Em recente reunião com militantes de movimentos sociais, Gilberto fez uma autocrítica e afirmou que o PT precisa entender o novo momento político. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou aliados históricos para integrar o núcleo de sua campanha ao quarto mandato. Em café da manhã no Palácio da Alvorada com amigos da velha-guarda petista, na última segunda-feira, 16, Lula afirmou que a disputa deste ano será “muito dura” e pediu a montagem de um gabinete da “pronta-resposta” para rebater o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário.
A preocupação da cúpula do PT, hoje, é com o fato de o governo não conseguir ultrapassar a marca de 40% de aprovação nas pesquisas de intenção de voto. Nos últimos levantamentos, o apoio à atual gestão ficou na faixa de 32% a 33%. Agora, o dilema consiste em como conseguir superar a avaliação negativa. Não sem motivo: mesmo com indicadores econômicos melhores, com inflação controlada e a menor taxa de desemprego desde 2012, há um clima de pessimismo no País.
Sob a coordenação do presidente do PT, Edinho Silva, a equipe da campanha de Lula será composta por nomes que já o acompanharam em outras eleições. Na lista estão o secretário de Economia Popular e Solidária, Gilberto Carvalho; o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social); o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a secretária executiva do Foro de São Paulo, Monica Valente, e o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, além do ex-prefeito de Diadema José de Filippi Júnior na tesouraria.
O time ainda será ampliado e o titular da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), é um dos nomes que devem compor a coordenação.
Mesmo antes do início oficial da campanha, em agosto, a ordem no Palácio do Planalto e no PT é para que, de agora em diante, todos se refiram sempre ao desafiante de Lula como “Flávio Bolsonaro”, e não apenas “Flávio”.
A artilharia petista vinha poupando o senador porque havia o receio de que, se ele fosse totalmente desconstruído agora, o ex-presidente Jair Bolsonaro pudesse chamar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para ser o candidato à sucessão de Lula. E, no diagnóstico do PT, Tarcísio sempre foi considerado mais perigoso do que Flávio.
Tudo mudou, no entanto, com o crescimento repentino do senador, o que fez a luz vermelha acender no Planalto. A nova estratégia delineada pelo comando do PT também prevê palavras de ordem, como dizer ao eleitor que Flávio é “golpista como o pai” – frase já usada pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, hoje candidato a deputado federal.
Além disso, o partido destacará acusações que pesam contra o filho “01″ de Bolsonaro, como a do escândalo da “rachadinha”, e o que pode acontecer com o Brasil se “eles” ganharem.
Entre os itens que serão associados a uma possível vitória do bolsonarismo constam a desvinculação do salário mínimo como parâmetro para o reajuste das aposentadorias e a submissão do Brasil ao governo de Donald Trump nos Estados Unidos.
O publicitário baiano Raul Rabelo vai ser o marqueteiro da campanha de Lula. Braço direito de Sidônio Palmeira, hoje ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Rabelo já havia atuado ao lado do antigo sócio no programa eleitoral do petista, em 2022.
A avaliação no Planalto é que, com o avanço de Flávio nas pesquisas, Sidônio precisa continuar à frente da Secom porque o governo tem perdido a batalha da comunicação.
“Esta é a campanha da realidade paralela, agravada pelo uso da Inteligência Artificial”, disse Gilberto Carvalho. “É tudo muito diferente do que era antes e há muitos problemas a serem enfrentados: a crise no INSS, o caso do Banco Master, a capacidade de narrativa da direita – especialmente em temas como a família e o aborto –, a lavagem cerebral com a força das redes sociais e a presença do neofascismo.”
Ex-chefe de gabinete de Lula em seus dois mandatos anteriores e ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência na gestão de Dilma Rousseff, Gilberto deixará no fim deste mês a pasta que comanda, no Ministério do Trabalho, para se dedicar à campanha.
Conhecido por ler todo dia uma passagem da Bíblia, antes de iniciar o expediente, o ex-ministro e ex-seminarista será responsável pela agenda de Lula e, ainda, por investir em articulações para melhorar o diálogo com as igrejas, onde o conservadorismo vem crescendo.
Em recente reunião com militantes de movimentos sociais, Gilberto fez uma autocrítica e afirmou que o PT precisa entender o novo momento político. “Há também os nossos erros, como a ilusão sobre o nosso êxito, o recuo na presença nas periferias, a concentração na luta institucional, a falta do trabalho de base, e assim por diante”, insistiu. (Por Vera Rosa, portal Estadão).
