Entidade diz que inquéritos não podem durar indefinidamente nem expandir demais seu objeto de investigação. (Foto: Pedro França/Agência Senado)
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enviou nessa segunda-feira (23) uma manifestação ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, pedindo o encerramento do inquérito das fake news, que tramita na Corte há quase sete anos.
No documento, assinado pela Diretoria Nacional e por todos os presidentes das seccionais nos Estados, a OAB “externa extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração”, em especial o inquérito das fake news.
Esse inquérito voltou ao noticiário nos últimos dias por causa de uma operação de busca e apreensão, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que teve como alvos quatro servidores que atuam na Receita e são suspeitos de terem acessado e vazado dados sigilosos de parentes de ministros do STF.
A OAB afirma que “é inegável que a instauração do referido inquérito ocorreu em ambiente de grave tensão institucional, marcado por ataques reiterados à honra e à segurança de Ministros da Suprema Corte” – que “desempenhou papel central na defesa da ordem constitucional e na preservação da estabilidade democrática”.
No entanto, segundo a Ordem, “superada a conjuntura mais aguda” que originou o inquérito das fake news, “impõe-se redobrada atenção aos parâmetros constitucionais que regem a persecução estatal”.
“Justamente por se tratar de solução institucional extraordinária, concebida para responder a circunstâncias igualmente extraordinárias, sua condução e permanência no tempo reclamam cautela ainda maior, com estrita observância da excepcionalidade que lhe deu origem e dos limites constitucionais que legitimam a atuação estatal”, sustenta a OAB.
O inquérito das fake news foi aberto pelo então presidente do Supremo, Dias Toffoli, em março de 2019. Na ocasião, ele escolheu Moraes para ser o relator, a partir da interpretação de trechos do Regimento Interno do STF que tratavam de crimes cometidos contra a Corte.
O objetivo era investigar “notícias fraudulentas”, ofensas e ameaças que “atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares”.
Ao longo do tempo, fatos distintos foram investigados dentro do inquérito das fake news, até chegar recentemente aos servidores que atuam na Receita Federal – o que a OAB chamou de “elasticidade excessiva do objeto investigativo”.
“A lógica constitucional e processual do inquérito, no sistema brasileiro, é a de instrumento voltado à investigação de fatos determinados (…), e não a de procedimento aberto à absorção sucessiva de condutas distintas, conforme novas conexões sejam afirmadas ao longo do tempo”, diz a Ordem.
“Essa preocupação se acentua diante de relatos recentes sobre a inclusão, no âmbito do mesmo procedimento, de pessoas e fatos que, embora possam merecer apuração rigorosa por canais próprios, não se apresentam de forma imediatamente aderente ao núcleo originário que justificou a instauração do inquérito.”
A Ordem afirma que “a defesa da democracia (…) não se esgota na repressão a ataques institucionais; ela se completa com a observância estrita do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da liberdade de expressão”.
“Nessa linha, a OAB reputa indispensável reafirmar a proteção ao livre exercício profissional e às garantias constitucionais de todos aqueles que exercem funções essenciais à vida democrática, com menção à atividade jornalística e, com especial ênfase, às prerrogativas de advogados e advogadas”, diz a entidade.
A OAB conclui o ofício solicitando uma audiência com Fachin para expor seus argumentos sobre o tema, pede que “sejam adotadas providências voltadas à conclusão dos chamados inquéritos de natureza perpétua” e que “não haja a instauração de novos procedimentos com essa mesma conformação expansiva e indefinida”.
O Banco de Brasília (BRB) mudou sua política de investimentos sob o governador Ibaneis Rocha. (Foto: Divulgação) Alvo de apuração da Polícia Federal (PF) por suposta gestão temerária relacionada à tentativa de aquisição do Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) alterou sua política de investimentos nos últimos anos, durante a administração do governador Ibaneis …
Inclusão de Flávio ocorre após nova negativa a pedido de prisão domiciliar de Bolsonaro e amplia participação da família na defesa do ex-presidente. (Foto: Agência Alesp) O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi incluído nessa segunda-feira (2) como advogado de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo de execução penal decorrente da condenação a 27 anos …
Lula já é o presidente mais idoso da história brasileira, pois assumiu o mandato aos 77 anos, em 2023. Foto: Ricardo Stuckert/PR Lula já é o presidente mais idoso da história brasileira, pois assumiu o mandato aos 77 anos, em 2023.(Foto: Ricardo Stuckert/PR) Caso consiga a reeleição no ano que vem, o presidente Luiz Inácio …
Aliados de Pacheco dizem que ele não esconde o desejo de ser ministro do Supremo. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado) Enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), expressa a torcida para que o amigo Rodrigo Pacheco (PSD-MG) seja indicado para o STF (Supremo Tribunal Federal), o senador mineiro vive hoje o que pessoas próximas …
Em ofício ao presidente do Supremo, OAB pede a conclusão do inquérito das fake news, que tramita no Tribunal há quase 7 anos
Entidade diz que inquéritos não podem durar indefinidamente nem expandir demais seu objeto de investigação. (Foto: Pedro França/Agência Senado)
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enviou nessa segunda-feira (23) uma manifestação ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, pedindo o encerramento do inquérito das fake news, que tramita na Corte há quase sete anos.
