Gestores do mercado financeiro que encontraram, em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro, anunciado pré-candidato à Presidência, continuam em dúvida se a empreitada é mesmo para valer
Flávio teria sinalizado que sua intenção, caso eleito, é “dar sequência” ao que foi feito por Guedes e alterar os rumos adotados pelo atual governo, que tem Fernando Haddad (PT) como ministro da Fazenda. (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)
Gestores da Faria Lima que encontraram na semana passada, em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciado pré-candidato à Presidência, continuam em dúvida se a empreitada é mesmo para valer, mas ouviram a promessa de um governo alinhado com o mercado financeiro. Segundo interlocutores, Flávio prometeu repetir na área da economia a visão liberal do ex-ministro Paulo Guedes, apelidado de “Posto Ipiranga” na campanha do pai, Jair Bolsonaro, em 2018.
A primeira agenda foi um almoço na sede do Banco UBS, onde estiveram Flávio Rocha, dono da empresa de vestuário Riachuelo, e Richard Gerdau, da produtora de aço que leva o sobrenome da família, entre outros empresários, além do ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Gustavo Montezano.
Flávio teria sinalizado que sua intenção, caso eleito, é “dar sequência” ao que foi feito por Guedes e alterar os rumos adotados pelo atual governo, que tem Fernando Haddad (PT) como ministro da Fazenda. Argumentou ainda que iniciaria uma campanha eleitoral com “piso alto”, ou seja, com uma margem de votos segura para ir ao segundo turno contra o presidente Lula.
Boa parte dos economistas e gestores acredita que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), teria mais potencial para se eleger ao Palácio do Planalto. A rejeição ao nome de Flávio foi evidenciada pelo comportamento da Bolsa e do dólar no dia do anúncio (5), quando o Ibovespa despencou 8 mil pontos (uma queda de 4,35%) e o dólar terminou a sessão em R$ 5,44, maior patamar do ano.
No encontro no UBS, a principal dúvida era se a candidatura se manteria. Aos presentes, Flávio assegurou que fica na disputa e que levaria vantagem sobre Tarcísio por ter o sobrenome Bolsonaro, o que garantiria o apoio do eleitorado do pai, um patamar em torno de 20% das intenções dos votos. Disse também que tinha potencial de conquistar novos eleitores, já que era o menos radical do clã.
Ao indicar que seguiria a política econômica de Guedes, Flávio não esclareceu qual seria a futura indicação ao ministério. O ex-ministro, porém, foi citado pelo senador como um dos nomes que ajudaria em sua campanha, assim como Montezano, que foi sócio-diretor do banco BTG Pactual em São Paulo, onde era o responsável pela divisão de crédito corporativo.
De acordo com um empresário, Flávio adotou um tom moderado, mas ainda precisa avançar na estruturação de um programa de governo para convencê-los. Para o mercado financeiro, os fatores mais relevantes na escolha de um candidato da direita são compromisso com a estabilidade fiscal, previsibilidade institucional e continuidade das reformas e privatizações.
Outro convidado avaliou que o almoço teve um caráter mais midiático, para tentar reverter a aversão do mercado a uma candidatura do senador, do que propriamente brigar pelo apoio do setor financeiro. A divulgação de uma foto do almoço, por exemplo, reforçaria o caráter marqueteiro do encontro, diz a fonte. Esse gestor avalia ainda que a chancela de Guedes a um eventual programa de governo também não garante que “a Faria Lima vá pegar na mão de Flávio”. Apenas dizer que é a favor do equilíbrio fiscal, da segurança jurídica e da desburocratização não garante apoio, segundo ele. É preciso ter um programa consistente que busque esses pontos, reforça.
Quem tem organizado os encontros de Flávio com a Faria Lima é Filipe Sabará, ex-secretário de Desenvolvimento Social do governo João Doria e um dos coordenadores da campanha de Pablo Marçal à prefeitura de São Paulo no ano passado.
— Depois da comunicação da candidatura, o mercado ficou querendo entender os caminhos que o Flávio ofereceria. Conversei com ele para rodar e explicar para essa turma, que estava mais propensa a Tarcísio — afirma Sabará.
Segue o tour
O plano é continuar a peregrinação na Faria Lima nesta semana e dar mais entrevistas a podcasts de finanças, como ocorreu na quinta-feira.
— Acredito no livre mercado e temos que continuar por essa linha de desburocratização, porque quem move a economia são os empreendedores da iniciativa privada, não o governo — disse Flávio no programa.
A postura de diálogo e a busca de apoio no mercado afasta o candidato bolsonarista da narrativa “anti-establishment” que costuma ser vocalizada pelos irmãos Eduardo, deputado federal que está nos Estados Unidos, e Carlos, vereador do Rio. A mesma ambiguidade ocorre com os partidos do Centrão, colocados na prateleira dos rivais por essa ala da família, enquanto Flávio costura reuniões e ouve críticas internas à maneira como o processo foi conduzido.
Sobre o encontro desta semana, o UBS afirma que “realiza regularmente diversos eventos voltados a clientes” e que a iniciativa é “prática comum de mercado”. Com informações do portal O Globo.
https://www.osul.com.br/gestores-do-mercado-financeiro-que-encontraram-em-sao-paulo-o-senador-flavio-bolsonaro-anunciado-pre-candidato-a-presidencia-continuam-em-duvida-se-a-empreitada-e-mesmo-para-valer/ Gestores do mercado financeiro que encontraram, em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro, anunciado pré-candidato à Presidência, continuam em dúvida se a empreitada é mesmo para valer 2025-12-14
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Flávio teria sinalizado que sua intenção, caso eleito, é “dar sequência” ao que foi feito por Guedes e alterar os rumos adotados pelo atual governo, que tem Fernando Haddad (PT) como ministro da Fazenda. Argumentou ainda que iniciaria uma campanha eleitoral com “piso alto”, ou seja, com uma margem de votos segura para ir ao segundo turno contra o presidente Lula.
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No encontro no UBS, a principal dúvida era se a candidatura se manteria. Aos presentes, Flávio assegurou que fica na disputa e que levaria vantagem sobre Tarcísio por ter o sobrenome Bolsonaro, o que garantiria o apoio do eleitorado do pai, um patamar em torno de 20% das intenções dos votos. Disse também que tinha potencial de conquistar novos eleitores, já que era o menos radical do clã.
Ao indicar que seguiria a política econômica de Guedes, Flávio não esclareceu qual seria a futura indicação ao ministério. O ex-ministro, porém, foi citado pelo senador como um dos nomes que ajudaria em sua campanha, assim como Montezano, que foi sócio-diretor do banco BTG Pactual em São Paulo, onde era o responsável pela divisão de crédito corporativo.
De acordo com um empresário, Flávio adotou um tom moderado, mas ainda precisa avançar na estruturação de um programa de governo para convencê-los. Para o mercado financeiro, os fatores mais relevantes na escolha de um candidato da direita são compromisso com a estabilidade fiscal, previsibilidade institucional e continuidade das reformas e privatizações.
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