Alexandre de Moraes respondeu logo, mas não é possível saber o que ele disse.
Foto: Antonio Augusto/STF
Alexandre de Moraes respondeu logo, mas não é possível saber o que ele disse. (Foto: Antonio Augusto/STF)
Eram 7h19 da manhã do dia 17 de novembro de 2025. Uma das últimas mensagens que Daniel Vorcaro enviou no dia em que foi preso, logo de manhã, foi para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no WhatsApp: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Alexandre de Moraes respondeu logo, mas não é possível saber o que ele disse. Isso porque o que se segue são três mensagens de visualização única, do tipo que se apaga assim que o destinatário as lê. A troca de mensagens foi encontrada pela Polícia Federal (PF) no celular do dono do Banco Master, preso no próprio dia 17 de novembro às 22h no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular para Dubai, com escala em Malta.
Antes dela, há ainda outro registro de diálogo entre o ministro e Vorcaro, em 1º de outubro de 2025, mas novamente sem conteúdo, porque o banqueiro e Moraes apagavam as mensagens ou enviavam com visualização única. De acordo com investigadores, há também telefonemas entre eles. Contudo, apesar dos registros estarem no material apreendido e periciado pela PF, o ministro do Supremo negou sua existência em resposta às indagações da reportagem.
“O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”, disse ele, por intermédio da assessoria de imprensa da Corte . A defesa de Vorcaro, por sua vez, preferiu não comentar.
A PF descobriu que, no dia em que Vorcaro enviou as mensagens a Moraes, ele já tinha conhecimento do inquérito que apurava a venda de carteiras de crédito fraudulentas ao banco estatal de Brasília, o BRB, e que levaria à sua prisão e à liquidação do Master. Informações recolhidas ao longo da investigação apontam, inclusive, que ele soube do inquérito ao acessar ilegalmente os sistemas da corporação, assim como fez com dois procedimentos do Ministério Público sobre as fraudes.
A operação desta quarta-feira revelou ainda que Vorcaro também corrompia dois chefes de supervisão do Banco Central (BC), Paulo Sergio Souza e Belline Santana, que o avisavam dos monitoramentos que a autarquia vinha fazendo, revisavam seus documentos e orientavam sobre como proceder em reuniões.
Souza, inclusive, assinou um ofício do BC fornecido à defesa de Vorcaro depois da prisão, para comprovar que ele teria avisado a autarquia que da viagem que faria a Dubai para supostamente fechar a venda do Master a investidores árabes. No dia em que Vorcaro anuncia a Moraes que “fez uma correria para salvar” e pergunta ao ministro se ele “conseguiu bloquear”, o Master fez dois movimentos.
O primeiro foi tentar impedir que a ordem de prisão contra ele fosse executada, enviando à 10º Vara Federal de Brasília, onde o inquérito corria em sigilo, uma petição dirigida ao juiz Ricardo Leite.
No documento, enviado por email à Justiça às 15h47m, os advogados de Vorcaro se posicionam contra “medidas cautelares eventualmente requeridas”, que poderiam provocar “impacto relevante” e causar “prejuízo irreversível a todo o conglomerado Master”. Apenas 18 minutos antes, às 15h29m, o juiz Ricardo Leite havia determinado a prisão do banqueiro, em uma decisão que deveria ser de conhecimento apenas do gabinete do juiz e dos investigadores.
Para justificar terem enviado o pedido diretamente à vara correta mesmo com o inquérito sob sigilo, os advogados usaram uma reportagem publicada pelo site O Bastidor em que se dizia onde tramitava a investigação.
Na representação em que pediram a segunda prisão de Vorcaro, porém, os delegados anexaram mensagens trocada pelo banqueiro com interlocutores e com o editor do site, Diego Escosteguy, para sustentar que o jornalista “esquentou” a informação recebida de forma ilegal ao receber dinheiro para publicar informações do interesse do executivo.
Apesar dos esforços e da ampla rede de proteção construída por Vorcaro, toda a cronologia do caso demonstra que, na manhã do dia 17 de novembro em que enviou sua mensagem a Moraes, ninguém mais conseguiria “bloquear” o destino inevitável do dono do Master, por mais poderoso que fosse. (Com informações do blog da Malu Gaspar, em O Globo)
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“Conseguiu bloquear?”, indagou Daniel Vorcaro ao ministro do Supremo Alexandre de Moraes no dia em que foi preso
Alexandre de Moraes respondeu logo, mas não é possível saber o que ele disse.
