Calendário eleitoral deve esvaziar atividades no Legislativo, apesar de pressão por instalação. (Foto: Pedro França/Agência Senado)
A operação contra o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), na última quinta-feira (7), deu fôlego ao uso eleitoral das fraudes contra o Banco Master e reacendeu a pressão para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. Parlamentares, no entanto, acreditam ser improvável que o colegiado saia do papel.
Assim que a ação foi deflagrada pela Polícia Federal (PF), lideranças governistas começaram a explorar a proximidade de Ciro com o bolsonarismo para tentar emplacar uma suposta conexão dos crimes do Master com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também passaram a defender de forma mais categórica a instalação de uma CPI para investigar o caso.
Líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) publicou nas redes sociais mensagem dizendo que a operação escancara “as entranhas das ligações do bolsonarismo com o Caso Master”. Já o pré-candidato à Presidência do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), disse que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), “agiu corretamente” ao permitir a busca e apreensão contra Ciro e passou a levantar a bandeira “CPI do Master já”. Ele também acusou a ala baiana do PT de envolvimento com as fraudes da instituição financeira.
No passado, porém, o grupo político ligado a Flávio concordou em abrir mão de pressionar pela instalação da CPI do Master durante uma sessão do Congresso para que os parlamentares pudessem se dedicar a somente analisar o veto ao projeto de lei que diminui as penas dos condenados pelo 8 de janeiro – o que de fato aconteceu, no dia 30 de maio.
Segundo a deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS), no dia em que o Congresso derrubou o veto ao PL da dosimetria, ela havia conseguido as assinaturas para instalar uma CPI mista, formada por parlamentares das duas Casas. “Fizemos uma questão de ordem para o Alcolumbre instalar. Não cabe ao presidente (do Congresso) escolher ou não. O requerimento tem que ser lido quando você atinge as assinaturas”, afirmou.
De acordo com ela, Alcolumbre não respondeu à questão de ordem e suspendeu a sessão. “Essa operação, é óbvio, fortalece a necessidade de uma investigação do caso Master”, defendeu.
“O que eu acho que vai acontecer é que agora aumenta a pressão para a instalação da CPMI do Banco Master, mas também aumenta a pressão da classe política que não quer que haja investigação. Então são duas pressões concorrentes”, avaliou Jordy.
Apesar dos apelos, parlamentares ouvidos sob reserva ainda consideram improvável que o colegiado saia do papel. O motivo é prático: boa parte dos integrantes da Câmara e do Senado irão tentar se reeleger e, nos próximos meses, esses políticos devem se concentrar em suas campanhas. No Senado, por exemplo, esta semana deve continuar esvaziada, com sessões semipresenciais. Além disso, o escândalo alcança integrantes de diversos partidos e Poderes.
Esses movimentos também aumentam a pressão sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A aliados, o paraibano tem dito que os novos desdobramentos das investigações do caso Master não alteraram a sua disposição para abrir uma CPI sobre o tema. Ele defende que as apurações já estão sendo conduzidas pela PF e um colegiado do tipo poderia atrapalhar o avanço de outras pautas legislativas, especialmente no ano eleitoral. Outro argumento é que há uma fila de CPIs que precisam ser abertas antes de um possível colegiado que foque no Master.
Além disso, a percepção é que o avanço da PF sobre os políticos no caso Master pode aumentar a irritação de Alcolumbre com o Palácio do Planalto. Já senadores governistas ponderam que ainda é cedo para saber como isso vai afetar uma eventual reaproximação com o presidente do Senado. O clima azedou de vez depois de Alcolumbre ter sido apontado com um dos principais articuladores da rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF.
Em relação a Alcolumbre, também pesa o fato de haver investigações em seu reduto eleitoral. A PF apura o aporte de mais de R$ 400 milhões da Previdência do Amapá (Amprev) no Banco Master. A entidade era comandada por aliados do presidente do Senado, mas ele nega envolvimento no caso. Alcolumbre e Motta não se manifestaram sobre o tema. Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade e diz que a operação visa manchar sua honra pessoal. (Com informações do Valor Econômico)
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Apesar da pressão, instalação da CPI do Banco Master é considerada improvável no Congresso Nacional
Calendário eleitoral deve esvaziar atividades no Legislativo, apesar de pressão por instalação. (Foto: Pedro França/Agência Senado)
A operação contra o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), na última quinta-feira (7), deu fôlego ao uso eleitoral das fraudes contra o Banco Master e reacendeu a pressão para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), instale uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. Parlamentares, no entanto, acreditam ser improvável que o colegiado saia do papel.
