Presidentes discutiram crime organizado, tarifas e narcotráfico em encontro na quinta-feira (7). (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a visita do petista ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve isolar o bolsonarismo, grupo político que busca manter proximidade com o americano. Membros da direita, por sua vez, minimizam o encontro realizado entre os dois líderes na quinta-feira (7).
A avaliação de petistas é que Lula, mesmo fazendo críticas recorrentes a Trump, conseguiu se projetar como um estadista e reiterar o discurso da soberania nacional frente aos EUA.
O ministro da Secretaria das Relações Institucionais, José Guimarães, disse em rede social que Lula, com a visita em Washington, “reafirmou o papel soberano e respeitado do Brasil no cenário internacional”.
“O Brasil voltou a ser protagonista nas grandes decisões internacionais”, escreveu ele, citando que Lula foi recebido “com tapete vermelho e honras de Estado” por Trump.
O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, disse que a reunião entre o brasileiro e o americano deve reverberar na política nacional. “A família Bolsonaro sempre trabalhou para ter monopólio da relação com o presidente dos Estados Unidos, e pela segunda vez esse encontro (de Lula e Trump) foi um sucesso”, declarou ele.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) vive nos Estados Unidos e tenta jogar o governo local contra a gestão Lula. Eduardo é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e irmão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
“Semana passada Flávio Bolsonaro, após a votação da dosimetria, vaticinava o ‘fim do governo’. Essa semana correu para os EUA para tentar tramar contra o Brasil e a agenda dos presidentes Lula e Trump. Ficou isolado, sem discurso e saiu ainda menor desse processo”, diz Éden Valadares, secretário de comunicação do PT.
Lula busca se posicionar na campanha eleitoral deste ano com uma pauta de soberania nacional e falou publicamente sobre isso logo depois da conversa com americano. Segundo seu relato, a reunião foi de igual para igual.
Antes do encontro, estava previsto que Lula e Trump dariam uma declaração à imprensa depois da conversa na sede do governo americano. No entanto, de última hora, o planejamento foi modificado e apenas Lula e os ministros brasileiros falaram com os jornalistas, na embaixada do Brasil nos EUA.
Trump se manifestou via publicação em sua rede social, a TruthSocial, na qual classificou Lula como um “líder dinâmico” e disse que a reunião correu “muito bem”. Para membros da oposição, as declarações do americano foram secas e sem a mesma química dos encontros presenciais.
Ainda para esses interlocutores, a transferência do local da entrevista sem a presença de Trump seria o indicativo de que o encontro não teria sido tão bom quanto foi verbalizado por Lula e seus ministros.
Oposição
Apesar de Lula e Trump terem abordado o combate ao crime organizado, membros da oposição dizem que devem explorar na campanha o discurso de que o petista foi aos EUA para defender traficantes.
Antes da reunião, bolsonaristas enviaram notícias e publicaram nas redes sociais notícias em que Lula critica Trump para tentar minar o encontro. Depois da conversa entre os presidentes, porém, o próprio Flávio Bolsonaro e alguns de seus principais aliados evitaram comentar o tema publicamente.
Após o encontro, Lula afirmou ter tratado de temas considerados tabus e proposto a criação de um grupo internacional de combate ao crime organizado, envolvendo países da América Latina e, possivelmente, outras nações.
O petista afirmou que a reunião marcou “um passo importante” para fortalecer a relação histórica entre os dois países e defender o multilateralismo diante das tensões comerciais globais. “Saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA”, disse.
O presidente foi acompanhado na viagem por cinco ministros: Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington César Lima e Silva (Justiça), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também participou da comitiva, mas não esteve presente na reunião do Salão Oval.
