A reunião dos ministros do Supremo que formalizou o afastamento de Dias Toffoli da relatoria do caso Master é o primeiro recuo claro do Supremo diante da pressão da opinião pública
Mas há uma corrente “desacordão” que ganha alento para que o caso frutifique, tenha desdobramentos e paute o ano eleitoral.(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
A reunião dos ministros do Supremo que formalizou o afastamento de Dias Toffoli da relatoria do caso Master é o primeiro recuo claro do STF diante da pressão da opinião pública em muitos anos, mas não um recuo pleno. Na mesma nota em que se afirma que o presidente do Supremo, Luiz Edson Fachin, irá redistribuir o caso, validam-se também todos os atos praticados por Toffoli durante a sua relatoria, porque a arguição de suspeição contra o ministro foi rejeitada.
A presença do caso Master no Supremo garante, ao menos por ora, uma contenção para que o escândalo não se torne, politicamente, uma guerra de todos contra todos como se tornou a Lava-Jato, entre 2014 e 2018.
Muito se fala das forças pró-acordão, uma conjura para que as relações do caso envolvendo o banco liquidado com o meio político não venham à tona. Mas há uma corrente “desacordão” que ganha alento para que o caso frutifique, tenha desdobramentos e paute o ano eleitoral.
Essa corrente passa pelos adversários regionais dos políticos envolvidos no escândalo e pelo bolsonarismo, que vê no escândalo um aríete para enfim pautar no Senado impeachment de integrantes do STF, em especial da nêmesis do grupo, o ministro Alexandre de Moraes. Mas a energia antiacordo não se limita apenas a este contingente, vitaminado pelo otimismo de que os tentáculos de Daniel Vorcaro não o alcançarão.
Está também nas instituições de controle de Estado que zelam por sua autonomia e tentam fazer frente a injunções políticas, na Polícia Federal, no Banco Central e no próprio corpo técnico do Tribunal de Contas da União (TCU). Dinâmica muito parecida com essa fermentou a Lava-Jato na década passada.
Contribui ainda para o “desacordão” a luz do dia. Qual a leitura política possível se poderia ter diante da constatação, admitida pelo próprio Toffoli, de que o ministro foi sócio de uma empresa que vendeu um de seus principais ativos para um sócio de Vorcaro? A de que ele tinha que sair da relatoria do caso, que foi o que aconteceu.
A suspeição de Toffoli em relação ao caso era uma realidade no plano moral, e, por tabela, no plano político. A legitimidade de suas decisões seria sempre objeto de discussão. Cada dia a mais de Toffoli seria um dia a mais de crise institucional.
Caso o escândalo saia do garrote do Supremo e volte para a primeira instância, o filme de 2014 começa a rodar. Qualquer um que tenha se debruçado sobre a história da Lava-Jato lembra as diversas tentativas do meio jurídico e político de se tentar costurar um acordo para abafar o caso, dos vazamentos que sepultavam essas iniciativas, da confiança do governo de então de que o escândalo apurado em Curitiba não iria atingi-lo diretamente, da decisão dos envolvidos de colaborar com os investigadores para tentar diminuir a força do cutelo sobre o próprio pescoço, entregando o pescoço da classe política, do governo e do meio empresarial.
É possível ainda recorrer a uma analogia do presente. Guardadas as proporções, pode tomar corpo um caso Epstein brasileiro. Nos Estados Unidos, republicanos e democratas açularam as brasas dos segredos de um magnata que, ao fim, compromete uma legião ainda não totalmente identificada, mas certamente ecumênica. Com informações do Valor Econômico.
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A reunião dos ministros do Supremo que formalizou o afastamento de Dias Toffoli da relatoria do caso Master é o primeiro recuo claro do STF diante da pressão da opinião pública em muitos anos, mas não um recuo pleno. Na mesma nota em que se afirma que o presidente do Supremo, Luiz Edson Fachin, irá redistribuir o caso, validam-se também todos os atos praticados por Toffoli durante a sua relatoria, porque a arguição de suspeição contra o ministro foi rejeitada.
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Muito se fala das forças pró-acordão, uma conjura para que as relações do caso envolvendo o banco liquidado com o meio político não venham à tona. Mas há uma corrente “desacordão” que ganha alento para que o caso frutifique, tenha desdobramentos e paute o ano eleitoral.
Essa corrente passa pelos adversários regionais dos políticos envolvidos no escândalo e pelo bolsonarismo, que vê no escândalo um aríete para enfim pautar no Senado impeachment de integrantes do STF, em especial da nêmesis do grupo, o ministro Alexandre de Moraes. Mas a energia antiacordo não se limita apenas a este contingente, vitaminado pelo otimismo de que os tentáculos de Daniel Vorcaro não o alcançarão.
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A suspeição de Toffoli em relação ao caso era uma realidade no plano moral, e, por tabela, no plano político. A legitimidade de suas decisões seria sempre objeto de discussão. Cada dia a mais de Toffoli seria um dia a mais de crise institucional.
Caso o escândalo saia do garrote do Supremo e volte para a primeira instância, o filme de 2014 começa a rodar. Qualquer um que tenha se debruçado sobre a história da Lava-Jato lembra as diversas tentativas do meio jurídico e político de se tentar costurar um acordo para abafar o caso, dos vazamentos que sepultavam essas iniciativas, da confiança do governo de então de que o escândalo apurado em Curitiba não iria atingi-lo diretamente, da decisão dos envolvidos de colaborar com os investigadores para tentar diminuir a força do cutelo sobre o próprio pescoço, entregando o pescoço da classe política, do governo e do meio empresarial.
É possível ainda recorrer a uma analogia do presente. Guardadas as proporções, pode tomar corpo um caso Epstein brasileiro. Nos Estados Unidos, republicanos e democratas açularam as brasas dos segredos de um magnata que, ao fim, compromete uma legião ainda não totalmente identificada, mas certamente ecumênica. Com informações do Valor Econômico.
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