Uma ala de auxiliares minimiza consequências e afirma ainda não ser possível medir um desgaste com religiosos. (Foto: Reprodução/TV Globo)
O Palácio do Planalto detectou que a crítica feita por evangélicos e outros setores religiosos ao desfile de Carnaval que homenageou o presidente Lula (PT) foi amplamente difundida nas redes sociais, o que alarmou um grupo do governo.
Aliados de Lula receberam pesquisas mostrando que a repercussão imediata ao desfile na internet foi negativa para o presidente.
Lula tenta articular há anos uma aproximação com evangélicos, grupo mais ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Atrair o apoio desses religiosos tornou-se uma meta do governo neste ano, como uma forma de garantir vantagem eleitoral.
Auxiliares do presidente se dividem sobre as consequências do desfile. Um grupo do governo diz estar preocupado com a exploração política de uma ala da Acadêmicos de Niteroi que abordava símbolos relacionados à família, mas ainda não desenhou reação.
Outro grupo de aliados de Lula minimiza. Diz que não é a primeira vez que tentam desgatar o presidente junto ao público evangélico. A resposta desses aliados é dizer que o governo não teve participação no desenho do desfile e que a ala do desfile que tratou de família não falava de evangélicos. Eles lembram também que, em seu primeiro governo, Lula sancionou a chamada lei da liberdade religiosa e que já chegaram a dizer que o presidente fecharia templos, o que não aconteceu.
Além disso, essa ala também afirma que não daria tempo de medir um verdadeiro desgaste numa pesquisa, já que o desfile ocorreu no domingo (15).
Nos últimos dias, as frentes parlamentares evangélica e católica criticaram o desfile em homenagem a Lula pelas sátiras a famílias evangélicas e anunciaram o pedido de medidas judiciais contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro.
O incômodo das bancadas religiosas ocorreu pela ala “neoconservadores em conserva”, que retratava famílias de grupos identificados com a direita (evangélicos e representantes do agronegócio), como famílias dentro de latas de conserva.
Nesta quarta (18), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou um meme da sua família dentro de uma lata em conserva ironizando e criticando o desfile da Acadêmico de Niterói.
A Frente Parlamentar Evangélica divulgou nota de repúdio à “conduta desrespeitosa e afrontosa” da escola no Carnaval. “É inadmissível que o direito à manifestação cultural seja distorcido para promover escárnio contra a fé cristã e o deboche aberto aos valores conservadores que sustentam nossa sociedade”, diz o texto.
O deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP), presidente da frente, afirmou que acionará a PGR (Procuradoria-Geral da República) e o Poder Judiciário para responsabilização criminal e cível dos envolvidos. “O que vimos foi uma afronta, lamentavelmente financiada com dinheiro público, pelos nossos impostos”, afirma.
A escola de samba recebeu R$ 1 milhão da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), mesmo valor entregue pela estatal às demais escolas do grupo principal do Carnaval do Rio.
O presidente da Frente Parlamentar Católica, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), disse que exigirá providências e a atuação dos órgãos competentes para a devida apuração dos fatos e eventual responsabilização.
“A fé cristã integra a identidade histórica e social do Brasil e inspira valores que estruturam milhões de famílias brasileiras. Representações que possam ser interpretadas como desqualificação ou ridicularização dessas convicções não contribuem para o ambiente de respeito que a democracia exige”, afirmou em nota.
A frente parlamentar evangélica foi reinstalada nesta legislatura com 210 deputados federais como signatários e 26 senadores. Já a católica foi criada com apoio de 194 deputados. Apesar do volume, o número de congressistas realmente ativos e que participam das atividades de cada grupo é menor. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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Críticas de setores religiosos a desfile em homenagem a Lula alarmam aliados do presidente
Uma ala de auxiliares minimiza consequências e afirma ainda não ser possível medir um desgaste com religiosos. (Foto: Reprodução/TV Globo)
O Palácio do Planalto detectou que a crítica feita por evangélicos e outros setores religiosos ao desfile de Carnaval que homenageou o presidente Lula (PT) foi amplamente difundida nas redes sociais, o que alarmou um grupo do governo.
Aliados de Lula receberam pesquisas mostrando que a repercussão imediata ao desfile na internet foi negativa para o presidente.
Lula tenta articular há anos uma aproximação com evangélicos, grupo mais ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Atrair o apoio desses religiosos tornou-se uma meta do governo neste ano, como uma forma de garantir vantagem eleitoral.
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Outro grupo de aliados de Lula minimiza. Diz que não é a primeira vez que tentam desgatar o presidente junto ao público evangélico. A resposta desses aliados é dizer que o governo não teve participação no desenho do desfile e que a ala do desfile que tratou de família não falava de evangélicos. Eles lembram também que, em seu primeiro governo, Lula sancionou a chamada lei da liberdade religiosa e que já chegaram a dizer que o presidente fecharia templos, o que não aconteceu.
Além disso, essa ala também afirma que não daria tempo de medir um verdadeiro desgaste numa pesquisa, já que o desfile ocorreu no domingo (15).
Nos últimos dias, as frentes parlamentares evangélica e católica criticaram o desfile em homenagem a Lula pelas sátiras a famílias evangélicas e anunciaram o pedido de medidas judiciais contra a escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro.
O incômodo das bancadas religiosas ocorreu pela ala “neoconservadores em conserva”, que retratava famílias de grupos identificados com a direita (evangélicos e representantes do agronegócio), como famílias dentro de latas de conserva.
Nesta quarta (18), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou um meme da sua família dentro de uma lata em conserva ironizando e criticando o desfile da Acadêmico de Niterói.
A Frente Parlamentar Evangélica divulgou nota de repúdio à “conduta desrespeitosa e afrontosa” da escola no Carnaval. “É inadmissível que o direito à manifestação cultural seja distorcido para promover escárnio contra a fé cristã e o deboche aberto aos valores conservadores que sustentam nossa sociedade”, diz o texto.
O deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP), presidente da frente, afirmou que acionará a PGR (Procuradoria-Geral da República) e o Poder Judiciário para responsabilização criminal e cível dos envolvidos. “O que vimos foi uma afronta, lamentavelmente financiada com dinheiro público, pelos nossos impostos”, afirma.
A escola de samba recebeu R$ 1 milhão da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo), mesmo valor entregue pela estatal às demais escolas do grupo principal do Carnaval do Rio.
O presidente da Frente Parlamentar Católica, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), disse que exigirá providências e a atuação dos órgãos competentes para a devida apuração dos fatos e eventual responsabilização.
“A fé cristã integra a identidade histórica e social do Brasil e inspira valores que estruturam milhões de famílias brasileiras. Representações que possam ser interpretadas como desqualificação ou ridicularização dessas convicções não contribuem para o ambiente de respeito que a democracia exige”, afirmou em nota.
A frente parlamentar evangélica foi reinstalada nesta legislatura com 210 deputados federais como signatários e 26 senadores. Já a católica foi criada com apoio de 194 deputados. Apesar do volume, o número de congressistas realmente ativos e que participam das atividades de cada grupo é menor. (Com informações da Folha de S.Paulo)
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