Mesmo com os bilhões investidos, a IA ainda não é unanimidade na vida empresarial. (Foto: Reprodução)
Inteligência artificial (IA) se tornou o termo preferido de muitos CEOs e gestores nos últimos anos, acompanhado da palavra produtividade. Mas a realidade é que IA e produtividade nem sempre estão caminhando juntas.
Isso é o que mostra um levantamento do Escritório Nacional de Pesquisa Econômica dos Estados Unidos. A pesquisa – que entrevistou mais de 6 mil executivos de empresas europeias e americanas – revelou que, em mais de 80% dessas companhias, a IA não trouxe ganhos na produtividade às equipes.
As razões para esse baque são inúmeras, mas refletem bem a diferença entre expectativa e realidade que criamos ao falar sobre essa tecnologia. Mesmo com os bilhões investidos, a IA ainda não é unanimidade na vida empresarial.
Entre os executivos entrevistados, 70% afirmaram que utilizam ativamente ferramentas de inteligência artificial no dia a dia. No entanto, essas ferramentas geram pouquíssimo aumento no nível de produtividade dos funcionários.
Dessa forma, é possível entender que o uso da IA no trabalho está condicionado a tarefas mais simples, como resumir ou criar emails, revisar textos ou realizar perguntas em chatbots. Um tipo de uso mais complexo, como usar essas ferramentas na tomada de decisões ou na estratégia de uma campanha, parece ficar apenas com o pensamento humano.
Ainda assim, os entrevistados acreditam que a IA irá aumentar a produtividade em 1,4% e reduzirá o número de funcionários em 0,7% nas empresas nos próximos três anos.
Função complementar
Uma conclusão óbvia é que a tecnologia ainda precisa ser implementada de maneira integrada ao ambiente de trabalho. O mito de que as IAs vão acabar com o trabalho humano pode ter criado expectativas irreais sobre esse tipo de recurso, que hoje tem função muito mais complementar do que substitutiva.
Paralelo
Há um paralelo com o chamado paradoxo da produtividade de Sollow. Esse paradoxo aponta que, quando os PCs começaram a fazer parte das empresas entre 1970 e 1980, o nível de informação gerado pelos computadores era tão grande que os funcionários perdiam tempo demais olhando aqueles dados. O resultado? Queda na produtividade.
“Práticas nefastas”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a inteligência artificial pode “fomentar práticas extremamente nefastas”. A declaração foi feita no mês passado, durante discurso na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Délhi, na Índia. “Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas”, disse. “Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discurso de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho.”
Na fala, Lula comparou a inteligência artificial a outros marcos históricos, como a aviação, o uso do átomo e a corrida espacial. Segundo ele, avanços tecnológicos ampliam o bem-estar coletivo, mas trazem riscos significativos. O presidente também alertou para a possibilidade de criação de “conteúdos manipulados que põem em risco a democracia”.
O presidente também destacou os riscos de concentração de algoritmos e infraestruturas digitais nas mãos de poucas empresas e países. “Capacidades computacionais, infraestrutura e capital permanecem excessivamente concentrados em poucos países e empresas. Os dados gerados por nossos cidadãos, empresas e organismos públicos estão sendo apropriados por poucos conglomerados, sem contrapartida equivalente em geração de valor e renda em nossos territórios”, afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Inteligência artificial e produtividade ainda não andam lado a lado
Mesmo com os bilhões investidos, a IA ainda não é unanimidade na vida empresarial. (Foto: Reprodução)
Inteligência artificial (IA) se tornou o termo preferido de muitos CEOs e gestores nos últimos anos, acompanhado da palavra produtividade. Mas a realidade é que IA e produtividade nem sempre estão caminhando juntas.
Isso é o que mostra um levantamento do Escritório Nacional de Pesquisa Econômica dos Estados Unidos. A pesquisa – que entrevistou mais de 6 mil executivos de empresas europeias e americanas – revelou que, em mais de 80% dessas companhias, a IA não trouxe ganhos na produtividade às equipes.
As razões para esse baque são inúmeras, mas refletem bem a diferença entre expectativa e realidade que criamos ao falar sobre essa tecnologia. Mesmo com os bilhões investidos, a IA ainda não é unanimidade na vida empresarial.
Entre os executivos entrevistados, 70% afirmaram que utilizam ativamente ferramentas de inteligência artificial no dia a dia. No entanto, essas ferramentas geram pouquíssimo aumento no nível de produtividade dos funcionários.
Dessa forma, é possível entender que o uso da IA no trabalho está condicionado a tarefas mais simples, como resumir ou criar emails, revisar textos ou realizar perguntas em chatbots. Um tipo de uso mais complexo, como usar essas ferramentas na tomada de decisões ou na estratégia de uma campanha, parece ficar apenas com o pensamento humano.
Ainda assim, os entrevistados acreditam que a IA irá aumentar a produtividade em 1,4% e reduzirá o número de funcionários em 0,7% nas empresas nos próximos três anos.
Função complementar
Uma conclusão óbvia é que a tecnologia ainda precisa ser implementada de maneira integrada ao ambiente de trabalho. O mito de que as IAs vão acabar com o trabalho humano pode ter criado expectativas irreais sobre esse tipo de recurso, que hoje tem função muito mais complementar do que substitutiva.
Paralelo
Há um paralelo com o chamado paradoxo da produtividade de Sollow. Esse paradoxo aponta que, quando os PCs começaram a fazer parte das empresas entre 1970 e 1980, o nível de informação gerado pelos computadores era tão grande que os funcionários perdiam tempo demais olhando aqueles dados. O resultado? Queda na produtividade.
“Práticas nefastas”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a inteligência artificial pode “fomentar práticas extremamente nefastas”. A declaração foi feita no mês passado, durante discurso na Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Délhi, na Índia. “Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas”, disse. “Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discurso de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho.”
Na fala, Lula comparou a inteligência artificial a outros marcos históricos, como a aviação, o uso do átomo e a corrida espacial. Segundo ele, avanços tecnológicos ampliam o bem-estar coletivo, mas trazem riscos significativos. O presidente também alertou para a possibilidade de criação de “conteúdos manipulados que põem em risco a democracia”.
O presidente também destacou os riscos de concentração de algoritmos e infraestruturas digitais nas mãos de poucas empresas e países. “Capacidades computacionais, infraestrutura e capital permanecem excessivamente concentrados em poucos países e empresas. Os dados gerados por nossos cidadãos, empresas e organismos públicos estão sendo apropriados por poucos conglomerados, sem contrapartida equivalente em geração de valor e renda em nossos territórios”, afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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