Esta foi a sexta visita do petista à sede do governo americano, sendo a primeira sob Trump. Em mandatos anteriores, Lula visitou a Casa Branca em 2002 – ainda como eleito, antes de assumir o cargo –, 2003 e 2008, em encontros com o então presidente George Bush. Em seguida, em 2009, encontrou Barack Obama e, já em 2023, o brasileiro foi recebido por Joe Biden. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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Esquerda vê bolsonarismo isolado após encontro de Lula e Trump; direita minimiza
Presidentes discutiram crime organizado, tarifas e narcotráfico em encontro na quinta-feira (7). (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que a visita do petista ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve isolar o bolsonarismo, grupo político que busca manter proximidade com o americano. Membros da direita, por sua vez, minimizam o encontro realizado entre os dois líderes na quinta-feira (7).
A avaliação de petistas é que Lula, mesmo fazendo críticas recorrentes a Trump, conseguiu se projetar como um estadista e reiterar o discurso da soberania nacional frente aos EUA.
O ministro da Secretaria das Relações Institucionais, José Guimarães, disse em rede social que Lula, com a visita em Washington, “reafirmou o papel soberano e respeitado do Brasil no cenário internacional”.
“O Brasil voltou a ser protagonista nas grandes decisões internacionais”, escreveu ele, citando que Lula foi recebido “com tapete vermelho e honras de Estado” por Trump.
O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, disse que a reunião entre o brasileiro e o americano deve reverberar na política nacional. “A família Bolsonaro sempre trabalhou para ter monopólio da relação com o presidente dos Estados Unidos, e pela segunda vez esse encontro (de Lula e Trump) foi um sucesso”, declarou ele.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) vive nos Estados Unidos e tenta jogar o governo local contra a gestão Lula. Eduardo é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e irmão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
“Semana passada Flávio Bolsonaro, após a votação da dosimetria, vaticinava o ‘fim do governo’. Essa semana correu para os EUA para tentar tramar contra o Brasil e a agenda dos presidentes Lula e Trump. Ficou isolado, sem discurso e saiu ainda menor desse processo”, diz Éden Valadares, secretário de comunicação do PT.
Lula busca se posicionar na campanha eleitoral deste ano com uma pauta de soberania nacional e falou publicamente sobre isso logo depois da conversa com americano. Segundo seu relato, a reunião foi de igual para igual.
Antes do encontro, estava previsto que Lula e Trump dariam uma declaração à imprensa depois da conversa na sede do governo americano. No entanto, de última hora, o planejamento foi modificado e apenas Lula e os ministros brasileiros falaram com os jornalistas, na embaixada do Brasil nos EUA.
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Ainda para esses interlocutores, a transferência do local da entrevista sem a presença de Trump seria o indicativo de que o encontro não teria sido tão bom quanto foi verbalizado por Lula e seus ministros.
Oposição
Apesar de Lula e Trump terem abordado o combate ao crime organizado, membros da oposição dizem que devem explorar na campanha o discurso de que o petista foi aos EUA para defender traficantes.
Antes da reunião, bolsonaristas enviaram notícias e publicaram nas redes sociais notícias em que Lula critica Trump para tentar minar o encontro. Depois da conversa entre os presidentes, porém, o próprio Flávio Bolsonaro e alguns de seus principais aliados evitaram comentar o tema publicamente.
Após o encontro, Lula afirmou ter tratado de temas considerados tabus e proposto a criação de um grupo internacional de combate ao crime organizado, envolvendo países da América Latina e, possivelmente, outras nações.
O petista afirmou que a reunião marcou “um passo importante” para fortalecer a relação histórica entre os dois países e defender o multilateralismo diante das tensões comerciais globais. “Saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA”, disse.
O presidente foi acompanhado na viagem por cinco ministros: Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington César Lima e Silva (Justiça), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também participou da comitiva, mas não esteve presente na reunião do Salão Oval.
Esta foi a sexta visita do petista à sede do governo americano, sendo a primeira sob Trump. Em mandatos anteriores, Lula visitou a Casa Branca em 2002 – ainda como eleito, antes de assumir o cargo –, 2003 e 2008, em encontros com o então presidente George Bush. Em seguida, em 2009, encontrou Barack Obama e, já em 2023, o brasileiro foi recebido por Joe Biden. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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