Cobrança de Rui Costa ocorreu durante a reunião ministerial dessa terça (31). (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
O chefe da Casa Civil, Rui Costa, fez críticas públicas à comunicação do governo federal em reunião nessa terça-feira (31) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros. A queixa se dá em um momento em que a atuação de Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) é criticada por integrantes do governo e pelo PT.
Durante a fala inicial na reunião, Rui Costa citou ao menos três vezes o nome de Sidônio ao dizer que era preciso comunicar à população sobre as propostas e conquistas do governo federal.
Um político que estava presente classificou esse momento como de grande constrangimento para Sidônio, já que a fala do chefe da Casa Civil foi interpretada pelos participantes como uma cobrança pública. De acordo com relatos, Sidônio demonstrou incômodo com as cobranças e buscou rebater Rui ao discurso – a fala do chefe da Secom não foi transmitida à imprensa.
Isso acontece num momento em que governistas colocam dúvidas sobre o desempenho de Sidônio à frente da Secom diante de levantamentos que mostram maior reprovação à gestão petista e rejeição a Lula chega a 46%, segundo Datafolha de março. O publicitário, que foi marqueteiro de Lula na campanha de 2022, chegou ao Planalto no começo de 2025 com a missão de azeitar a comunicação do governo – apontado naquela época como um dos principais problemas da gestão petista.
Em um dos momentos, o chefe da Casa Civil disse ter dúvidas se o “povo sabe” das conquistas do governo federal.
“A minha dúvida, Sidônio, é se o povo sabe disso. Acho que a gente tem que colocar como foco comparar e mostrar. O povo tem o direito de conhecer esses números, esses dados, porque, repito, é a mudança da água para o vinho, de um deserto de governança para um governo que tem um líder que montou uma equipe para trabalhar e produzir esses resultados”, afirmou Rui Costa.
O chefe da Casa Civil citou Sidônio nominalmente ao menos outras duas vezes ao tratar da reação do Executivo à tragédias climáticas e ao falar das concessões e leilões realizados pelo governo federal. Numa dessas intervenções, a transmissão feita pelo governo mostrou a cara de Sidônio, que respondeu: “Eu vou responder”.
De acordo com relatos, o ministro da Secom, em sua fala, rebateu a cobrança de Rui Costa, ainda que sem citá-lo nominalmente. O chefe da Secom atribuiu os problemas ao seu antecessor no cargo, o deputado Paulo Pimenta (PT), que comandou a Secom entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025. As críticas foram feitas sem citar o nome de Pimenta.
De acordo com relatos, Sidônio afirmou que faltou ao governo ter alardeado logo no início do mandato de Lula as condições herdadas da gestão anterior, de Jair Bolsonaro (PL). Como argumento, o chefe da Secom afirmou que a legislação não permite que canais governamentais façam comparação de uma gestão a outra.
Interlocutores de Pimenta lembram que o primeiro slogan do governo, União e Reconstrução, foi criado por Sidônio, na época o publicitário era um conselheiro de comunicação informal de Lula e integrava a ala que defendia que o governo deveria evitar a polarização e atuar pacificar o País.
“Deve ser um mal entendido. O slogan ‘União e Reconstrução’ não foi criado por mim. A estratégia de não polarizar na transição, coordenada pelo Alckmin, não foi definida por mim. Sidônio não pensa isso e não diria isso. Tenho certeza que deve ser um mal entendido”, afirmou o ex-ministro Paulo Pimenta.
À tarde, Rui Costa minimizou as cobranças ao colega da Esplanada. Em entrevista à GloboNews, o ministro disse que não fez críticas à Secom, “muito menos ao Sidônio”.
“Ao contrário, quero parabenizar pelo excepcional trabalho que ele fez, que ele vem fazendo. Ele deu uma virada positiva na comunicação do governo”, disse.
A linha central da comunicação do governo aposta na estratégia de comparar o que o governo Lula fez em contraposição a Bolsonaro, numa maneira de atacar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e adversário do petista nas eleições. O próprio Lula tem incorporado essa comparação em suas falas públicas. Aliados do presidente, no entanto, colocam dúvidas sobre a efetividade dessa estratégia.
