São apenas 12,8% os brasileiros contrários ao impedimento do ministro do STF. (Foto: Antonio Augusto/STF)
Pesquisa AtlasIntel/Estadão mostra que 49,3% dos brasileiros acreditam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli deveria sofrer imediatamente o impeachment por suspeitas de ligação com o caso do Banco Master. Outros 33,7% avaliam que a medida só deveria ocorrer e e quando houver comprovação de envolvimento, enquanto 12,8% são contrários ao afastamento e 4,1% dizem não saber.
Os dados indicam que a maior parte da população defende algum tipo de responsabilização do ministro, seja de forma imediata ou condicionada ao avanço das investigações. Somadas, as duas posições representam mais de 80% dos entrevistados.
Para o jurista e ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Walter Maierovitch, o resultado reflete o impacto das revelações recentes envolvendo o caso do Banco Master, que colocou Dias Toffoli no centro de questionamentos após decisões tomadas no âmbito do inquérito e a divulgação de possíveis conexões com investigados. “É um resultado esperado depois de todas essas revelações. Se ele cometeu ilícitos e se existem indicativos, tem que ser apurado”, diz.
As críticas à sua atuação se intensificaram desde que Toffoli assumiu a relatoria do inquérito envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central diante de suspeitas de fraudes financeiras.
Desde então, o ministro adotou uma série de medidas que foram alvo de questionamentos por investigadores e por integrantes do meio jurídico, como a determinação de que materiais apreendidos na Operação Compliance Zero permanecessem sob custódia do STF, além da realização de acareações em fase inicial do inquérito, da definição direta de peritos e da fixação de prazos considerados exíguos para análise de provas. “Isso tudo gera esse descrédito”, completa Maierovitch.
Na sequência, foi revelado que irmãos do ministro haviam cedido participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), ao fundo Arleen, ligado à Reag Investimentos, investigada por abrigar estruturas associadas ao Banco Master. O negócio ocorreu por meio da empresa Maridt, da qual Toffoli depois admitiu ser sócio, enquanto seus irmãos, José Carlos Dias Toffoli Cônego e José Eugênio Dias Toffoli, aparecem como administradores.
O jornal também mostrou que o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é o responsável pelos fundos que adquiriram parte dessas cotas, avaliadas, à época, em R$ 6,6 milhões.
Além das revelações, um relatório produzido pela Polícia Federal, com base em dados extraídos do celular de Vorcaro, apontou possíveis conexões entre o empresário e o ministro e contribuiu para que Toffoli deixasse a relatoria do caso.
No Congresso, a repercussão do episódio levou senadores a apresentar, em fevereiro, pedidos de impeachment contra o ministro. Ao todo, já são dez solicitações protocoladas no Senado.
Em outra frente, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou a quebra de sigilos relacionados ao caso. As medidas, no entanto, foram posteriormente anuladas por decisão do ministro Gilmar Mendes, o que gerou críticas entre parlamentares.
Nesta semana, o decano do Supremo voltou a suspender deliberações da comissão que previam novas quebras de sigilo no âmbito da investigação, relacionadas ao fundo Arleen.
O levantamento AtlasIntel/Estadão mostra que Toffoli e Gilmar são justamente os dois ministros com a pior avaliação na Corte. O primeiro tem atuação considerada positiva por apenas 9% dos brasileiros, enquanto 81% a avaliam como negativa. No caso de Gilmar os índices são de 20% e 67% respectivamente.
A pesquisa AtlasIntel/Estadão ouviu 2.090 brasileiros adultos entre os dias 16 e 19 de março de 2026, por meio de questionários aplicados pela internet. O levantamento tem margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
Quinta fase da Operação Compliance Zero investiga suposto envolvimento do senador ao beneficiar o Banco Master no Congresso Nacional. Na foto, Ciro Nogueira Foto: Divulgação/Senado Federal . (Foto: Divulgação/Senado Federal) A PF (Polícia Federal) deflagrou, nesta quinta-feira (7), a quinta fase da Operação Compliance Zero, na qual o senador Ciro Nogueira (Progressistas) figura como um …
Governo vai enviar pedido de para que a proposta tramite em regime de urgência no Legislativo. Foto: Ricardo Stuckert/PR Governo vai enviar pedido de para que a proposta tramite em regime de urgência no Legislativo. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou texto do projeto que propõe alterações na lei de …
Guilherme Boulos assumiu a Secretaria-Geral da Presidência. (Fotos: Graccho/SGPR) De capacete e colete, representantes de entregadores por aplicativo se aglomeravam na porta da Secretaria-Geral da Presidência, no quarto andar do Palácio do Planalto, na quinta-feira. Empossado na véspera, o ministro Guilherme Boulos deixou o gabinete e cumprimentou um a um, numa de suas primeiras reuniões …
Nos bastidores, deputados dizem que havia um acordo entre Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para a PEC avançar. (Foto: Jonas Pereira/Agência Senado) A decisão do Senado de rejeitar a chamada PEC da Blindagem acirrou os ânimos no Congresso e provocou uma crise de confiança entre as duas Casas Legislativas. Deputados federais …
Impeachment imediato do ministro Dias Toffoli é defendido por 49,3%; outros 33,7% apoiam a medida depois das investigações
São apenas 12,8% os brasileiros contrários ao impedimento do ministro do STF. (Foto: Antonio Augusto/STF)
Pesquisa AtlasIntel/Estadão mostra que 49,3% dos brasileiros acreditam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli deveria sofrer imediatamente o impeachment por suspeitas de ligação com o caso do Banco Master. Outros 33,7% avaliam que a medida só deveria ocorrer e e quando houver comprovação de envolvimento, enquanto 12,8% são contrários ao afastamento e 4,1% dizem não saber.
