Senador perde a carta do combate à corrupção, que vinha usando contra Lula.(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
Os diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, revelados pelo site Intercept Brasil, jogaram a campanha do senador em uma crise que pode ser fatal.
Publicamente ninguém admite, mas nos bastidores muitos dos aliados do senador têm dúvidas de que ele conseguirá se manter na disputa presidencial.
O nome de Michelle Bolsonaro começou a ser mencionado como uma possível substituta. Alguns acham até que o PL não deveria ter candidato e apoiar Romeu Zema ou Ronaldo Caiado.
Por enquanto, Flávio se mantém no jogo, mas o impacto das mensagens é desastroso, e por vários motivos.
Primeiro, acabou a fase de Flávio nadar de braçada, apenas explorando os erros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que era o que vinha acontecendo até aqui. Essas revelações ocorrem em um momento em que o presidente começa a sair das cordas, com uma série de notícias positivas. Ele teve um bom encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o novo Desenrola e o fim da chamada taxa das blusinhas, por exemplo.
Pior para Flávio, ficou mais difícil agora pra ele usar a carta da corrupção contra Lula. Cada vez que ele mencionar a palavra Master, imediatamente surgirá a lembrança do diálogo pra lá de amistoso com Vorcaro.
Acusar o Lula de ter recebido o banqueiro numa audiência no Palácio do Planalto parece coisa pequena, em comparação. O presidente nunca chamou Vorcaro de irmão, nem disse “estarei contigo sempre”, como fez Flávio.
O senador também foi “pego no pulo”, quando disse que nunca teve contato com Vorcaro, o que arranha ainda mais sua credibilidade.
Por fim, temos o pedido em si, que chegaria a incríveis R$ 134 milhões para um filme em homenagem a seu pai.
Um candidato a presidente que promete austeridade e corte de gastos supérfluos, mas pede essa quantia astronômica a um banqueiro enrolado em corrupção é um prato cheio para seus adversários.
Se a candidatura de Flávio realmente sobreviver, sai machucada desse episódio. O governo ganhou muitos motivos para emplacar o slogan Bolsomaster, e no mínimo neutralizar uma bandeira importante do senador, que é o combate à corrupção.
A eleição ainda está distante, a campanha de verdade nem começou ainda, e muita coisa ainda acontecerá. Quem sabe o que mais vem pela frente com base no temido celular de Vorcaro? Mas a vida da oposição acaba de ficar bem mais difícil. (Com informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo)
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Diálogo com Vorcaro pode ser fatal para campanha de Flávio Bolsonaro
Senador perde a carta do combate à corrupção, que vinha usando contra Lula.(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
Os diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, revelados pelo site Intercept Brasil, jogaram a campanha do senador em uma crise que pode ser fatal.
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Primeiro, acabou a fase de Flávio nadar de braçada, apenas explorando os erros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que era o que vinha acontecendo até aqui. Essas revelações ocorrem em um momento em que o presidente começa a sair das cordas, com uma série de notícias positivas. Ele teve um bom encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o novo Desenrola e o fim da chamada taxa das blusinhas, por exemplo.
Pior para Flávio, ficou mais difícil agora pra ele usar a carta da corrupção contra Lula. Cada vez que ele mencionar a palavra Master, imediatamente surgirá a lembrança do diálogo pra lá de amistoso com Vorcaro.
Acusar o Lula de ter recebido o banqueiro numa audiência no Palácio do Planalto parece coisa pequena, em comparação. O presidente nunca chamou Vorcaro de irmão, nem disse “estarei contigo sempre”, como fez Flávio.
O senador também foi “pego no pulo”, quando disse que nunca teve contato com Vorcaro, o que arranha ainda mais sua credibilidade.
Por fim, temos o pedido em si, que chegaria a incríveis R$ 134 milhões para um filme em homenagem a seu pai.
Um candidato a presidente que promete austeridade e corte de gastos supérfluos, mas pede essa quantia astronômica a um banqueiro enrolado em corrupção é um prato cheio para seus adversários.
Se a candidatura de Flávio realmente sobreviver, sai machucada desse episódio. O governo ganhou muitos motivos para emplacar o slogan Bolsomaster, e no mínimo neutralizar uma bandeira importante do senador, que é o combate à corrupção.
A eleição ainda está distante, a campanha de verdade nem começou ainda, e muita coisa ainda acontecerá. Quem sabe o que mais vem pela frente com base no temido celular de Vorcaro? Mas a vida da oposição acaba de ficar bem mais difícil. (Com informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo)
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