Paulo Gonet só soube do conteúdo do relatório da PF na quinta-feira (12), depois que vários detalhes já tinham se tornado públicos. (Foto: Antonio Augusto/STF)
Os bastidores da entrega do relatório de cerca de 200 páginas sobre as conexões entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pela Polícia Federal (PF), escancaram um ambiente de desconfiança entre a corporação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a própria Corte. Toffoli era o relator do caso Master no Supremo até deixar a função, sob forte pressão dos colegas do STF.
Fachin recebeu o material diretamente das mãos do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, na segunda (9), mas a informação só foi revelada pela imprensa na quarta (11). O documento lista uma série de informações encontradas no celular do dono do Banco Master, apreendido em novembro passado – como diálogos, ligações e evidências de pagamentos feitos a Toffoli pelo grupo do banqueiro.
O procurador-geral Paulo Gonet, porém, só soube do conteúdo na quinta-feira (12), quando recebeu o documento enviado por Fachin para manifestação, e depois que Toffoli já tinha divulgado uma nota pública dizendo que o documento da PF estava cheio de ilações e afirmando que a corporação não tinha poder para pedir a sua suspeição no processo – algo que a PF não fez, embora tenha apontado diversos pontos de conflito de interesse e indícios de crimes passíveis de investigação.
Rodrigues chegou a avisar Gonet por telefone de que entregaria um relatório a Fachin comunicando “achados” da PF sobre Toffoli. Não deu detalhes e nem o chefe do Ministério Público Federal (MPF) perguntou.
No relatório há desde ligações e diálogos em que Toffoli marca encontros com Vorcaro, um convite de aniversário enviado por ele ao banqueiro e conversas sobre pagamentos ao ministro realizados no final de 2024 e que somam R$ 20 milhões. Após o movimento da PF, o magistrado admitiu pela primeira vez ter sido sócio do hotel em Ribeirão Claro (PR) junto de outros dois irmãos, José Carlos e José Eugênio, e Mario Umberto Degani, seu primo.
Perícia refeita
Esse fluxo tortuoso de comunicação reflete um clima de tensão e suspeita que se arrasta desde que Toffoli assumiu o processo em novembro passado, atendendo a um pedido da defesa de Daniel Vorcaro. Até então, o caso tramitava na primeira instância.
O acirramento dos ânimos vem escalando desde o fim do ano, mas o ápice se deu em janeiro passado, quando o ministro do Supremo barrou o acesso dos investigadores da PF ao material apreendido pela Operação Compliance Zero, o que provocou diversas críticas internas.
Gonet
Com a repercussão do relatório, a pressão também se voltou contra a PGR, que já havia se manifestado duas vezes contra a suspeição do ministro após ser provocada por partidos políticos.
Diante desse histórico, há um ceticismo generalizado entre os investigadores sobre a real disposição do procurador-geral para afastar Toffoli – e isso apesar de integrantes do Supremo considerarem que as revelações do relatório são “nitroglicerina pura”.
Gonet é muito próximo do decano do STF, Gilmar Mendes, que fez uma defesa enfática de Toffoli nas redes sociais, destacando a posição contrária da PGR à suspeição. Sua indicação para a chefia do MPF também foi apadrinhada por Alexandre de Moraes, outro ministro que está sob forte escrutínio em função do contrato de R$ 129 milhões firmado entre sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o banco de Vorcaro.
Na quinta, Toffoli dobrou a aposta contra a PF determinando o envio a ele os dados de todos os celulares apreendidos na investigação. Em resumo, ele mandou que os investigadores entregassem a ele todos os dados que podem incriminá-lo.
Também na quinta, Fachin se reuniu a portas fechadas com seus colegas e discutiu o relatório da PF diante de Dias Toffoli, que acabou deixando o caso diante de seu isolamento entre os demais integrantes da Corte – um sorteio definiu André Mendonça como o novo relator. (Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo)
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Caso Toffoli escancara desconfiança entre Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e Supremo no inquérito do Banco Master
Paulo Gonet só soube do conteúdo do relatório da PF na quinta-feira (12), depois que vários detalhes já tinham se tornado públicos. (Foto: Antonio Augusto/STF)
Os bastidores da entrega do relatório de cerca de 200 páginas sobre as conexões entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pela Polícia Federal (PF), escancaram um ambiente de desconfiança entre a corporação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a própria Corte. Toffoli era o relator do caso Master no Supremo até deixar a função, sob forte pressão dos colegas do STF.
Fachin recebeu o material diretamente das mãos do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, na segunda (9), mas a informação só foi revelada pela imprensa na quarta (11). O documento lista uma série de informações encontradas no celular do dono do Banco Master, apreendido em novembro passado – como diálogos, ligações e evidências de pagamentos feitos a Toffoli pelo grupo do banqueiro.
O procurador-geral Paulo Gonet, porém, só soube do conteúdo na quinta-feira (12), quando recebeu o documento enviado por Fachin para manifestação, e depois que Toffoli já tinha divulgado uma nota pública dizendo que o documento da PF estava cheio de ilações e afirmando que a corporação não tinha poder para pedir a sua suspeição no processo – algo que a PF não fez, embora tenha apontado diversos pontos de conflito de interesse e indícios de crimes passíveis de investigação.
Rodrigues chegou a avisar Gonet por telefone de que entregaria um relatório a Fachin comunicando “achados” da PF sobre Toffoli. Não deu detalhes e nem o chefe do Ministério Público Federal (MPF) perguntou.
No relatório há desde ligações e diálogos em que Toffoli marca encontros com Vorcaro, um convite de aniversário enviado por ele ao banqueiro e conversas sobre pagamentos ao ministro realizados no final de 2024 e que somam R$ 20 milhões. Após o movimento da PF, o magistrado admitiu pela primeira vez ter sido sócio do hotel em Ribeirão Claro (PR) junto de outros dois irmãos, José Carlos e José Eugênio, e Mario Umberto Degani, seu primo.
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Esse fluxo tortuoso de comunicação reflete um clima de tensão e suspeita que se arrasta desde que Toffoli assumiu o processo em novembro passado, atendendo a um pedido da defesa de Daniel Vorcaro. Até então, o caso tramitava na primeira instância.
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Gonet
Com a repercussão do relatório, a pressão também se voltou contra a PGR, que já havia se manifestado duas vezes contra a suspeição do ministro após ser provocada por partidos políticos.
Diante desse histórico, há um ceticismo generalizado entre os investigadores sobre a real disposição do procurador-geral para afastar Toffoli – e isso apesar de integrantes do Supremo considerarem que as revelações do relatório são “nitroglicerina pura”.
Gonet é muito próximo do decano do STF, Gilmar Mendes, que fez uma defesa enfática de Toffoli nas redes sociais, destacando a posição contrária da PGR à suspeição. Sua indicação para a chefia do MPF também foi apadrinhada por Alexandre de Moraes, outro ministro que está sob forte escrutínio em função do contrato de R$ 129 milhões firmado entre sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o banco de Vorcaro.
Na quinta, Toffoli dobrou a aposta contra a PF determinando o envio a ele os dados de todos os celulares apreendidos na investigação. Em resumo, ele mandou que os investigadores entregassem a ele todos os dados que podem incriminá-lo.
Também na quinta, Fachin se reuniu a portas fechadas com seus colegas e discutiu o relatório da PF diante de Dias Toffoli, que acabou deixando o caso diante de seu isolamento entre os demais integrantes da Corte – um sorteio definiu André Mendonça como o novo relator. (Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo)
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