Embora considerem esse ponto natural e um debate inevitável no ano eleitoral, esses interlocutores defendem que é necessário buscar olhar para a frente, seja por meio de propostas a serem encampadas pela gestão que dialoguem com as necessidades atuais, a exemplo do fim da escala 6×1, seja mirando segmentos específicos da sociedade, como a juventude e mulheres que vivem nos grandes centros.
Governistas reconhecem que pesquisas recentes mostrando uma manutenção da rejeição à gestão petista a seis meses das eleições acendem um sinal de alerta. Levantamento Genial/Quaest divulgado neste mês reforçou a dificuldade para melhorar a popularidade: 51% dos entrevistados desaprovam o governo Lula, enquanto 44% aprovam. O petista também é alvo de alta rejeição, com 56% dos entrevistados afirmando que não votariam nele – em fevereiro, o índice era de 54%.
Aliados antecipam uma eleição acirrada, decidida no detalhe, uma vez que, sob essa ótica, existiria somente uma pequena parcela do eleitorado realmente em disputa. A aposta é na manutenção do cenário de polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fator idade
O entorno de Flávio, por sua vez, busca explorar esse desgaste de imagem para atacar o presidente, numa tentativa de vender o parlamentar como a renovação, em contraposição ao petista. O “fator idade” também deve ser utilizado – Lula terá 81 anos caso eleito, e Flávio, 45.
Durante agenda em fevereiro, por exemplo, o senador comparou o petista a um “Opala velho” e disse que o adversário é “um produto vencido” que “já foi bonito e hoje não leva para lugar nenhum”. A resposta do presidente veio na última quinta-feira, no Rio:
“Quando ele fala isso, não me ofendo. Já tive um Opala turbinado. Ele fala porque o Opala dele é o pai, que está no desmanche.”
Para contrapor ataques etários a Lula, a proposta do grupo do presidente é demonstrar vitalidade e disposição. Desde o ano passado, aumentou a frequência de ocasiões em que o presidente aparece correndo em eventos ou se exercitando. Na última semana, por exemplo, ao menos três vídeos de Lula nesse sentido foram divulgados nas redes sociais. Na última quarta-feira (25), ele compartilhou conteúdo no qual aparece correndo para cumprimentar apoiadores.
“Por que as pessoas não andam meia hora todo dia? Por que não caminham? Por que não fazem ginástica? As pessoas têm que aprender a tirar a bunda da cadeira e andar um pouco”, disse o presidente em evento no qual o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), seu aliado, formalizou a aplicação de canetas emagrecedoras na rede municipal.
Tática revista
Nos bastidores, integrantes do governo reconhecem que foram surpreendidos pela rapidez com que a candidatura de Flávio se consolidou e dizem que esse cenário reforça a necessidade de o PT e o Executivo anteciparem a estratégia de confronto com o filho de Bolsonaro, algo que até então estava em segundo plano. No entendimento de lulistas, seria fácil desmanchar a retórica de que Flávio representaria uma renovação política.
Um interlocutor frequente do chefe do Executivo diz que a campanha deverá explorar que o parlamentar simboliza, na verdade, a velha política, apontando supostos elos do senador com a milícia no Rio de Janeiro e resgatando a investigação sobre rachadinha em seu gabinete quando deputado estadual, que acabou arquivada pela Justiça. Outra tentativa será a de desconstruir a narrativa de que o senador é um candidato moderado, relembrando posicionamentos anteriores do rival.
Outro aliado de longa data do presidente reconhece que o cenário atual é delicado, mas afirma que a campanha precisa trazer para o centro do debate temas que afetam o dia a dia da população. Para opor o discurso de que Lula estaria ultrapassado, diz, o melhor caminho é colocá-lo como um político experiente e apto a governar. (Com informações do jornal O Globo)
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Lula busca mostrar ao eleitorado que elevada idade não é problema
Embora considerem esse ponto natural e um debate inevitável no ano eleitoral, esses interlocutores defendem que é necessário buscar olhar para a frente, seja por meio de propostas a serem encampadas pela gestão que dialoguem com as necessidades atuais, a exemplo do fim da escala 6×1, seja mirando segmentos específicos da sociedade, como a juventude e mulheres que vivem nos grandes centros.
Governistas reconhecem que pesquisas recentes mostrando uma manutenção da rejeição à gestão petista a seis meses das eleições acendem um sinal de alerta. Levantamento Genial/Quaest divulgado neste mês reforçou a dificuldade para melhorar a popularidade: 51% dos entrevistados desaprovam o governo Lula, enquanto 44% aprovam. O petista também é alvo de alta rejeição, com 56% dos entrevistados afirmando que não votariam nele – em fevereiro, o índice era de 54%.
Aliados antecipam uma eleição acirrada, decidida no detalhe, uma vez que, sob essa ótica, existiria somente uma pequena parcela do eleitorado realmente em disputa. A aposta é na manutenção do cenário de polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fator idade
O entorno de Flávio, por sua vez, busca explorar esse desgaste de imagem para atacar o presidente, numa tentativa de vender o parlamentar como a renovação, em contraposição ao petista. O “fator idade” também deve ser utilizado – Lula terá 81 anos caso eleito, e Flávio, 45.
Durante agenda em fevereiro, por exemplo, o senador comparou o petista a um “Opala velho” e disse que o adversário é “um produto vencido” que “já foi bonito e hoje não leva para lugar nenhum”. A resposta do presidente veio na última quinta-feira, no Rio:
“Quando ele fala isso, não me ofendo. Já tive um Opala turbinado. Ele fala porque o Opala dele é o pai, que está no desmanche.”
Para contrapor ataques etários a Lula, a proposta do grupo do presidente é demonstrar vitalidade e disposição. Desde o ano passado, aumentou a frequência de ocasiões em que o presidente aparece correndo em eventos ou se exercitando. Na última semana, por exemplo, ao menos três vídeos de Lula nesse sentido foram divulgados nas redes sociais. Na última quarta-feira (25), ele compartilhou conteúdo no qual aparece correndo para cumprimentar apoiadores.
“Por que as pessoas não andam meia hora todo dia? Por que não caminham? Por que não fazem ginástica? As pessoas têm que aprender a tirar a bunda da cadeira e andar um pouco”, disse o presidente em evento no qual o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), seu aliado, formalizou a aplicação de canetas emagrecedoras na rede municipal.
Tática revista
Nos bastidores, integrantes do governo reconhecem que foram surpreendidos pela rapidez com que a candidatura de Flávio se consolidou e dizem que esse cenário reforça a necessidade de o PT e o Executivo anteciparem a estratégia de confronto com o filho de Bolsonaro, algo que até então estava em segundo plano. No entendimento de lulistas, seria fácil desmanchar a retórica de que Flávio representaria uma renovação política.
Um interlocutor frequente do chefe do Executivo diz que a campanha deverá explorar que o parlamentar simboliza, na verdade, a velha política, apontando supostos elos do senador com a milícia no Rio de Janeiro e resgatando a investigação sobre rachadinha em seu gabinete quando deputado estadual, que acabou arquivada pela Justiça. Outra tentativa será a de desconstruir a narrativa de que o senador é um candidato moderado, relembrando posicionamentos anteriores do rival.
Outro aliado de longa data do presidente reconhece que o cenário atual é delicado, mas afirma que a campanha precisa trazer para o centro do debate temas que afetam o dia a dia da população. Para opor o discurso de que Lula estaria ultrapassado, diz, o melhor caminho é colocá-lo como um político experiente e apto a governar. (Com informações do jornal O Globo)
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