Lula chamou a reunião de histórica. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou sair satisfeito após a reunião de quase três horas com Donald Trump na Casa Branca na tarde desta quinta-feira (7). Não houve assinatura de acordos, mas o petista apontou que os dois líderes tiveram discussões importantes sobre tarifaço, crime organizado, terras raras e outros temas. O brasileiro conduziu uma coletiva de imprensa na embaixada em Washington, que substituiu a tradicional conversa com jornalistas no Salão Oval.
Lula chamou a reunião de histórica. “Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA”. De bom humor, o brasileiro disse ter feito Trump sorrir. “O presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia”, brincou.
Segundo o presidente, o americano não abordou especificamente as questões do Pix e de facções criminosas brasileiras. Ambos os temas eram os mais sensíveis para o Brasil e considerados prioritários por Washington. A Casa Branca considera o Pix uma “prática comercial abusiva” e queria classificar grupos como PCC e CV como terroristas.
Ao ser questionado sobre as posições de Trump sobre Cuba, Venezuela e Irã, Lula respondeu que o americano “não vai mudar depois de três horas de reunião comigo”.
“Eu disse para ele que durante um bom tempo os EUA deixaram de olhar para a América Latina com um olhar de interesse, como a Europa deixou de olhar para o nosso continente para olhar para o Leste Europeu”, destacou Lula.
Segundo o presidente, o Brasil demonstrou interesse em construir – com os EUA e outros países da América Latina – um grupo de trabalho para combater o crime organizado. “Nos resolvemos discutir assuntos que pareciam tabus, como o crime organizado”, disse. “Isso precisa ser compartilhado com todos e o Brasil tem expertise”.
Segurança era o tema que o governo brasileiro queria evitar, pois entende que a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas abre portas para intervenções americanas.
De acordo com Lula, as duas comitivas também trataram de terras raras, um assunto caro aos EUA que buscam afastar a dominância chinesa na área.
“Nós não temos preferencias, o que nós queremos é fazer parceria”, afirmou. “Quem quiser participar conosco para ajudar a fazer a mineração estão sendo convidados para irem ao Brasil e isso é permitido pela regulação que foi feita ontem e deve ser aprovada hoje no Senado”.
Ao ser perguntado sobre o tarifaço, Lula disse que está “muito positivo” sobre o assunto. “Tem uma divergência entre nós que ficou explicita na reunião. Propus 30 dias para que os companheiros possam criar uma solução”.
Os EUA haviam imposto 50% de tarifas contra o Brasil – 10% aplicadas a todos + 40% apenas ao Brasil. Os 40% caíram após decisão da Suprema Corte, mas podem retornar caso o país decida reimpor as sobretaxas a partir de julho. Neste encontro, o Brasil conseguiu um respiro de um mês para negociar, disse.
Outro tema sensível para o Brasil eram as investigações abertas pelos EUA contra o Brasil por supostas práticas comerciais abusivas. O governo americano citava, em documento, o Pix e a 25 de Março como exemplos dessas práticas.
Segundo Lula, porém, Trump não tocou no assunto. “Ele não falou do Pix e eu também não”, disse. E brincou: “Ele não discutiu o acordo da seção 301, nós levantamos a tese que nós achamos que não tem procedência. Eles levantaram a tese que o Brasil esta cobrando mais imposto. Sugeri que colocássemos os nossos ministros para discutir em 30 dias. Acho que vai terminar bem”, afirmou o brasileiro.
Antes de Lula, falam os ministros que participaram da comitiva do presidente. O chanceler Mauro Vieira disse que o encontro foi muito positivo e passou do tempo previsto. Os líderes abordaram temas como os minerais raros brasileiros e o combate ao crime organizado.
O brasileiro também afirmou que Trump não pensa em invadir Cuba. “O que eu ouvi, e não sei se a tradução foi correta, é que ele disse que não pensa invadir Cuba. Isso foi dito pelo intérprete, e acho que isso é um grande sinal. Porque Cuba quer dialogar”, disse.
A declaração contradiz recentes ameaças do mandatário americano sobre “assumir” o controle da ilha após o fim da guerra com o Irã. Na última semana, Trump também ordenou a imposição de novas sanções destinadas a asfixiar o governo cubano, alegando que Havana “segue representando uma ameaça extraordinária” para a segurança nacional americana.
Na coletiva de imprensa após a reunião com Trump, Lula reiterou que se coloca como possível mediador na crise entre a ilha caribenha e os EUA. No entanto, o presidente destacou que a conversa com Trump na Casa Branca não teve um foco em política externa.
