Sequência de declarações contraditórias levou a Polícia Federal a aprofundar apurações sobre o destino do dinheiro e gerou uma série de dúvidas. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
As sucessivas versões apresentadas por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e envolvidos na produção do filme “Dark Horse” ampliaram, nos últimos dias, a crise em torno do financiamento do longa-metragem. Desde que vieram à tona mensagens do senador e presidenciável cobrando repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a conclusão da obra, produtores, parlamentares e empresas ligadas ao projeto passaram a apresentar explicações divergentes sobre a origem dos recursos, os contratos firmados e a estrutura usada para operacionalizar os pagamentos.
A sequência de declarações contraditórias levou a Polícia Federal (PF) a aprofundar apurações sobre o destino do dinheiro e gerou uma série de dúvidas ainda sem resposta.
A principal linha de investigação tenta esclarecer se os valores enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e gerido por advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram usados exclusivamente na produção do filme ou se também ajudaram a custear a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos.
Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou ter pedido dinheiro para Vorcaro para o longa-metragem sobre a vida de seu pai, o que chamou de “mentira”, mas depois admitiu ter buscado patrocínio privado e confirmou a existência de um contrato envolvendo Vorcaro.
“Sim, tinha um contrato”, disse o senador.
Já em entrevista à GloboNews, Flávio acrescentou uma nova explicação ao dizer que não havia tratado publicamente do tema antes porque o contrato previa cláusulas de confidencialidade.
* Quem assinou o contrato?
O deputado e produtor-executivo Mario Frias, porém, afirmou depois que o contrato não foi firmado com Vorcaro nem com o Banco Master, mas com a Entre Investimentos, descrita por ele como uma “pessoa jurídica distinta”.
As declarações deixaram em aberto quem eram exatamente as partes do contrato, quem assinou o documento e qual estrutura jurídica foi usada para formalizar os aportes.
* O dinheiro financiou o filme?
Outra dúvida central envolve o próprio repasse dos recursos. Enquanto Flávio fala em “parcelas” pagas por Vorcaro e admite que o financiamento precisou ser completado posteriormente por outros investidores, a produtora do longa sustenta que conversas e tratativas não significam, necessariamente, transferência efetiva de dinheiro. A GoUp, responsável pela produção, não confirma o valor aportado pelo banqueiro.
A versão diverge da apresentada pelo publicitário Thiago Miranda, que afirmou ter intermediado negociação ao filme e disse que Mario Frias buscava investidores para concluir o projeto. Segundo reportagens já publicadas, documentos obtidos apontam transferências R$ 61 milhões.
* Qual era o papel do fundo no aberto no Texas?
Ao tentar explicar o caminho percorrido pelos recursos, Flávio afirmou que os valores foram enviados ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e ligado ao advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. Segundo o senador, tratava-se de um fundo “exclusivo” para financiar o filme. A PF, porém, tenta esclarecer se o longa era de fato o destino final dos recursos ou se a estrutura também serviu para bancar despesas ligadas à permanência de Eduardo nos Estados Unidos, o que o ex-deputado nega. A investigação ganhou novo fôlego após a divulgação de documentos e relatos indicando possível participação de Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo do longa.
* Qual era a extensão da relação entre Flávio e Vorcaro?
Outro ponto que passou a gerar questionamentos dentro da crise envolve a própria dimensão da relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Desde a divulgação das primeiras mensagens, o senador sustenta que conheceu o banqueiro apenas em dezembro de 2024 e que o contato entre os dois se restringia a tratativas ligadas ao financiamento do filme.
Na sexta (15), porém, Flávio apresentou uma nova versão sobre os contatos com o empresário e passou a admitir a possibilidade de surgirem novos registros de interação entre os dois.
“Pode vazar novas conversas, pode vazar um videozinho mostrando o estúdio que eu posso ter enviado, algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo exclusivamente para tratar somente do filme”, afirmou o senador em entrevista à CNN Brasil.