Foto: Antonio Augusto/STF
Alexandre de Moraes respondeu logo, mas não é possível saber o que ele disse. (Foto: Antonio Augusto/STF)
Eram 7h19 da manhã do dia 17 de novembro de 2025. Uma das últimas mensagens que Daniel Vorcaro enviou no dia em que foi preso, logo de manhã, foi para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no WhatsApp: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Alexandre de Moraes respondeu logo, mas não é possível saber o que ele disse. Isso porque o que se segue são três mensagens de visualização única, do tipo que se apaga assim que o destinatário as lê. A troca de mensagens foi encontrada pela Polícia Federal (PF) no celular do dono do Banco Master, preso no próprio dia 17 de novembro às 22h no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular para Dubai, com escala em Malta.
Antes dela, há ainda outro registro de diálogo entre o ministro e Vorcaro, em 1º de outubro de 2025, mas novamente sem conteúdo, porque o banqueiro e Moraes apagavam as mensagens ou enviavam com visualização única. De acordo com investigadores, há também telefonemas entre eles. Contudo, apesar dos registros estarem no material apreendido e periciado pela PF, o ministro do Supremo negou sua existência em resposta às indagações da reportagem.
“O Ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”, disse ele, por intermédio da assessoria de imprensa da Corte . A defesa de Vorcaro, por sua vez, preferiu não comentar.
A PF descobriu que, no dia em que Vorcaro enviou as mensagens a Moraes, ele já tinha conhecimento do inquérito que apurava a venda de carteiras de crédito fraudulentas ao banco estatal de Brasília, o BRB, e que levaria à sua prisão e à liquidação do Master. Informações recolhidas ao longo da investigação apontam, inclusive, que ele soube do inquérito ao acessar ilegalmente os sistemas da corporação, assim como fez com dois procedimentos do Ministério Público sobre as fraudes.
A operação desta quarta-feira revelou ainda que Vorcaro também corrompia dois chefes de supervisão do Banco Central (BC), Paulo Sergio Souza e Belline Santana, que o avisavam dos monitoramentos que a autarquia vinha fazendo, revisavam seus documentos e orientavam sobre como proceder em reuniões.
Souza, inclusive, assinou um ofício do BC fornecido à defesa de Vorcaro depois da prisão, para comprovar que ele teria avisado a autarquia que da viagem que faria a Dubai para supostamente fechar a venda do Master a investidores árabes. No dia em que Vorcaro anuncia a Moraes que “fez uma correria para salvar” e pergunta ao ministro se ele “conseguiu bloquear”, o Master fez dois movimentos.
O primeiro foi tentar impedir que a ordem de prisão contra ele fosse executada, enviando à 10º Vara Federal de Brasília, onde o inquérito corria em sigilo, uma petição dirigida ao juiz Ricardo Leite.
No documento, enviado por email à Justiça às 15h47m, os advogados de Vorcaro se posicionam contra “medidas cautelares eventualmente requeridas”, que poderiam provocar “impacto relevante” e causar “prejuízo irreversível a todo o conglomerado Master”. Apenas 18 minutos antes, às 15h29m, o juiz Ricardo Leite havia determinado a prisão do banqueiro, em uma decisão que deveria ser de conhecimento apenas do gabinete do juiz e dos investigadores.
Para justificar terem enviado o pedido diretamente à vara correta mesmo com o inquérito sob sigilo, os advogados usaram uma reportagem publicada pelo site O Bastidor em que se dizia onde tramitava a investigação.
Na representação em que pediram a segunda prisão de Vorcaro, porém, os delegados anexaram mensagens trocada pelo banqueiro com interlocutores e com o editor do site, Diego Escosteguy, para sustentar que o jornalista “esquentou” a informação recebida de forma ilegal ao receber dinheiro para publicar informações do interesse do executivo.
Apesar dos esforços e da ampla rede de proteção construída por Vorcaro, toda a cronologia do caso demonstra que, na manhã do dia 17 de novembro em que enviou sua mensagem a Moraes, ninguém mais conseguiria “bloquear” o destino inevitável do dono do Master, por mais poderoso que fosse. (Com informações do blog da Malu Gaspar, em O Globo)
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