No documento, assinado pela Diretoria Nacional e por todos os presidentes das seccionais nos Estados, a OAB “externa extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração”, em especial o inquérito das fake news.
Esse inquérito voltou ao noticiário nos últimos dias por causa de uma operação de busca e apreensão, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que teve como alvos quatro servidores que atuam na Receita e são suspeitos de terem acessado e vazado dados sigilosos de parentes de ministros do STF.
A OAB afirma que “é inegável que a instauração do referido inquérito ocorreu em ambiente de grave tensão institucional, marcado por ataques reiterados à honra e à segurança de Ministros da Suprema Corte” – que “desempenhou papel central na defesa da ordem constitucional e na preservação da estabilidade democrática”.
No entanto, segundo a Ordem, “superada a conjuntura mais aguda” que originou o inquérito das fake news, “impõe-se redobrada atenção aos parâmetros constitucionais que regem a persecução estatal”.
“Justamente por se tratar de solução institucional extraordinária, concebida para responder a circunstâncias igualmente extraordinárias, sua condução e permanência no tempo reclamam cautela ainda maior, com estrita observância da excepcionalidade que lhe deu origem e dos limites constitucionais que legitimam a atuação estatal”, sustenta a OAB.
O inquérito das fake news foi aberto pelo então presidente do Supremo, Dias Toffoli, em março de 2019. Na ocasião, ele escolheu Moraes para ser o relator, a partir da interpretação de trechos do Regimento Interno do STF que tratavam de crimes cometidos contra a Corte.
O objetivo era investigar “notícias fraudulentas”, ofensas e ameaças que “atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares”.
Ao longo do tempo, fatos distintos foram investigados dentro do inquérito das fake news, até chegar recentemente aos servidores que atuam na Receita Federal – o que a OAB chamou de “elasticidade excessiva do objeto investigativo”.
“A lógica constitucional e processual do inquérito, no sistema brasileiro, é a de instrumento voltado à investigação de fatos determinados (…), e não a de procedimento aberto à absorção sucessiva de condutas distintas, conforme novas conexões sejam afirmadas ao longo do tempo”, diz a Ordem.
“Essa preocupação se acentua diante de relatos recentes sobre a inclusão, no âmbito do mesmo procedimento, de pessoas e fatos que, embora possam merecer apuração rigorosa por canais próprios, não se apresentam de forma imediatamente aderente ao núcleo originário que justificou a instauração do inquérito.”
A Ordem afirma que “a defesa da democracia (…) não se esgota na repressão a ataques institucionais; ela se completa com a observância estrita do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da liberdade de expressão”.
“Nessa linha, a OAB reputa indispensável reafirmar a proteção ao livre exercício profissional e às garantias constitucionais de todos aqueles que exercem funções essenciais à vida democrática, com menção à atividade jornalística e, com especial ênfase, às prerrogativas de advogados e advogadas”, diz a entidade.
A OAB conclui o ofício solicitando uma audiência com Fachin para expor seus argumentos sobre o tema, pede que “sejam adotadas providências voltadas à conclusão dos chamados inquéritos de natureza perpétua” e que “não haja a instauração de novos procedimentos com essa mesma conformação expansiva e indefinida”.
Related Posts
Alvo da Polícia Federal, o Banco de Brasília assumiu gastos questionáveis para um banco estatal regional
O Banco de Brasília (BRB) mudou sua política de investimentos sob o governador Ibaneis Rocha. (Foto: Divulgação) Alvo de apuração da Polícia Federal (PF) por suposta gestão temerária relacionada à tentativa de aquisição do Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) alterou sua política de investimentos nos últimos anos, durante a administração do governador Ibaneis …
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro será advogado do pai no Supremo
Inclusão de Flávio ocorre após nova negativa a pedido de prisão domiciliar de Bolsonaro e amplia participação da família na defesa do ex-presidente. (Foto: Agência Alesp) O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi incluído nessa segunda-feira (2) como advogado de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo de execução penal decorrente da condenação a 27 anos …
Caso seja reeleito, Lula pode se tornar o quarto chefe de Estado com mais de 80 anos a tomar posse na história do continente
Lula já é o presidente mais idoso da história brasileira, pois assumiu o mandato aos 77 anos, em 2023. Foto: Ricardo Stuckert/PR Lula já é o presidente mais idoso da história brasileira, pois assumiu o mandato aos 77 anos, em 2023.(Foto: Ricardo Stuckert/PR) Caso consiga a reeleição no ano que vem, o presidente Luiz Inácio …
Enquanto o presidente do Senado expressa a torcida para que o amigo Rodrigo Pacheco seja indicado para o Supremo, o senador mineiro vive hoje o que pessoas próximas consideram ser um dilema
Aliados de Pacheco dizem que ele não esconde o desejo de ser ministro do Supremo. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado) Enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), expressa a torcida para que o amigo Rodrigo Pacheco (PSD-MG) seja indicado para o STF (Supremo Tribunal Federal), o senador mineiro vive hoje o que pessoas próximas …