Solução caseira, ministra é quadro histórico do PT e é a aposta de Lula para tocar máquina sem surpresas até o segundo turno. (Foto: Henrique Raynal/CC)
Confirmada como a nova ministra da Casa Civil, Miriam Belchior já era, na prática, como secretária-executiva, a engrenagem que mantinha em funcionamento a pasta responsável pela gestão do governo. Agora, sua missão será dar continuidade à máquina federal em um momento em que cerca de 20 ministros devem se licenciar dos cargos para concorrer às eleições e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem pouco tempo para fazer entregas antes das restrições impostas pela legislação eleitoral.
Quadro histórico do PT com ampla trajetória em administrações anteriores do partido, Miriam Belchior foi nomeada em janeiro de 2023 para o segundo posto mais importante da Casa Civil devido a uma escolha pessoal de Lula. Mas, mesmo com uma linha direta com o chefe do Executivo, sempre foi rigorosa com a liturgia exigida pelo cargo e nunca atropelou seu superior direto. Não demorou, dessa forma, a consolidar-se como braço direito de Rui Costa, que deixa o comando da Casa Civil para disputar o Senado pelo PT da Bahia.
Aos 68 anos, a petista é ligada à chamada “turma do ABC” paulista, um grupo de técnicos e sindicalistas que trabalhou em prefeituras da região. Ao longo de sua vida pública, foi “testada” em diversos espaços e acumulou passagens em funções estratégicas: foi assessora especial da Presidência no primeiro governo Lula, ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão entre 2011 e 2014 e presidente da Caixa Econômica Federal de 2015 a maio de 2016, ambas as funções no governo de Dilma Rousseff. Entre 2003 e 2010, atuou na Casa Civil e foi responsável pelo monitoramento dos projetos estratégicos do governo federal e pela articulação e monitoramento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É mestre em administração pública pela Fundação Getulio Vargas.
Nos últimos anos, Miriam já assumia o comando da Casa Civil sempre que o titular se ausentava de Brasília. Com autonomia e confiança de Lula, tornou-se uma das figuras mais influentes da Esplanada, ainda que longe dos holofotes. Ela passou a ser um dos principais pontos de consulta de ministros quando o assunto envolvia o Orçamento ou quando era preciso medir a temperatura política de uma proposta dentro do governo. Rotineiramente, os chefes das pastas costumavam ir ao seu gabinete para “pedir bênção” aos projetos.
Assim, construiu uma rede de confiança dentro do governo. Antes de levarem temas a Rui Costa, por exemplo, ministros e secretários-executivos frequentemente recorriam a Miriam em busca de uma avaliação prévia. Funcionava como um filtro técnico e político.
Parte desse papel vinha de sua atuação na coordenação interna do governo. Ela reunia mensalmente os secretários-executivos dos ministérios para alinhar prioridades e evitar sobreposição de agendas. Se Rui era conhecido pelo acompanhamento rigoroso das políticas, Miriam ia além e, segundo um interlocutor, “olhava com a lente no detalhe”.
Os dois compartilham um perfil gerencial, mas com diferenças de estilo. Miriam é descrita por alguns como mais afetuosa no trato e considerada uma “mãezona” pela equipe mais próxima. Rui Costa, por exemplo, raramente celebra datas pessoais, como aniversários. Ela, ao contrário, costuma organizar cafés da manhã e pequenas confraternizações. Fora do círculo mais próximo, porém, o comportamento é mais rígido.
Na prática, seu gabinete sempre foi um lugar onde os colegas iam “chorar” por mais verbas e, no dia a dia, os assuntos orçamentários ficavam acumulados em sua mesa. Ela tratou de perto, por exemplo, da crise bilionária dos Correios, de recursos para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e do lançamento do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 2023.
A organização da Cúpula Climática da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2025, a COP30, em 2025, foi um dos exemplos de sua centralidade. Em meio a críticas sobre o andamento dos preparativos e receios com a estrutura da cidade, Miriam se instalou em Belém no início do evento para acompanhar de perto a execução das ações do governo, enquanto Rui Costa permaneceu por um período de cerca de uma semana.
Pela relação de décadas que acumula com Lula, Miriam também não se acanha na frente do presidente. Quando há divergências com o chefe do Executivo, ela aponta sua opinião e não se intimida com os argumentos do presidente. Pondera todos os cenários para evitar surpresas. Caso, mesmo assim, ele decida o contrário de sua sugestão, ela cumpre o que lhe foi pedido.
