Funcionários ligados a parlamentares “infiéis” ao governo devem ser exonerados.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Funcionários ligados a parlamentares “infiéis” ao governo devem ser exonerados. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Após iniciar um processo de reorganização da base com a demissão de indicados por ex-aliados, o Palácio do Planalto passou a mirar na troca de cargos de um importante espaço para o Centrão: a Caixa. O banco, responsável por financiar políticas públicas regionais, deve ter parte considerável das 12 vice-presidências trocadas.
O governo já promoveu mudanças em postos de assessoria da instituição e na Vice-Presidência de Sustentabilidade e Cidadania Digital.
A intenção, comunicada reservadamente, foi objeto de conversa entre a ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann (PT), e o presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes.
O dirigente foi indicado para o cargo pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e não há planos para trocá-lo. Funcionários ligados a parlamentares infiéis, contudo, devem ser exonerados.
O movimento do governo faz parte do pente-fino que a SRI passou a fazer, com aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para responder à derrota na semana passada imposta pela Câmara na tramitação da medida provisória alternativa ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Gleisi classificou como “natural” a demissão de quem não embarcar no projeto de reeleição do petista.
As vice-presidências da Caixa são ocupadas hoje por indicados do PP, do PDT e do Republicanos. Alguns nomes são intocáveis, como o de Inês Magalhães, de Habitação, ligada ao PT e indicada diretamente por Lula para cuidar do Minha Casa Minha Vida, e outros quadros de perfil técnico.
Além de Fernandes, Gleisi se reuniu anteontem com o próprio Lira. De acordo com interlocutores, o deputado tratou com a ministra dos seus cargos no governo de forma geral e não de forma específica da Caixa. O ex-presidente da Câmara se ausentou da votação da medida provisória. O foco da SRI, neste momento, é fazer uma varredura nos cargos dos 251 deputados que votaram para enterrar a MP. Lira, portanto, não faz parte do grupo.
Na semana passada, já ocorreram mudanças na Caixa. José Trabulo Júnior, que aparece em fotos ao lado do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e já foi indicado por ele para outros cargos no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, saiu do posto de consultor da presidência da Caixa. Procurado, Ciro Nogueira não comentou a saída.
Outra mudança aconteceu na vice-presidência de Sustentabilidade e Cidadania Digital do banco, que era comandada por Rodrigo Lemos e que agora ficará sob o comando interino de Jean Rodrigues Benevides, diretor-executivo de Sustentabilidade e Cidadania Digital. A escolha de Lemos era atribuída ao PL — o líder da sigla na Câmara, Altineu Côrtes (RJ), negou ter feito a indicação. Embora seja o partido de Bolsonaro, o PL costumava dar cerca de 20 a 30 votos em projetos de interesse da equipe econômica, como a Reforma Tributária e o arcabouço fiscal.
Parte dos aliados de Lula chegou a pressionar para que Lira fosse retaliado e tivesse seus apadrinhados demitidos do governo. A pressão recaiu sobretudo sobre a Caixa e houve governistas que falaram em rever todos os acordos construídos por ele quando era presidente da Câmara, inclusive com a saída do comando do banco estatal.
Apesar disso, Gleisi resistiu a agir contra Lira. O argumento para poupá-lo é que o parlamentar se ausentou da votação da MP mesmo com o seu partido, o PP, orientando contra. Outros integrantes do PT, porém, têm ficado insatisfeitos com o ex-presidente da Câmara e apontam que ele, ainda que não tenha participado da derrota diretamente, também não agiu para auxiliar o governo.
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Funcionários ligados a parlamentares “infiéis” ao governo devem ser exonerados.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Funcionários ligados a parlamentares “infiéis” ao governo devem ser exonerados. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Após iniciar um processo de reorganização da base com a demissão de indicados por ex-aliados, o Palácio do Planalto passou a mirar na troca de cargos de um importante espaço para o Centrão: a Caixa. O banco, responsável por financiar políticas públicas regionais, deve ter parte considerável das 12 vice-presidências trocadas.
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A intenção, comunicada reservadamente, foi objeto de conversa entre a ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann (PT), e o presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes.
O dirigente foi indicado para o cargo pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e não há planos para trocá-lo. Funcionários ligados a parlamentares infiéis, contudo, devem ser exonerados.
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Outra mudança aconteceu na vice-presidência de Sustentabilidade e Cidadania Digital do banco, que era comandada por Rodrigo Lemos e que agora ficará sob o comando interino de Jean Rodrigues Benevides, diretor-executivo de Sustentabilidade e Cidadania Digital. A escolha de Lemos era atribuída ao PL — o líder da sigla na Câmara, Altineu Côrtes (RJ), negou ter feito a indicação. Embora seja o partido de Bolsonaro, o PL costumava dar cerca de 20 a 30 votos em projetos de interesse da equipe econômica, como a Reforma Tributária e o arcabouço fiscal.
Parte dos aliados de Lula chegou a pressionar para que Lira fosse retaliado e tivesse seus apadrinhados demitidos do governo. A pressão recaiu sobretudo sobre a Caixa e houve governistas que falaram em rever todos os acordos construídos por ele quando era presidente da Câmara, inclusive com a saída do comando do banco estatal.
Apesar disso, Gleisi resistiu a agir contra Lira. O argumento para poupá-lo é que o parlamentar se ausentou da votação da MP mesmo com o seu partido, o PP, orientando contra. Outros integrantes do PT, porém, têm ficado insatisfeitos com o ex-presidente da Câmara e apontam que ele, ainda que não tenha participado da derrota diretamente, também não agiu para auxiliar o governo.
https://www.osul.com.br/governo-lula-prepara-limpa-de-indicados-do-centrao-na-cupula-da-caixa/
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