“Se precisar que o Brasil converse sobre qualquer país sobre a questão das interferências americanas em Cuba ou no Irã, o Brasil está disposto a participar. Mas eu vim aqui para discutir as questões brasileiras”, disse o petista. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)
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Guerras, terras raras e lavagem de dinheiro: veja ponto a ponto o que Lula discutiu com Trump na Casa Branca
Lula chamou a reunião de histórica.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula chamou a reunião de histórica. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou sair satisfeito após a reunião de quase três horas com Donald Trump na Casa Branca na tarde desta quinta-feira (7). Não houve assinatura de acordos, mas o petista apontou que os dois líderes tiveram discussões importantes sobre tarifaço, crime organizado, terras raras e outros temas. O brasileiro conduziu uma coletiva de imprensa na embaixada em Washington, que substituiu a tradicional conversa com jornalistas no Salão Oval.
Lula chamou a reunião de histórica. “Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA”. De bom humor, o brasileiro disse ter feito Trump sorrir. “O presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia”, brincou.
Segundo o presidente, o americano não abordou especificamente as questões do Pix e de facções criminosas brasileiras. Ambos os temas eram os mais sensíveis para o Brasil e considerados prioritários por Washington. A Casa Branca considera o Pix uma “prática comercial abusiva” e queria classificar grupos como PCC e CV como terroristas.
Ao ser questionado sobre as posições de Trump sobre Cuba, Venezuela e Irã, Lula respondeu que o americano “não vai mudar depois de três horas de reunião comigo”.
“Eu disse para ele que durante um bom tempo os EUA deixaram de olhar para a América Latina com um olhar de interesse, como a Europa deixou de olhar para o nosso continente para olhar para o Leste Europeu”, destacou Lula.
Segundo o presidente, o Brasil demonstrou interesse em construir – com os EUA e outros países da América Latina – um grupo de trabalho para combater o crime organizado. “Nos resolvemos discutir assuntos que pareciam tabus, como o crime organizado”, disse. “Isso precisa ser compartilhado com todos e o Brasil tem expertise”.
Segurança era o tema que o governo brasileiro queria evitar, pois entende que a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas abre portas para intervenções americanas.
De acordo com Lula, as duas comitivas também trataram de terras raras, um assunto caro aos EUA que buscam afastar a dominância chinesa na área.
“Nós não temos preferencias, o que nós queremos é fazer parceria”, afirmou. “Quem quiser participar conosco para ajudar a fazer a mineração estão sendo convidados para irem ao Brasil e isso é permitido pela regulação que foi feita ontem e deve ser aprovada hoje no Senado”.
Ao ser perguntado sobre o tarifaço, Lula disse que está “muito positivo” sobre o assunto. “Tem uma divergência entre nós que ficou explicita na reunião. Propus 30 dias para que os companheiros possam criar uma solução”.
Os EUA haviam imposto 50% de tarifas contra o Brasil – 10% aplicadas a todos + 40% apenas ao Brasil. Os 40% caíram após decisão da Suprema Corte, mas podem retornar caso o país decida reimpor as sobretaxas a partir de julho. Neste encontro, o Brasil conseguiu um respiro de um mês para negociar, disse.
Outro tema sensível para o Brasil eram as investigações abertas pelos EUA contra o Brasil por supostas práticas comerciais abusivas. O governo americano citava, em documento, o Pix e a 25 de Março como exemplos dessas práticas.
Segundo Lula, porém, Trump não tocou no assunto. “Ele não falou do Pix e eu também não”, disse. E brincou: “Ele não discutiu o acordo da seção 301, nós levantamos a tese que nós achamos que não tem procedência. Eles levantaram a tese que o Brasil esta cobrando mais imposto. Sugeri que colocássemos os nossos ministros para discutir em 30 dias. Acho que vai terminar bem”, afirmou o brasileiro.
Antes de Lula, falam os ministros que participaram da comitiva do presidente. O chanceler Mauro Vieira disse que o encontro foi muito positivo e passou do tempo previsto. Os líderes abordaram temas como os minerais raros brasileiros e o combate ao crime organizado.
O brasileiro também afirmou que Trump não pensa em invadir Cuba. “O que eu ouvi, e não sei se a tradução foi correta, é que ele disse que não pensa invadir Cuba. Isso foi dito pelo intérprete, e acho que isso é um grande sinal. Porque Cuba quer dialogar”, disse.
A declaração contradiz recentes ameaças do mandatário americano sobre “assumir” o controle da ilha após o fim da guerra com o Irã. Na última semana, Trump também ordenou a imposição de novas sanções destinadas a asfixiar o governo cubano, alegando que Havana “segue representando uma ameaça extraordinária” para a segurança nacional americana.
Na coletiva de imprensa após a reunião com Trump, Lula reiterou que se coloca como possível mediador na crise entre a ilha caribenha e os EUA. No entanto, o presidente destacou que a conversa com Trump na Casa Branca não teve um foco em política externa.
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