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Eleições 2026: Lula convoca aliados históricos para tentar estancar crescimento de Flávio Bolsonaro
Em recente reunião com militantes de movimentos sociais, Gilberto fez uma autocrítica e afirmou que o PT precisa entender o novo momento político. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou aliados históricos para integrar o núcleo de sua campanha ao quarto mandato. Em café da manhã no Palácio da Alvorada com amigos da velha-guarda petista, na última segunda-feira, 16, Lula afirmou que a disputa deste ano será “muito dura” e pediu a montagem de um gabinete da “pronta-resposta” para rebater o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário.
A preocupação da cúpula do PT, hoje, é com o fato de o governo não conseguir ultrapassar a marca de 40% de aprovação nas pesquisas de intenção de voto. Nos últimos levantamentos, o apoio à atual gestão ficou na faixa de 32% a 33%. Agora, o dilema consiste em como conseguir superar a avaliação negativa. Não sem motivo: mesmo com indicadores econômicos melhores, com inflação controlada e a menor taxa de desemprego desde 2012, há um clima de pessimismo no País.
Sob a coordenação do presidente do PT, Edinho Silva, a equipe da campanha de Lula será composta por nomes que já o acompanharam em outras eleições. Na lista estão o secretário de Economia Popular e Solidária, Gilberto Carvalho; o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social); o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a secretária executiva do Foro de São Paulo, Monica Valente, e o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, além do ex-prefeito de Diadema José de Filippi Júnior na tesouraria.
O time ainda será ampliado e o titular da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), é um dos nomes que devem compor a coordenação.
Mesmo antes do início oficial da campanha, em agosto, a ordem no Palácio do Planalto e no PT é para que, de agora em diante, todos se refiram sempre ao desafiante de Lula como “Flávio Bolsonaro”, e não apenas “Flávio”.
A artilharia petista vinha poupando o senador porque havia o receio de que, se ele fosse totalmente desconstruído agora, o ex-presidente Jair Bolsonaro pudesse chamar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para ser o candidato à sucessão de Lula. E, no diagnóstico do PT, Tarcísio sempre foi considerado mais perigoso do que Flávio.
Tudo mudou, no entanto, com o crescimento repentino do senador, o que fez a luz vermelha acender no Planalto. A nova estratégia delineada pelo comando do PT também prevê palavras de ordem, como dizer ao eleitor que Flávio é “golpista como o pai” – frase já usada pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, hoje candidato a deputado federal.
Além disso, o partido destacará acusações que pesam contra o filho “01″ de Bolsonaro, como a do escândalo da “rachadinha”, e o que pode acontecer com o Brasil se “eles” ganharem.
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A avaliação no Planalto é que, com o avanço de Flávio nas pesquisas, Sidônio precisa continuar à frente da Secom porque o governo tem perdido a batalha da comunicação.
“Esta é a campanha da realidade paralela, agravada pelo uso da Inteligência Artificial”, disse Gilberto Carvalho. “É tudo muito diferente do que era antes e há muitos problemas a serem enfrentados: a crise no INSS, o caso do Banco Master, a capacidade de narrativa da direita – especialmente em temas como a família e o aborto –, a lavagem cerebral com a força das redes sociais e a presença do neofascismo.”
Ex-chefe de gabinete de Lula em seus dois mandatos anteriores e ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência na gestão de Dilma Rousseff, Gilberto deixará no fim deste mês a pasta que comanda, no Ministério do Trabalho, para se dedicar à campanha.
Conhecido por ler todo dia uma passagem da Bíblia, antes de iniciar o expediente, o ex-ministro e ex-seminarista será responsável pela agenda de Lula e, ainda, por investir em articulações para melhorar o diálogo com as igrejas, onde o conservadorismo vem crescendo.
Em recente reunião com militantes de movimentos sociais, Gilberto fez uma autocrítica e afirmou que o PT precisa entender o novo momento político. “Há também os nossos erros, como a ilusão sobre o nosso êxito, o recuo na presença nas periferias, a concentração na luta institucional, a falta do trabalho de base, e assim por diante”, insistiu. (Por Vera Rosa, portal Estadão).
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