O tom adotado por Tarcísio no evento de apoiadores do ex-presidente foi muito mal-recebido dentro do STF. (Foto: Reprodução/YouTube)
Depois de o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, bater forte na Justiça brasileira, em particular no ministro Alexandre de Moraes, em seu discurso em defesa de Bolsonaro na Avenida Paulista, aliados dele saíram em sua defesa alegando que, neste momento, ele precisa fazer esse gesto na direção do ex-presidente para assegurar apoio para disputar a Presidência no ano que vem.
Depois, disseram esses interlocutores, ele terá tempo para refazer pontes com o Supremo Tribunal Federal (STF) e acenar novamente para o eleitorado mais moderado.
O tom adotado por Tarcísio no evento de apoiadores do ex-presidente, quando atacou o que chamou de ditadura do poder judiciário e afirmou que ninguém aguenta mais a “tirania” do ministro Alexandre de Moraes, foi muito mal-recebido dentro do STF.
Ministros reagiram nos bastidores dizendo que o governador “rasgou a fantasia”, se mostrou como um “sósia” de Bolsonaro e demonstrou que pode fazer qualquer coisa para agradar seu criador, o ex-presidente da República.
Publicamente, a resposta veio ainda no último domingo (7), em uma postagem do decano do tribunal, o ministro Gilmar Mendes.
Sem citar o governador paulista, Gilmar foi direto: criticou ataques às instituições, disse que não há ditadura da toga tampouco ministros agindo como tiranos.
Foi um resumo da ação penal do golpe. Finalizou, ainda falando diretamente para Tarcísio de Freitas, que o que Brasil não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe que, ao longo de sua história, ameaçaram a democracia e a liberdade do povo.
Segundo o decano, é “fundamental que se reafirme: crimes contra o Estado Democrático de Direita são insuscetíveis de perdão! Cabe às instituições puni-los com rigor e garantir que jamais se repitam”.
Aliados do governador reconhecem que a estratégia atual envolve riscos. Num primeiro momento, ele fecha portas dentro do STF, tribunal com o qual sempre teve um excelente relacionamento. Além disso, deve se desgastar com o eleitorado de centro que tem ressalvas ao comportamento de Bolsonaro, perdendo pontos nas pesquisas de intenção de voto.
“Mas ele tem tempo neste final de ano e início do próximo para fazer uma correção de rumo, refazer pontes, primeiro ele precisa se consolidar como candidato à Presidência com o apoio de Bolsonaro”, diz um interlocutor do governador.
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