativa da população.
Desde novembro do ano passado, o Planalto já estava de olho no aumento da fila e o que considera descontrole do orçamento do INSS. Naquela ocasião, o governo sentia certo alívio por ter conseguido devolver para a maioria dos beneficiários os descontos indevidos para associações e entidades sindicais. O argumento da Previdência é que o perfil de Gilberto era incompatível com o cargo pelo fato de não ser gestor.
Gilberto foi avisado da demissão nessa segunda-feira (13) pelo secretário executivo da Previdência, Felipe Cavalcante e Silva. Logo depois, o INSS divulgou nota dizendo que 1,625 milhão de processos foram concluídos em março, um recorde.
Para tentar destravar a concessão de benefícios e acelerar a redução da fila, o governo também adotou mudanças operacionais recentes. Uma delas foi a ampliação do prazo do Atestmed, sistema que permite a concessão de auxílio por incapacidade temporária por análise documental, de 60 para até 90 dias. Além disso, a Previdência passou a ampliar o uso da análise documental em outros tipos de benefício, como no auxílio por acidente de trabalho quando há sequelas já comprovadas.
Apesar das iniciativas, integrantes do Ministério a Previdência avaliam que o ritmo de melhora ainda está aquém do esperado, o que contribuiu para a decisão de mudança no comando do instituto. A expectativa agora é “destravar” a máquina e acelerar de forma mais consistente a queda da fila, com a nomeação de um perfil técnico para liderar o INSS.
Desgaste
A crise entre Queiroz de Waller ganhou força no fim do ano passado e ia além da fila. Em ofício ao ministro, Waller pediu a demissão da vice-presidente do INSS e diretora de Tecnologia da Informação, Léa Bressy Amorim, servidora de carreira.
Ele alegou que o cargo é estratégico e que a servidora “tem notória proximidade” de Alessandro Stefanutto, ex-presidente demitido do cargo e preso no desdobramento da Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF), que apura fraudes contra aposentados por associações e entidades sindicais.
O ministro respondeu com outro ofício ao presidente do INSS, dizendo que as “alegações são genéricas, sem qualquer indicação de irregularidade e não constituem motivos para a exoneração da servidora”. No documento, Queiroz disse que foi o próprio Waller quem indicou Léa para ser a número 2 do INSS.
As desavenças remontam a meados do ano, quando a cúpula do INSS caiu após a operação da PF. Waller foi nomeado para presidir o instituto e, dias depois, Wolney Queiroz tornou-se ministro da Previdência no lugar de Carlos Lupi, que pediu demissão. (Com informações do jornal O Globo)
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Lula demite mais um presidente do INSS, instituto que atravessa crise por causa de filas e empréstimos consignados suspeitos
No seu lugar, assume Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira que ingressou no Instituto em 2003 como Analista do Seguro Social. (Foto: Divulgação)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu o presidente do INSS, Gilberto Waller, que estava no cargo há 11 meses. Ele assumiu o posto como resposta às investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões, mas se desgastou por conta do tamanho da fila de requerimentos no instituto, que chegou a 2,7 milhões em março. O Palácio do Planalto teme o impacto disso nas eleições deste ano.
A demissão foi anunciada pelo ministro da Previdência, Wolney Queiroz, que estava em rota de colisão com Waller desde o ano passado. Um dos principais focos de tensão era o tamanho da fila de requerimentos do órgão.
No seu lugar, assume Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira que ingressou no Instituto em 2003 como Analista do Seguro Social. Ela ocupava o cargo de secretária executiva adjunta do Ministério da Previdência Social. Seu currículo inclui, ainda, a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos.
Fila elevada
O governo teme os impactos da fila do INSS sobre a campanha do presidente Lula, que tentará a reeleição. Em dezembro de 2022, o estoque de requerimentos pendentes era de cerca de 1,087 milhão, segundo o Boletim Estatístico da Previdência (BEPS). Entre o fim de 2022 e o final de 2025, avançando para o início de 2026, a fila quase triplicou, alcançando patamares próximos de 3 milhões de pedidos em espera.
Dados mais recentes mostram que o INSS ainda lida com uma fila elevada. Em março, o estoque de pedidos aguardando análise caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões. Apesar da melhora pontual, o volume segue alto e pressionado pela entrada constante de novos requerimentos, cerca de 61 mil por dia, segundo o próprio instituto. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a queda não tem sido suficiente para mudar a percepção negativa da população.
Desde novembro do ano passado, o Planalto já estava de olho no aumento da fila e o que considera descontrole do orçamento do INSS. Naquela ocasião, o governo sentia certo alívio por ter conseguido devolver para a maioria dos beneficiários os descontos indevidos para associações e entidades sindicais. O argumento da Previdência é que o perfil de Gilberto era incompatível com o cargo pelo fato de não ser gestor.
Gilberto foi avisado da demissão nessa segunda-feira (13) pelo secretário executivo da Previdência, Felipe Cavalcante e Silva. Logo depois, o INSS divulgou nota dizendo que 1,625 milhão de processos foram concluídos em março, um recorde.
Para tentar destravar a concessão de benefícios e acelerar a redução da fila, o governo também adotou mudanças operacionais recentes. Uma delas foi a ampliação do prazo do Atestmed, sistema que permite a concessão de auxílio por incapacidade temporária por análise documental, de 60 para até 90 dias. Além disso, a Previdência passou a ampliar o uso da análise documental em outros tipos de benefício, como no auxílio por acidente de trabalho quando há sequelas já comprovadas.
Apesar das iniciativas, integrantes do Ministério a Previdência avaliam que o ritmo de melhora ainda está aquém do esperado, o que contribuiu para a decisão de mudança no comando do instituto. A expectativa agora é “destravar” a máquina e acelerar de forma mais consistente a queda da fila, com a nomeação de um perfil técnico para liderar o INSS.
Desgaste
A crise entre Queiroz de Waller ganhou força no fim do ano passado e ia além da fila. Em ofício ao ministro, Waller pediu a demissão da vice-presidente do INSS e diretora de Tecnologia da Informação, Léa Bressy Amorim, servidora de carreira.
Ele alegou que o cargo é estratégico e que a servidora “tem notória proximidade” de Alessandro Stefanutto, ex-presidente demitido do cargo e preso no desdobramento da Operação Sem Desconto da Polícia Federal (PF), que apura fraudes contra aposentados por associações e entidades sindicais.
O ministro respondeu com outro ofício ao presidente do INSS, dizendo que as “alegações são genéricas, sem qualquer indicação de irregularidade e não constituem motivos para a exoneração da servidora”. No documento, Queiroz disse que foi o próprio Waller quem indicou Léa para ser a número 2 do INSS.
As desavenças remontam a meados do ano, quando a cúpula do INSS caiu após a operação da PF. Waller foi nomeado para presidir o instituto e, dias depois, Wolney Queiroz tornou-se ministro da Previdência no lugar de Carlos Lupi, que pediu demissão. (Com informações do jornal O Globo)
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