Vorcaro (foto) repassou a quantia e senador cobrou mais e escreveu “estarei contigo sempre”, conforme revelado pelo Intercept. (Foto: Reprodução)
Pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse” (que significa “azarão”), que trata da vida do ex-presidente, e um áudio de setembro de 2025 mostra o senador do PL cobrando mais recursos do ex-banqueiro.
As informações foram reveladas pelo site The Intercept Brasil, e a autenticidade das mensagens trocadas entre eles foi confirmada pela Folha de S.Paulo com duas pessoas ligadas à investigação.
Em nota, Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens.
“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou. No comunicado, ele disse que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, “quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, completou Flávio, dizendo ainda ser a favor da CPI do Master.
O pré-candidato do PL à Presidência vinha buscando se descolar do escândalo do Master. Após seu aliado Ciro Nogueira (PP-PI) ser alvo de operação da PF, Flávio afirmou na última sexta-feira (8) que “querem me vincular com o Ciro Nogueira, mas o Banco Master é do Lula”.
Flávio havia negado, há dois meses, ter tido qualquer contato com Vorcaro, quando a Folha revelou que seu número de telefone estava na agenda do ex-banqueiro.
A revelação sobre as mensagens trocadas com Vorcaro gerou apreensão entre bolsonaristas, e o pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo), que já foi cotado para vice de Flávio, chamou a relação de “imperdoável, um tapa na cara”. Presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado disse que “a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados”.
Conforme revelado pelo Intercept, Flávio afirmou a Vorcaro em mensagem enviada em 8 de setembro do ano passado: “Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”.
“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, acrescentou o senador na ocasião. Jim Cazaviel vive Jair Bolsonaro no filme. Cyrus Nowrasteh é o diretor da película.
As mensagens foram enviadas cinco dias depois de o Banco Central vetar a compra do Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília). A liquidação só viria em novembro, junto com a primeira prisão de Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro.
No dia 16 de novembro, como relatou o Intercept, Flávio enviou outra mensagem para Vorcaro dizendo: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Nos meses entre o veto à venda ao BRB e a liquidação pelo BC, Vorcaro tentava viabilizar uma forma de vender o Banco Master.
O Intercept afirma que o valor total negociado entre Vorcaro e a família Bolsonaro era de R$ 134 milhões, mas não há evidências de que todo o dinheiro teria sido repassado.
Um pedaço do montante teria sido transferido de uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos. Esse fundo seria controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive no país.
Apesar das mensagens trocadas por Flávio com Vorcaro, de o senador ter admitido o pedido dos recursos e justificado que havia parcelas em atraso, a Go Up Entertainment, produtora do “Dark Horse”, negou à Folha o recebimento de repasses do ex-banqueiro do Master.
Segundo Karina Ferreira da Gama, sócia-administradora da empresa, a produtora só tem investimentos estrangeiros, sem ligação com Vorcaro. A Go Up Entertainment afirmou não poder revelar qual a fonte de captação de recursos para o filme, mas disse que toda verba “vem de fora do país e é resguardada por um acordo de confidencialidade”.
O envolvimento de Vorcaro com o financiamento do filme não foi tratado só com Flávio. De acordo com o Intercept, Eduardo e o deputado Mario Frias (PL-SP) também trataram do assunto com o ex-banqueiro. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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Daniel Vorcaro pagou R$ 61 milhões para filme sobre Jair Bolsonaro
Vorcaro (foto) repassou a quantia e senador cobrou mais e escreveu “estarei contigo sempre”, conforme revelado pelo Intercept. (Foto: Reprodução)
Pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O ex-banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse” (que significa “azarão”), que trata da vida do ex-presidente, e um áudio de setembro de 2025 mostra o senador do PL cobrando mais recursos do ex-banqueiro.
As informações foram reveladas pelo site The Intercept Brasil, e a autenticidade das mensagens trocadas entre eles foi confirmada pela Folha de S.Paulo com duas pessoas ligadas à investigação.
Em nota, Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens.
“É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou. No comunicado, ele disse que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024, “quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, completou Flávio, dizendo ainda ser a favor da CPI do Master.
O pré-candidato do PL à Presidência vinha buscando se descolar do escândalo do Master. Após seu aliado Ciro Nogueira (PP-PI) ser alvo de operação da PF, Flávio afirmou na última sexta-feira (8) que “querem me vincular com o Ciro Nogueira, mas o Banco Master é do Lula”.
Flávio havia negado, há dois meses, ter tido qualquer contato com Vorcaro, quando a Folha revelou que seu número de telefone estava na agenda do ex-banqueiro.
A revelação sobre as mensagens trocadas com Vorcaro gerou apreensão entre bolsonaristas, e o pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo), que já foi cotado para vice de Flávio, chamou a relação de “imperdoável, um tapa na cara”. Presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado disse que “a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados”.
Conforme revelado pelo Intercept, Flávio afirmou a Vorcaro em mensagem enviada em 8 de setembro do ano passado: “Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”.
“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, acrescentou o senador na ocasião. Jim Cazaviel vive Jair Bolsonaro no filme. Cyrus Nowrasteh é o diretor da película.
As mensagens foram enviadas cinco dias depois de o Banco Central vetar a compra do Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília). A liquidação só viria em novembro, junto com a primeira prisão de Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro.
No dia 16 de novembro, como relatou o Intercept, Flávio enviou outra mensagem para Vorcaro dizendo: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Nos meses entre o veto à venda ao BRB e a liquidação pelo BC, Vorcaro tentava viabilizar uma forma de vender o Banco Master.
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Apesar das mensagens trocadas por Flávio com Vorcaro, de o senador ter admitido o pedido dos recursos e justificado que havia parcelas em atraso, a Go Up Entertainment, produtora do “Dark Horse”, negou à Folha o recebimento de repasses do ex-banqueiro do Master.
Segundo Karina Ferreira da Gama, sócia-administradora da empresa, a produtora só tem investimentos estrangeiros, sem ligação com Vorcaro. A Go Up Entertainment afirmou não poder revelar qual a fonte de captação de recursos para o filme, mas disse que toda verba “vem de fora do país e é resguardada por um acordo de confidencialidade”.
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