Apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro adotam estratégia de explorar suspeitas sobre figuras ligadas aos adversários políticos. (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado e Fabio Pozzebom/ABr)
A sete meses das eleições, investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no INSS têm mobilizado as pré-campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), os dois principais nomes na corrida pelo Palácio do Planalto. De um lado, a estratégia de governistas é tentar associar nomes ligados ao bolsonarismo ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso na semana passada. De outro, a oposição explora suspeitas de ligação do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do chefe do Executivo, com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, suspeito de operar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias.
A antecipação do ambiente de campanha acirrou as duas linhas de atuação. O governo vinculou o escândalo financeiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após auxiliares de Lula terem sido alertados de que a oposição tentaria fazer a relação em sentido contrário. A linha política é vocalizada pela ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
“A operação da Polícia Federal expõe definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master. Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”, afirmou Gleisi logo após a prisão de Vorcaro, na quarta-feira.
Outro nome próximo a Flávio na mira é o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Após a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelar que o parlamentar voou em um avião de Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022, governistas passaram a explorar a ligação do bolsonarismo com o banqueiro. Nikolas afirma que, na época, não sabia quem era o proprietário da aeronave.
Vídeos feitos com IA
Em uma das peças que circularam entre políticos, produzida por meio de inteligência artificial, Vorcaro aparece dizendo que o dinheiro investido no banco Master servia para “as campanhas políticas milionárias dos nossos candidatos”, seguido por representações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Bolsonaro. Cunhado do banqueiro, o empresário e pastor Fabiano Zettel foi o maior doador eleitoral dos dois em 2022. Ele também foi preso na semana passada.
Auxiliares de Lula avaliam ter mais argumentos que a oposição para mostrar que a atual gestão agiu para estancar a fraude do Master e citam a atuação do presidente do BC, Gabriel Galípolo, e da Polícia Federal. Ao mesmo tempo em que pretende mostrar que agiu contra o esquema, a cúpula do PT, no entanto, quer afastar a corrupção como tema central da eleição, pois teme que se torne armadilha para Lula.
Do lado bolsonarista, a estratégia adotada em relação ao caso é argumentar que o Master também tem ramificações que atingem setores do PT. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, é um dos principais alvos.
Quando era governador da Bahia, Costa articulou a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo, arrematada em 2018 por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no agora liquidado Banco Master. O auxiliar de Lula nega irregularidades no negócio, que diz ter sido benéfico para o estado.
Outro ponto que aliados de Flávio citam para tentar vincular o caso ao PT é uma reunião entre Lula e Vorcaro em dezembro de 2024. O encontro, fora da agenda oficial, foi viabilizado pelo ex-ministro Guido Mantega, que se tornou consultor do Master.
“Lula está envolvido até o pescoço. Recebeu o banqueiro, com sigilo, sem querer dar publicidade”, afirmou o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB).
Bolsonaristas começaram a explorar ainda as mensagens entre Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e Vorcaro, também reveladas por Malu Gaspar no GLOBO, na última quinta-feira. Relator da trama golpista na Corte, o magistrado foi, nos últimos anos, um dos principais alvos do grupo.
Fraudes no INSS
A principal aposta para desgastar Lula, porém, está em outra investigação, a que apura suspeitas de ligações de um dos filhos do presidente com personagens das fraudes no INSS. Dados sobre a movimentação financeira de Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, deram fôlego para a oposição.
Documentos em análise pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS mostram que Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos em uma conta. Nos registros, constam três transferências feitas por Lula, somando R$ 721,3 mil. A defesa do filho do presidente nega qualquer irregularidade.
As suspeitas sobre Lulinha surgiram após a PF encontrar trocas de mensagens entre uma empresária amiga dele e o Careca em que ele cita “o filho do rapaz” como beneficiário de pagamentos. Na conversa, ele não cita nomes.
“(O caso) Master pega direita e esquerda. Lulinha pega a esquerda. Se a definição for em torno desses dois, a direita na balança sai ganhando”, define a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Para enfrentar a artilharia bolsonarista, aliados de Lula têm usado o discurso de “transparência total” quanto às contas de Lulinha. No mês passado, o presidente disse ter conversado com o filho sobre as suspeitas e disse que ele deveria se defender e que, “se tiver alguma coisa, vai pagar o preço”. (Com informações do jornal O Globo)
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Investigações sobre o Banco Master e Lulinha esquentam troca de ataques na pré-campanha à presidência da República
Apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro adotam estratégia de explorar suspeitas sobre figuras ligadas aos adversários políticos. (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado e Fabio Pozzebom/ABr)
A sete meses das eleições, investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no INSS têm mobilizado as pré-campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), os dois principais nomes na corrida pelo Palácio do Planalto. De um lado, a estratégia de governistas é tentar associar nomes ligados ao bolsonarismo ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso na semana passada. De outro, a oposição explora suspeitas de ligação do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do chefe do Executivo, com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, suspeito de operar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias.