Assim que a ação foi deflagrada pela Polícia Federal (PF), lideranças governistas começaram a explorar a proximidade de Ciro com o bolsonarismo para tentar emplacar uma suposta conexão dos crimes do Master com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também passaram a defender de forma mais categórica a instalação de uma CPI para investigar o caso.
Líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) publicou nas redes sociais mensagem dizendo que a operação escancara “as entranhas das ligações do bolsonarismo com o Caso Master”. Já o pré-candidato à Presidência do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), disse que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), “agiu corretamente” ao permitir a busca e apreensão contra Ciro e passou a levantar a bandeira “CPI do Master já”. Ele também acusou a ala baiana do PT de envolvimento com as fraudes da instituição financeira.
No passado, porém, o grupo político ligado a Flávio concordou em abrir mão de pressionar pela instalação da CPI do Master durante uma sessão do Congresso para que os parlamentares pudessem se dedicar a somente analisar o veto ao projeto de lei que diminui as penas dos condenados pelo 8 de janeiro – o que de fato aconteceu, no dia 30 de maio.
Segundo a deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS), no dia em que o Congresso derrubou o veto ao PL da dosimetria, ela havia conseguido as assinaturas para instalar uma CPI mista, formada por parlamentares das duas Casas. “Fizemos uma questão de ordem para o Alcolumbre instalar. Não cabe ao presidente (do Congresso) escolher ou não. O requerimento tem que ser lido quando você atinge as assinaturas”, afirmou.
De acordo com ela, Alcolumbre não respondeu à questão de ordem e suspendeu a sessão. “Essa operação, é óbvio, fortalece a necessidade de uma investigação do caso Master”, defendeu.
“O que eu acho que vai acontecer é que agora aumenta a pressão para a instalação da CPMI do Banco Master, mas também aumenta a pressão da classe política que não quer que haja investigação. Então são duas pressões concorrentes”, avaliou Jordy.
Apesar dos apelos, parlamentares ouvidos sob reserva ainda consideram improvável que o colegiado saia do papel. O motivo é prático: boa parte dos integrantes da Câmara e do Senado irão tentar se reeleger e, nos próximos meses, esses políticos devem se concentrar em suas campanhas. No Senado, por exemplo, esta semana deve continuar esvaziada, com sessões semipresenciais. Além disso, o escândalo alcança integrantes de diversos partidos e Poderes.
Esses movimentos também aumentam a pressão sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A aliados, o paraibano tem dito que os novos desdobramentos das investigações do caso Master não alteraram a sua disposição para abrir uma CPI sobre o tema. Ele defende que as apurações já estão sendo conduzidas pela PF e um colegiado do tipo poderia atrapalhar o avanço de outras pautas legislativas, especialmente no ano eleitoral. Outro argumento é que há uma fila de CPIs que precisam ser abertas antes de um possível colegiado que foque no Master.
Além disso, a percepção é que o avanço da PF sobre os políticos no caso Master pode aumentar a irritação de Alcolumbre com o Palácio do Planalto. Já senadores governistas ponderam que ainda é cedo para saber como isso vai afetar uma eventual reaproximação com o presidente do Senado. O clima azedou de vez depois de Alcolumbre ter sido apontado com um dos principais articuladores da rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF.
Em relação a Alcolumbre, também pesa o fato de haver investigações em seu reduto eleitoral. A PF apura o aporte de mais de R$ 400 milhões da Previdência do Amapá (Amprev) no Banco Master. A entidade era comandada por aliados do presidente do Senado, mas ele nega envolvimento no caso. Alcolumbre e Motta não se manifestaram sobre o tema. Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade e diz que a operação visa manchar sua honra pessoal. (Com informações do Valor Econômico)
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