Os dados indicam que a maior parte da população defende algum tipo de responsabilização do ministro, seja de forma imediata ou condicionada ao avanço das investigações. Somadas, as duas posições representam mais de 80% dos entrevistados.
Para o jurista e ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Walter Maierovitch, o resultado reflete o impacto das revelações recentes envolvendo o caso do Banco Master, que colocou Dias Toffoli no centro de questionamentos após decisões tomadas no âmbito do inquérito e a divulgação de possíveis conexões com investigados. “É um resultado esperado depois de todas essas revelações. Se ele cometeu ilícitos e se existem indicativos, tem que ser apurado”, diz.
As críticas à sua atuação se intensificaram desde que Toffoli assumiu a relatoria do inquérito envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central diante de suspeitas de fraudes financeiras.
Desde então, o ministro adotou uma série de medidas que foram alvo de questionamentos por investigadores e por integrantes do meio jurídico, como a determinação de que materiais apreendidos na Operação Compliance Zero permanecessem sob custódia do STF, além da realização de acareações em fase inicial do inquérito, da definição direta de peritos e da fixação de prazos considerados exíguos para análise de provas. “Isso tudo gera esse descrédito”, completa Maierovitch.
Na sequência, foi revelado que irmãos do ministro haviam cedido participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), ao fundo Arleen, ligado à Reag Investimentos, investigada por abrigar estruturas associadas ao Banco Master. O negócio ocorreu por meio da empresa Maridt, da qual Toffoli depois admitiu ser sócio, enquanto seus irmãos, José Carlos Dias Toffoli Cônego e José Eugênio Dias Toffoli, aparecem como administradores.
O jornal também mostrou que o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é o responsável pelos fundos que adquiriram parte dessas cotas, avaliadas, à época, em R$ 6,6 milhões.
Além das revelações, um relatório produzido pela Polícia Federal, com base em dados extraídos do celular de Vorcaro, apontou possíveis conexões entre o empresário e o ministro e contribuiu para que Toffoli deixasse a relatoria do caso.
No Congresso, a repercussão do episódio levou senadores a apresentar, em fevereiro, pedidos de impeachment contra o ministro. Ao todo, já são dez solicitações protocoladas no Senado.
Em outra frente, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou a quebra de sigilos relacionados ao caso. As medidas, no entanto, foram posteriormente anuladas por decisão do ministro Gilmar Mendes, o que gerou críticas entre parlamentares.
Nesta semana, o decano do Supremo voltou a suspender deliberações da comissão que previam novas quebras de sigilo no âmbito da investigação, relacionadas ao fundo Arleen.
O levantamento AtlasIntel/Estadão mostra que Toffoli e Gilmar são justamente os dois ministros com a pior avaliação na Corte. O primeiro tem atuação considerada positiva por apenas 9% dos brasileiros, enquanto 81% a avaliam como negativa. No caso de Gilmar os índices são de 20% e 67% respectivamente.
A pesquisa AtlasIntel/Estadão ouviu 2.090 brasileiros adultos entre os dias 16 e 19 de março de 2026, por meio de questionários aplicados pela internet. O levantamento tem margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
Related Posts
Com o senador Ciro Nogueira como alvo, entenda a “teia” de envolvidos no caso Master
Quinta fase da Operação Compliance Zero investiga suposto envolvimento do senador ao beneficiar o Banco Master no Congresso Nacional. Na foto, Ciro Nogueira Foto: Divulgação/Senado Federal . (Foto: Divulgação/Senado Federal) A PF (Polícia Federal) deflagrou, nesta quinta-feira (7), a quinta fase da Operação Compliance Zero, na qual o senador Ciro Nogueira (Progressistas) figura como um …
Lula assina projeto antifacção que endurece lei de combate às organizações criminosas
Governo vai enviar pedido de para que a proposta tramite em regime de urgência no Legislativo. Foto: Ricardo Stuckert/PR Governo vai enviar pedido de para que a proposta tramite em regime de urgência no Legislativo. (Foto: Ricardo Stuckert/PR) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou texto do projeto que propõe alterações na lei de …
Novo ministro de Lula diz que esquerda errou ao não ouvir trabalhadores de aplicativos
Guilherme Boulos assumiu a Secretaria-Geral da Presidência. (Fotos: Graccho/SGPR) De capacete e colete, representantes de entregadores por aplicativo se aglomeravam na porta da Secretaria-Geral da Presidência, no quarto andar do Palácio do Planalto, na quinta-feira. Empossado na véspera, o ministro Guilherme Boulos deixou o gabinete e cumprimentou um a um, numa de suas primeiras reuniões …
Relação entre Câmara e Senado fica tensa após rejeição da PEC da Blindagem
Nos bastidores, deputados dizem que havia um acordo entre Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para a PEC avançar. (Foto: Jonas Pereira/Agência Senado) A decisão do Senado de rejeitar a chamada PEC da Blindagem acirrou os ânimos no Congresso e provocou uma crise de confiança entre as duas Casas Legislativas. Deputados federais …