Para professor, o único que é grande o suficiente (na América Latina) para parar Trump e dizer “chega” aos EUA é o Brasil. (Foto: Daniel Torok/The White House)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai continuar “se metendo” nos países da América Latina depois da operação militar que resultou na prisão de Nicolás Maduro, no último sábado (3).
Mas as ações de Trump não serão iguais para todos porque cada país tem um peso global e uma conjuntura interna diferentes.
A avaliação é de Erick Langer, professor de história na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.
Em entrevista à BBC News Brasil, o professor diz que “Trump quer criar uma colônia econômica na Venezuela”, com foco na extração de petróleo por empresas dos Estados Unidos.
“Os Estados Unidos querem transformar a Venezuela em um país dependente do próprio Estados Unidos, através do petróleo venezuelano. Tudo indica que, para Trump, não importa o regime que esteja lá na Venezuela. Ou seja, a ditadura chavista pode continuar, mudando apenas de nome, e com o mesmo sofrimento do povo venezuelano”, diz Langer, que foi diretor do Centro Latino-Americano da Universidade de Georgetown e é casado com uma venezuelana.
O especialista avalia que a operação americana que deteve Maduro contou com o apoio de integrantes da cúpula do chavismo, como Delcy Rodríguez, vice-presidente do país nomeada presidente interina da Venezuela.
“Acho que Delcy Rodríguez e Diosdado Cabello (um dos quadros fortes do chavismo) fizeram um acordo e traíram Maduro… para ficar com o poder”, afirmou.
Em contrapartida, Rodríguez teria sido apoiada por Washington em detrimento de María Corina Machado, líder da oposição venezuelana.
“(Trump) não quer a María Corina porque ela não é tão manipulável como Delcy Rodríguez apesar de, claramente, María Corina também querer abrir o mercado para empresas de petróleo de fora”, avalia o professor.
Langer também acredita que Trump passará a pressionar o México para que não ajude Cuba, porque seu objetivo é “estrangular ainda mais” a economia cubana.
Segundo o especialista, o presidente dos Estados Unidos quer dominar todo “o hemisfério americano” e buscará influenciar as eleições presidenciais brasileiras neste ano.
“Mas vai acabar prejudicando a direita porque o nacionalismo falará mais forte”, pontua.
“O Brasil é o grande contrapeso” contra as investidas de Trump, acrescenta.
Veja trechos da entrevista:
1) Neste ano, 2026, serão realizadas eleições no Peru, na Colômbia, no Brasil, no Haiti e na Costa Rica. Depois do que ocorreu na Venezuela, Trump poderá buscar influenciar nestes pleitos — como a oposição em Honduras, por exemplo, diz ter ocorrido na eleição recente no país?
Tenho certeza de que Trump vai se meter, quando puder. Mas acho que os povos não se deixam vender. Mas claro que temos que pensar no que aconteceu com Milei (Javier Milei, presidente da Argentina, nas eleições legislativas de outubro passado), quando os Estados Unidos anunciaram ajuda de US$ 20 bilhões.
Não entendo muito bem por que os argentinos votaram como votaram (ampliando a participação da base governista de Milei no Congresso).
Acho que o eleitorado não via alternativas porque o peronismo está muito desgastado para boa parte da população do país. No caso do Peru, acho que a classe política não tem muita presença popular…
Mas no Peru a economia funciona bem, apesar da instabilidade política já tradicional — porque os presidentes costumam durar pouco tempo no cargo, além de perderem a popularidade rapidamente.
2) No Peru, existe uma espécie de divórcio entre o caminhar da economia e o que ocorre na cúpula da política, com quedas seguidas de presidentes…
3) E em relação às eleições no Brasil? Na sua opinião, pode ocorrer alguma forma de influência de Trump?
Com certeza. Não tenho a menor dúvida. E acho que a interferência dos Estados Unidos na vida política brasileira não vai favorecer os partidos da direita, porque isto servirá como arma para o nacionalismo dos demais.
E claro que, se Lula continuar sendo forte e se continuar assim, muito contido com o que aconteceu na Venezuela — porque, na verdade, foi muito contido —, esta calma continuará sendo uma potência contra (a direita).