As falas passaram a gerar mais dúvidas sobre qual era o grau de proximidade entre os dois, quantos encontros ocorreram, quais outros contatos ainda podem surgir e até que ponto as tratativas ultrapassaram exclusivamente o financiamento do filme. (Com informações do jornal O Globo)
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Choque de versões e falta de transparência ampliam crise do filme de Bolsonaro
Sequência de declarações contraditórias levou a Polícia Federal a aprofundar apurações sobre o destino do dinheiro e gerou uma série de dúvidas. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
As sucessivas versões apresentadas por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e envolvidos na produção do filme “Dark Horse” ampliaram, nos últimos dias, a crise em torno do financiamento do longa-metragem. Desde que vieram à tona mensagens do senador e presidenciável cobrando repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a conclusão da obra, produtores, parlamentares e empresas ligadas ao projeto passaram a apresentar explicações divergentes sobre a origem dos recursos, os contratos firmados e a estrutura usada para operacionalizar os pagamentos.
A sequência de declarações contraditórias levou a Polícia Federal (PF) a aprofundar apurações sobre o destino do dinheiro e gerou uma série de dúvidas ainda sem resposta.
A principal linha de investigação tenta esclarecer se os valores enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e gerido por advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram usados exclusivamente na produção do filme ou se também ajudaram a custear a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos.
Inicialmente, Flávio Bolsonaro negou ter pedido dinheiro para Vorcaro para o longa-metragem sobre a vida de seu pai, o que chamou de “mentira”, mas depois admitiu ter buscado patrocínio privado e confirmou a existência de um contrato envolvendo Vorcaro.
“Sim, tinha um contrato”, disse o senador.
Já em entrevista à GloboNews, Flávio acrescentou uma nova explicação ao dizer que não havia tratado publicamente do tema antes porque o contrato previa cláusulas de confidencialidade.
* Quem assinou o contrato?
O deputado e produtor-executivo Mario Frias, porém, afirmou depois que o contrato não foi firmado com Vorcaro nem com o Banco Master, mas com a Entre Investimentos, descrita por ele como uma “pessoa jurídica distinta”.
As declarações deixaram em aberto quem eram exatamente as partes do contrato, quem assinou o documento e qual estrutura jurídica foi usada para formalizar os aportes.
* O dinheiro financiou o filme?
Outra dúvida central envolve o próprio repasse dos recursos. Enquanto Flávio fala em “parcelas” pagas por Vorcaro e admite que o financiamento precisou ser completado posteriormente por outros investidores, a produtora do longa sustenta que conversas e tratativas não significam, necessariamente, transferência efetiva de dinheiro. A GoUp, responsável pela produção, não confirma o valor aportado pelo banqueiro.
A versão diverge da apresentada pelo publicitário Thiago Miranda, que afirmou ter intermediado negociação ao filme e disse que Mario Frias buscava investidores para concluir o projeto. Segundo reportagens já publicadas, documentos obtidos apontam transferências R$ 61 milhões.
* Qual era o papel do fundo no aberto no Texas?
Ao tentar explicar o caminho percorrido pelos recursos, Flávio afirmou que os valores foram enviados ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e ligado ao advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. Segundo o senador, tratava-se de um fundo “exclusivo” para financiar o filme. A PF, porém, tenta esclarecer se o longa era de fato o destino final dos recursos ou se a estrutura também serviu para bancar despesas ligadas à permanência de Eduardo nos Estados Unidos, o que o ex-deputado nega. A investigação ganhou novo fôlego após a divulgação de documentos e relatos indicando possível participação de Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo do longa.
* Qual era a extensão da relação entre Flávio e Vorcaro?
Outro ponto que passou a gerar questionamentos dentro da crise envolve a própria dimensão da relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Desde a divulgação das primeiras mensagens, o senador sustenta que conheceu o banqueiro apenas em dezembro de 2024 e que o contato entre os dois se restringia a tratativas ligadas ao financiamento do filme.
Na sexta (15), porém, Flávio apresentou uma nova versão sobre os contatos com o empresário e passou a admitir a possibilidade de surgirem novos registros de interação entre os dois.
“Pode vazar novas conversas, pode vazar um videozinho mostrando o estúdio que eu posso ter enviado, algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo exclusivamente para tratar somente do filme”, afirmou o senador em entrevista à CNN Brasil.
As falas passaram a gerar mais dúvidas sobre qual era o grau de proximidade entre os dois, quantos encontros ocorreram, quais outros contatos ainda podem surgir e até que ponto as tratativas ultrapassaram exclusivamente o financiamento do filme. (Com informações do jornal O Globo)
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