Segundo relatos, Sidônio pediu unidade no discurso dos ministros que agora assumem os cargos e os que estavam de saída. O ministro também orientou aos presentes que gravem ao menos um vídeo por dia para defender o governo e falar das ações da gestão petista. (Com informações do jornal O Globo)
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A seis meses das eleições, ministro critica comunicação do governo; Sidônio rebate
Cobrança de Rui Costa ocorreu durante a reunião ministerial dessa terça (31). (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
O chefe da Casa Civil, Rui Costa, fez críticas públicas à comunicação do governo federal em reunião nessa terça-feira (31) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros. A queixa se dá em um momento em que a atuação de Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) é criticada por integrantes do governo e pelo PT.
Durante a fala inicial na reunião, Rui Costa citou ao menos três vezes o nome de Sidônio ao dizer que era preciso comunicar à população sobre as propostas e conquistas do governo federal.
Um político que estava presente classificou esse momento como de grande constrangimento para Sidônio, já que a fala do chefe da Casa Civil foi interpretada pelos participantes como uma cobrança pública. De acordo com relatos, Sidônio demonstrou incômodo com as cobranças e buscou rebater Rui ao discurso – a fala do chefe da Secom não foi transmitida à imprensa.
Isso acontece num momento em que governistas colocam dúvidas sobre o desempenho de Sidônio à frente da Secom diante de levantamentos que mostram maior reprovação à gestão petista e rejeição a Lula chega a 46%, segundo Datafolha de março. O publicitário, que foi marqueteiro de Lula na campanha de 2022, chegou ao Planalto no começo de 2025 com a missão de azeitar a comunicação do governo – apontado naquela época como um dos principais problemas da gestão petista.
Em um dos momentos, o chefe da Casa Civil disse ter dúvidas se o “povo sabe” das conquistas do governo federal.
“A minha dúvida, Sidônio, é se o povo sabe disso. Acho que a gente tem que colocar como foco comparar e mostrar. O povo tem o direito de conhecer esses números, esses dados, porque, repito, é a mudança da água para o vinho, de um deserto de governança para um governo que tem um líder que montou uma equipe para trabalhar e produzir esses resultados”, afirmou Rui Costa.
O chefe da Casa Civil citou Sidônio nominalmente ao menos outras duas vezes ao tratar da reação do Executivo à tragédias climáticas e ao falar das concessões e leilões realizados pelo governo federal. Numa dessas intervenções, a transmissão feita pelo governo mostrou a cara de Sidônio, que respondeu: “Eu vou responder”.
De acordo com relatos, o ministro da Secom, em sua fala, rebateu a cobrança de Rui Costa, ainda que sem citá-lo nominalmente. O chefe da Secom atribuiu os problemas ao seu antecessor no cargo, o deputado Paulo Pimenta (PT), que comandou a Secom entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025. As críticas foram feitas sem citar o nome de Pimenta.
De acordo com relatos, Sidônio afirmou que faltou ao governo ter alardeado logo no início do mandato de Lula as condições herdadas da gestão anterior, de Jair Bolsonaro (PL). Como argumento, o chefe da Secom afirmou que a legislação não permite que canais governamentais façam comparação de uma gestão a outra.
Interlocutores de Pimenta lembram que o primeiro slogan do governo, União e Reconstrução, foi criado por Sidônio, na época o publicitário era um conselheiro de comunicação informal de Lula e integrava a ala que defendia que o governo deveria evitar a polarização e atuar pacificar o País.
“Deve ser um mal entendido. O slogan ‘União e Reconstrução’ não foi criado por mim. A estratégia de não polarizar na transição, coordenada pelo Alckmin, não foi definida por mim. Sidônio não pensa isso e não diria isso. Tenho certeza que deve ser um mal entendido”, afirmou o ex-ministro Paulo Pimenta.
À tarde, Rui Costa minimizou as cobranças ao colega da Esplanada. Em entrevista à GloboNews, o ministro disse que não fez críticas à Secom, “muito menos ao Sidônio”.
“Ao contrário, quero parabenizar pelo excepcional trabalho que ele fez, que ele vem fazendo. Ele deu uma virada positiva na comunicação do governo”, disse.
A linha central da comunicação do governo aposta na estratégia de comparar o que o governo Lula fez em contraposição a Bolsonaro, numa maneira de atacar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e adversário do petista nas eleições. O próprio Lula tem incorporado essa comparação em suas falas públicas. Aliados do presidente, no entanto, colocam dúvidas sobre a efetividade dessa estratégia.
Segundo relatos, Sidônio pediu unidade no discurso dos ministros que agora assumem os cargos e os que estavam de saída. O ministro também orientou aos presentes que gravem ao menos um vídeo por dia para defender o governo e falar das ações da gestão petista. (Com informações do jornal O Globo)
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