Discreta, Miriam evita exposição pública. Agarrada ao tradicional, ela gosta de conduzir as reuniões com apresentações detalhadas utilizando PowerPoint, e é também adepta a planilhas e papéis. Ainda assim, consegue manter a atenção do presidente, mesmo em explanações longas e técnicas. (Com informações do Valor Econômico)
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De perfil discreto, Miriam Belchior assume a Casa Civil do governo Lula
Solução caseira, ministra é quadro histórico do PT e é a aposta de Lula para tocar máquina sem surpresas até o segundo turno. (Foto: Henrique Raynal/CC)
Confirmada como a nova ministra da Casa Civil, Miriam Belchior já era, na prática, como secretária-executiva, a engrenagem que mantinha em funcionamento a pasta responsável pela gestão do governo. Agora, sua missão será dar continuidade à máquina federal em um momento em que cerca de 20 ministros devem se licenciar dos cargos para concorrer às eleições e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem pouco tempo para fazer entregas antes das restrições impostas pela legislação eleitoral.
Quadro histórico do PT com ampla trajetória em administrações anteriores do partido, Miriam Belchior foi nomeada em janeiro de 2023 para o segundo posto mais importante da Casa Civil devido a uma escolha pessoal de Lula. Mas, mesmo com uma linha direta com o chefe do Executivo, sempre foi rigorosa com a liturgia exigida pelo cargo e nunca atropelou seu superior direto. Não demorou, dessa forma, a consolidar-se como braço direito de Rui Costa, que deixa o comando da Casa Civil para disputar o Senado pelo PT da Bahia.
Aos 68 anos, a petista é ligada à chamada “turma do ABC” paulista, um grupo de técnicos e sindicalistas que trabalhou em prefeituras da região. Ao longo de sua vida pública, foi “testada” em diversos espaços e acumulou passagens em funções estratégicas: foi assessora especial da Presidência no primeiro governo Lula, ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão entre 2011 e 2014 e presidente da Caixa Econômica Federal de 2015 a maio de 2016, ambas as funções no governo de Dilma Rousseff. Entre 2003 e 2010, atuou na Casa Civil e foi responsável pelo monitoramento dos projetos estratégicos do governo federal e pela articulação e monitoramento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). É mestre em administração pública pela Fundação Getulio Vargas.
Nos últimos anos, Miriam já assumia o comando da Casa Civil sempre que o titular se ausentava de Brasília. Com autonomia e confiança de Lula, tornou-se uma das figuras mais influentes da Esplanada, ainda que longe dos holofotes. Ela passou a ser um dos principais pontos de consulta de ministros quando o assunto envolvia o Orçamento ou quando era preciso medir a temperatura política de uma proposta dentro do governo. Rotineiramente, os chefes das pastas costumavam ir ao seu gabinete para “pedir bênção” aos projetos.
Assim, construiu uma rede de confiança dentro do governo. Antes de levarem temas a Rui Costa, por exemplo, ministros e secretários-executivos frequentemente recorriam a Miriam em busca de uma avaliação prévia. Funcionava como um filtro técnico e político.
Parte desse papel vinha de sua atuação na coordenação interna do governo. Ela reunia mensalmente os secretários-executivos dos ministérios para alinhar prioridades e evitar sobreposição de agendas. Se Rui era conhecido pelo acompanhamento rigoroso das políticas, Miriam ia além e, segundo um interlocutor, “olhava com a lente no detalhe”.
Os dois compartilham um perfil gerencial, mas com diferenças de estilo. Miriam é descrita por alguns como mais afetuosa no trato e considerada uma “mãezona” pela equipe mais próxima. Rui Costa, por exemplo, raramente celebra datas pessoais, como aniversários. Ela, ao contrário, costuma organizar cafés da manhã e pequenas confraternizações. Fora do círculo mais próximo, porém, o comportamento é mais rígido.
Na prática, seu gabinete sempre foi um lugar onde os colegas iam “chorar” por mais verbas e, no dia a dia, os assuntos orçamentários ficavam acumulados em sua mesa. Ela tratou de perto, por exemplo, da crise bilionária dos Correios, de recursos para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e do lançamento do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 2023.
A organização da Cúpula Climática da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2025, a COP30, em 2025, foi um dos exemplos de sua centralidade. Em meio a críticas sobre o andamento dos preparativos e receios com a estrutura da cidade, Miriam se instalou em Belém no início do evento para acompanhar de perto a execução das ações do governo, enquanto Rui Costa permaneceu por um período de cerca de uma semana.
Pela relação de décadas que acumula com Lula, Miriam também não se acanha na frente do presidente. Quando há divergências com o chefe do Executivo, ela aponta sua opinião e não se intimida com os argumentos do presidente. Pondera todos os cenários para evitar surpresas. Caso, mesmo assim, ele decida o contrário de sua sugestão, ela cumpre o que lhe foi pedido.
Discreta, Miriam evita exposição pública. Agarrada ao tradicional, ela gosta de conduzir as reuniões com apresentações detalhadas utilizando PowerPoint, e é também adepta a planilhas e papéis. Ainda assim, consegue manter a atenção do presidente, mesmo em explanações longas e técnicas. (Com informações do Valor Econômico)
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