Restaram à instituição brasiliense suspeitas de malversação e rombo a ser coberto pelo contribuinte. (Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília)
O Banco de Brasília (BRB), banco pertencente ao governo do Distrito Federal, é um dos poucos remanescentes de um período de caos financeiro em que todo Estado brasileiro controlava uma ou mais instituições financeiras. Havia 31 bancos estaduais, além do distrital, operando em 1992, quando o Banco Central publicou um estudo sobre o efeito deletério deles para o controle das contas públicas e da inflação – que ultrapassaria a casa dos 1.000% naquele ano e dos 2.000% no ano seguinte.
Tais instituições eram geridas por critérios políticos e usavam o dinheiro que captavam do público para ampliar os gastos dos governadores. Injetavam moeda na economia com o financiamento de projetos de baixa viabilidade. Tinham quadro de pessoal inchado e serviam de cabide de emprego para apaniguados.
Só se mantinham de pé graças aos ganhos fáceis proporcionados pela inflação. Quando se viam em dificuldades, o que não era raro, buscavam a ajuda federal.
Após um amplo processo de privatizações, liquidações e federalizações conduzido na esteira do Plano Real (1994), hoje os cinco bancos comerciais regionais em funcionamento – em Rio Grande do Sul, Pará, Espírito Santo e Sergipe, além do DF – não têm dimensões capazes de produzir abalos financeiros sistêmicos. Isso não quer dizer, porém, que não possam se meter em operações desastradas.
Assim o demonstrou, de modo escandaloso, a tentativa do BRB de socorrer o falimentar Banco Master em março de 2025, com a compra de ações sem direito a voto e a permanência de Daniel Vorcaro no controle da instituição privada. O negócio esdrúxulo foi vetado pelo Banco Central, que em novembro liquidou o Master.
Restaram ao BRB evidências de gestão temerária, suspeitas de corrupção e um rombo a ser coberto, direta ou indiretamente, pelo contribuinte. Como noticiou a Folha, especula-se entre as saídas para o banco a federalização, vale dizer, sua absorção pelo Banco do Brasil (BB) ou pela Caixa Econômica Federal.
Tratando-se do mundo político brasileiro, a hipótese não é descartável. Foi esse o destino dos bancos de Santa Catarina e do Piauí e da paulista Nossa Caixa, todos incorporados ao BB quando o PT ocupava o Palácio do Planalto. Nesses casos, o inchaço estatal só muda de endereço.
A privatização, infelizmente, não consta dos planos do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). A velha tentação de dispor de instituições financeiras em favor de interesses políticos – ou coisa pior – independe de ideologia. (Editorial publicado na Folha de S.Paulo)
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Foi-se o Banco Master, ficou o Banco de Brasília
Restaram à instituição brasiliense suspeitas de malversação e rombo a ser coberto pelo contribuinte. (Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília)
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Assim o demonstrou, de modo escandaloso, a tentativa do BRB de socorrer o falimentar Banco Master em março de 2025, com a compra de ações sem direito a voto e a permanência de Daniel Vorcaro no controle da instituição privada. O negócio esdrúxulo foi vetado pelo Banco Central, que em novembro liquidou o Master.
Restaram ao BRB evidências de gestão temerária, suspeitas de corrupção e um rombo a ser coberto, direta ou indiretamente, pelo contribuinte. Como noticiou a Folha, especula-se entre as saídas para o banco a federalização, vale dizer, sua absorção pelo Banco do Brasil (BB) ou pela Caixa Econômica Federal.
Tratando-se do mundo político brasileiro, a hipótese não é descartável. Foi esse o destino dos bancos de Santa Catarina e do Piauí e da paulista Nossa Caixa, todos incorporados ao BB quando o PT ocupava o Palácio do Planalto. Nesses casos, o inchaço estatal só muda de endereço.
A privatização, infelizmente, não consta dos planos do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). A velha tentação de dispor de instituições financeiras em favor de interesses políticos – ou coisa pior – independe de ideologia. (Editorial publicado na Folha de S.Paulo)
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