Atentado foi planejado pelo PCC. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)
Um depoimento sigiloso do promotor Lincoln Gakiya, que atua no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, mostra a suspeita de pagamento de propina do crime organizado a agentes públicos durante as investigações sobre o atentado planejado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar o senador Sérgio Moro (PL-PR), pré-candidato ao governo do Paraná.
O depoimento foi prestado em 5 de março, na Corregedoria da PM, em São Paulo. A Corregedoria investiga o caso porque os suspeitos de receber R$ 5 milhões dos bandidos seriam policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Parte do dinheiro seria entregue caso o PCC recebesse o endereço onde Emivaldo dos Santos, o BH, que delatara a cúpula da facção, vivia sob proteção judicial.
O depoimento de Gakiya foi determinante para a queda do ex-comandante da PM, coronel José Augusto Coutinho. Ele foi trocado pela coronel Glauce Cavalli na chefia da corporação por decisão do governador Tarcísio de Freitas. Coutinho era apadrinhado de Guilherme Derrite e, antes de comandar a PM, comandou a Rota.
A defesa disse que o coronel não teve acesso ao inquérito, mas que não procedem informações de que ele teria sido alertado sobre o envolvimento de subordinados com a organização criminosa e deixado de tomar providências. Já o governo de São Paulo informou que “Coutinho pediu afastamento das suas funções por motivos pessoais” e que “todas as movimentações realizadas na PM têm como diretriz critérios técnicos”.
Foi BH quem revelou, segundo o depoimento sigiloso do promotor, o plano do PCC para assassinar Moro e Gakyia. Durante os preparativos dos atentados, a casa do então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), também foi monitorada pelos bandidos. Gakiya repassou as informações de BH à Polícia Federal, que deflagrou a Operação Sequaz e capturou Janeferson Aparecido Mariano, Nefo, responsável pelos planos.
O promotor contou que teve “conhecimento, através de informantes na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde Nefo estava preso ( Nefo foi assassinado em 2024)” de que o criminoso dizia ter “recebido uma ‘pipa’ ( bilhete) oriundo da Sintonia da Rua do PCC, querendo informações sobre o pagamento de R$ 500 mil para PMs da Rota”.
Na época em que a propina começou a ser paga, os PMs da Rota teriam entregado uma gravação do depoimento de quatro horas prestado por BH ao promotor Gakiya, em 2021, dentro da sede da Rota, em São Paulo. Para Gakiya, a informação sobre Nefo lhe deu a certeza de que policiais da Rota, “de fato gravaram a reunião que mantive com a testemunha protegida e venderam essa gravação para o PCC”.
A investigação promete ser mais uma dor de cabeça para o ex-secretário da Segurança Guilherme Derrite, que amarga o terceiro lugar nas pesquisas para a disputa ao Senado em São Paulo, segundo o Paraná Pesquisas. Há razões para isso.
Uma delas é que entre os PMs investigados sob a suspeita de repassar informações ao PCC está o 3.º sargento José Roberto Barbosa de Souza, o Barbosinha, que foi motorista de Derrite, quando o ex-secretário trabalhou na Rota. Derrite gravou vídeo com Barbosinha e o publicou em suas redes sociais, em 2021, no qual o tratava como “grande amigo, um grande policial”. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)
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Investigação de atentado contra o senador Sergio Moro tem suspeita de propina na PM
Atentado foi planejado pelo PCC.
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Atentado foi planejado pelo PCC. (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)
Um depoimento sigiloso do promotor Lincoln Gakiya, que atua no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, mostra a suspeita de pagamento de propina do crime organizado a agentes públicos durante as investigações sobre o atentado planejado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar o senador Sérgio Moro (PL-PR), pré-candidato ao governo do Paraná.
O depoimento foi prestado em 5 de março, na Corregedoria da PM, em São Paulo. A Corregedoria investiga o caso porque os suspeitos de receber R$ 5 milhões dos bandidos seriam policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Parte do dinheiro seria entregue caso o PCC recebesse o endereço onde Emivaldo dos Santos, o BH, que delatara a cúpula da facção, vivia sob proteção judicial.
O depoimento de Gakiya foi determinante para a queda do ex-comandante da PM, coronel José Augusto Coutinho. Ele foi trocado pela coronel Glauce Cavalli na chefia da corporação por decisão do governador Tarcísio de Freitas. Coutinho era apadrinhado de Guilherme Derrite e, antes de comandar a PM, comandou a Rota.
A defesa disse que o coronel não teve acesso ao inquérito, mas que não procedem informações de que ele teria sido alertado sobre o envolvimento de subordinados com a organização criminosa e deixado de tomar providências. Já o governo de São Paulo informou que “Coutinho pediu afastamento das suas funções por motivos pessoais” e que “todas as movimentações realizadas na PM têm como diretriz critérios técnicos”.
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Na época em que a propina começou a ser paga, os PMs da Rota teriam entregado uma gravação do depoimento de quatro horas prestado por BH ao promotor Gakiya, em 2021, dentro da sede da Rota, em São Paulo. Para Gakiya, a informação sobre Nefo lhe deu a certeza de que policiais da Rota, “de fato gravaram a reunião que mantive com a testemunha protegida e venderam essa gravação para o PCC”.
A investigação promete ser mais uma dor de cabeça para o ex-secretário da Segurança Guilherme Derrite, que amarga o terceiro lugar nas pesquisas para a disputa ao Senado em São Paulo, segundo o Paraná Pesquisas. Há razões para isso.
Uma delas é que entre os PMs investigados sob a suspeita de repassar informações ao PCC está o 3.º sargento José Roberto Barbosa de Souza, o Barbosinha, que foi motorista de Derrite, quando o ex-secretário trabalhou na Rota. Derrite gravou vídeo com Barbosinha e o publicou em suas redes sociais, em 2021, no qual o tratava como “grande amigo, um grande policial”. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)
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