O único que é grande o suficiente para parar (Trump) e dizer “chega” aos Estados Unidos é o Brasil. (Com informações da BBC News Brasil)
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai continuar “se metendo” nos países da América Latina depois da operação militar que resultou na prisão de Nicolás Maduro, no último sábado (3).
Mas as ações de Trump não serão iguais para todos porque cada país tem um peso global e uma conjuntura interna diferentes.
A avaliação é de Erick Langer, professor de história na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos.
Em entrevista à BBC News Brasil, o professor diz que “Trump quer criar uma colônia econômica na Venezuela”, com foco na extração de petróleo por empresas dos Estados Unidos.
“Os Estados Unidos querem transformar a Venezuela em um país dependente do próprio Estados Unidos, através do petróleo venezuelano. Tudo indica que, para Trump, não importa o regime que esteja lá na Venezuela. Ou seja, a ditadura chavista pode continuar, mudando apenas de nome, e com o mesmo sofrimento do povo venezuelano”, diz Langer, que foi diretor do Centro Latino-Americano da Universidade de Georgetown e é casado com uma venezuelana.
O especialista avalia que a operação americana que deteve Maduro contou com o apoio de integrantes da cúpula do chavismo, como Delcy Rodríguez, vice-presidente do país nomeada presidente interina da Venezuela.
“Acho que Delcy Rodríguez e Diosdado Cabello (um dos quadros fortes do chavismo) fizeram um acordo e traíram Maduro… para ficar com o poder”, afirmou.
Em contrapartida, Rodríguez teria sido apoiada por Washington em detrimento de María Corina Machado, líder da oposição venezuelana.
“(Trump) não quer a María Corina porque ela não é tão manipulável como Delcy Rodríguez apesar de, claramente, María Corina também querer abrir o mercado para empresas de petróleo de fora”, avalia o professor.
Langer também acredita que Trump passará a pressionar o México para que não ajude Cuba, porque seu objetivo é “estrangular ainda mais” a economia cubana.
Segundo o especialista, o presidente dos Estados Unidos quer dominar todo “o hemisfério americano” e buscará influenciar as eleições presidenciais brasileiras neste ano.
“Mas vai acabar prejudicando a direita porque o nacionalismo falará mais forte”, pontua.
“O Brasil é o grande contrapeso” contra as investidas de Trump, acrescenta.
Veja trechos da entrevista:
1) Neste ano, 2026, serão realizadas eleições no Peru, na Colômbia, no Brasil, no Haiti e na Costa Rica. Depois do que ocorreu na Venezuela, Trump poderá buscar influenciar nestes pleitos — como a oposição em Honduras, por exemplo, diz ter ocorrido na eleição recente no país?
Tenho certeza de que Trump vai se meter, quando puder. Mas acho que os povos não se deixam vender. Mas claro que temos que pensar no que aconteceu com Milei (Javier Milei, presidente da Argentina, nas eleições legislativas de outubro passado), quando os Estados Unidos anunciaram ajuda de US$ 20 bilhões.
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Acho que o eleitorado não via alternativas porque o peronismo está muito desgastado para boa parte da população do país. No caso do Peru, acho que a classe política não tem muita presença popular…
Mas no Peru a economia funciona bem, apesar da instabilidade política já tradicional — porque os presidentes costumam durar pouco tempo no cargo, além de perderem a popularidade rapidamente.
2) No Peru, existe uma espécie de divórcio entre o caminhar da economia e o que ocorre na cúpula da política, com quedas seguidas de presidentes…
3) E em relação às eleições no Brasil? Na sua opinião, pode ocorrer alguma forma de influência de Trump?
Com certeza. Não tenho a menor dúvida. E acho que a interferência dos Estados Unidos na vida política brasileira não vai favorecer os partidos da direita, porque isto servirá como arma para o nacionalismo dos demais.
E claro que, se Lula continuar sendo forte e se continuar assim, muito contido com o que aconteceu na Venezuela — porque, na verdade, foi muito contido —, esta calma continuará sendo uma potência contra (a direita).
O único que é grande o suficiente para parar (Trump) e dizer “chega” aos Estados Unidos é o Brasil. (Com informações da BBC News Brasil)
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2026-01-06
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