A antecipação do ambiente de campanha acirrou as duas linhas de atuação. O governo vinculou o escândalo financeiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após auxiliares de Lula terem sido alertados de que a oposição tentaria fazer a relação em sentido contrário. A linha política é vocalizada pela ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.
“A operação da Polícia Federal expõe definitivamente a corrupção do Banco Central de Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto no escândalo Master. Por que será que Campos Neto não agiu contra as fraudes de Vorcaro enquanto era presidente do BC?”, afirmou Gleisi logo após a prisão de Vorcaro, na quarta-feira.
Outro nome próximo a Flávio na mira é o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Após a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelar que o parlamentar voou em um avião de Vorcaro durante a campanha eleitoral de 2022, governistas passaram a explorar a ligação do bolsonarismo com o banqueiro. Nikolas afirma que, na época, não sabia quem era o proprietário da aeronave.
Vídeos feitos com IA
Em uma das peças que circularam entre políticos, produzida por meio de inteligência artificial, Vorcaro aparece dizendo que o dinheiro investido no banco Master servia para “as campanhas políticas milionárias dos nossos candidatos”, seguido por representações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Bolsonaro. Cunhado do banqueiro, o empresário e pastor Fabiano Zettel foi o maior doador eleitoral dos dois em 2022. Ele também foi preso na semana passada.
Auxiliares de Lula avaliam ter mais argumentos que a oposição para mostrar que a atual gestão agiu para estancar a fraude do Master e citam a atuação do presidente do BC, Gabriel Galípolo, e da Polícia Federal. Ao mesmo tempo em que pretende mostrar que agiu contra o esquema, a cúpula do PT, no entanto, quer afastar a corrupção como tema central da eleição, pois teme que se torne armadilha para Lula.
Do lado bolsonarista, a estratégia adotada em relação ao caso é argumentar que o Master também tem ramificações que atingem setores do PT. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, é um dos principais alvos.
Quando era governador da Bahia, Costa articulou a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo, arrematada em 2018 por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no agora liquidado Banco Master. O auxiliar de Lula nega irregularidades no negócio, que diz ter sido benéfico para o estado.
Outro ponto que aliados de Flávio citam para tentar vincular o caso ao PT é uma reunião entre Lula e Vorcaro em dezembro de 2024. O encontro, fora da agenda oficial, foi viabilizado pelo ex-ministro Guido Mantega, que se tornou consultor do Master.
“Lula está envolvido até o pescoço. Recebeu o banqueiro, com sigilo, sem querer dar publicidade”, afirmou o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB).
Bolsonaristas começaram a explorar ainda as mensagens entre Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e Vorcaro, também reveladas por Malu Gaspar no GLOBO, na última quinta-feira. Relator da trama golpista na Corte, o magistrado foi, nos últimos anos, um dos principais alvos do grupo.
Fraudes no INSS
A principal aposta para desgastar Lula, porém, está em outra investigação, a que apura suspeitas de ligações de um dos filhos do presidente com personagens das fraudes no INSS. Dados sobre a movimentação financeira de Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, deram fôlego para a oposição.
Documentos em análise pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS mostram que Lulinha movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos em uma conta. Nos registros, constam três transferências feitas por Lula, somando R$ 721,3 mil. A defesa do filho do presidente nega qualquer irregularidade.
As suspeitas sobre Lulinha surgiram após a PF encontrar trocas de mensagens entre uma empresária amiga dele e o Careca em que ele cita “o filho do rapaz” como beneficiário de pagamentos. Na conversa, ele não cita nomes.
“(O caso) Master pega direita e esquerda. Lulinha pega a esquerda. Se a definição for em torno desses dois, a direita na balança sai ganhando”, define a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Para enfrentar a artilharia bolsonarista, aliados de Lula têm usado o discurso de “transparência total” quanto às contas de Lulinha. No mês passado, o presidente disse ter conversado com o filho sobre as suspeitas e disse que ele deveria se defender e que, “se tiver alguma coisa, vai pagar o preço”. (Com informações do jornal O Globo)
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