Eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara reacendeu uma controvérsia previsível. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
A eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados reacendeu uma controvérsia previsível. De um lado, críticas que contestam sua presença no colegiado, sob o argumento de que a sra. Hilton não seria mulher. De outro, reações imediatas em sua defesa, afirmando que, como mulher trans, deve ser reconhecida como tal – e que questioná-la seria “transfobia”. O debate, assim, não tardou a se reduzir a uma disputa identitária que pouco esclarece o essencial.
Não é por aí. A questão relevante não está em discutir se a deputada é ou não é mulher. À luz das transformações culturais e legais do nosso tempo, trata-se de uma mulher trans. E ponto. Insistir nesse impasse empobrece o debate e desvia o foco. O ponto substantivo é outro: a sra. Hilton é o melhor nome para representar a pluralidade das mulheres brasileiras? Ou sua atuação, marcada por forte carga ideológica, por um comportamento por vezes divisivo e por uma retórica frequentemente confrontacional e persecutória, tende mais a aprofundar cisões do que a construir pontes?
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher não é, ou não deveria ser, uma trincheira identitária. É um espaço institucional voltado à formulação de políticas públicas e à construção de consensos mínimos em torno de temas concretos: violência doméstica, desigualdade salarial, acesso a creches, saúde reprodutiva, mercado de trabalho. São assuntos que exigem capacidade de diálogo, articulação e senso de prioridade.
Com efeito, a escolha de seus integrantes não pode obedecer apenas à lógica da representatividade simbólica. Representar não é apenas encarnar uma causa, mas ampliá-la, torná-la inteligível e aceitável para além da própria tribo. É construir maioria, não apenas expressar identidade.
Não se ignora aqui o fato de que a sra. Hilton construiu sua trajetória com base em pautas legítimas, sobretudo no campo dos direitos das minorias. Mas também se notabilizou por uma atuação que privilegia o embate em detrimento da escuta e da persuasão. Em um ambiente já polarizado, a dúvida é se esse perfil fortalece a agenda das mulheres ou a restringe a um campo ideológico, afastando apoios necessários para avanços concretos.
A política brasileira oferece exemplos dos riscos de se confundir representatividade com liderança. Nem todo símbolo é um bom articulador, e nem toda voz potente é a mais eficaz para produzir resultados. Há momentos em que se exige menos afirmação identitária e mais habilidade institucional.
Isso não significa deslegitimar lideranças trans. A diversidade é um valor democrático. Mas, por si só, não substitui critérios de eficácia. A pergunta central é mais simples, ainda que de resposta igualmente complexa: quem melhor reúne condições de avançar a agenda das mulheres?
Este jornal reconhece a identidade de gênero da deputada, mas não vê em Erika Hilton o nome mais adequado para cumprir essa tarefa com amplitude, equilíbrio e resultado. (Opinião de O Estado de S. Paulo)
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A deputada federal Erika Hilton na Comissão da Mulher tende a criar divergência onde há necessidade de entendimento
Eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara reacendeu uma controvérsia previsível. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
A eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados reacendeu uma controvérsia previsível. De um lado, críticas que contestam sua presença no colegiado, sob o argumento de que a sra. Hilton não seria mulher. De outro, reações imediatas em sua defesa, afirmando que, como mulher trans, deve ser reconhecida como tal – e que questioná-la seria “transfobia”. O debate, assim, não tardou a se reduzir a uma disputa identitária que pouco esclarece o essencial.
Não é por aí. A questão relevante não está em discutir se a deputada é ou não é mulher. À luz das transformações culturais e legais do nosso tempo, trata-se de uma mulher trans. E ponto. Insistir nesse impasse empobrece o debate e desvia o foco. O ponto substantivo é outro: a sra. Hilton é o melhor nome para representar a pluralidade das mulheres brasileiras? Ou sua atuação, marcada por forte carga ideológica, por um comportamento por vezes divisivo e por uma retórica frequentemente confrontacional e persecutória, tende mais a aprofundar cisões do que a construir pontes?
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher não é, ou não deveria ser, uma trincheira identitária. É um espaço institucional voltado à formulação de políticas públicas e à construção de consensos mínimos em torno de temas concretos: violência doméstica, desigualdade salarial, acesso a creches, saúde reprodutiva, mercado de trabalho. São assuntos que exigem capacidade de diálogo, articulação e senso de prioridade.
Com efeito, a escolha de seus integrantes não pode obedecer apenas à lógica da representatividade simbólica. Representar não é apenas encarnar uma causa, mas ampliá-la, torná-la inteligível e aceitável para além da própria tribo. É construir maioria, não apenas expressar identidade.
Não se ignora aqui o fato de que a sra. Hilton construiu sua trajetória com base em pautas legítimas, sobretudo no campo dos direitos das minorias. Mas também se notabilizou por uma atuação que privilegia o embate em detrimento da escuta e da persuasão. Em um ambiente já polarizado, a dúvida é se esse perfil fortalece a agenda das mulheres ou a restringe a um campo ideológico, afastando apoios necessários para avanços concretos.
A política brasileira oferece exemplos dos riscos de se confundir representatividade com liderança. Nem todo símbolo é um bom articulador, e nem toda voz potente é a mais eficaz para produzir resultados. Há momentos em que se exige menos afirmação identitária e mais habilidade institucional.
Isso não significa deslegitimar lideranças trans. A diversidade é um valor democrático. Mas, por si só, não substitui critérios de eficácia. A pergunta central é mais simples, ainda que de resposta igualmente complexa: quem melhor reúne condições de avançar a agenda das mulheres?
Este jornal reconhece a identidade de gênero da deputada, mas não vê em Erika Hilton o nome mais adequado para cumprir essa tarefa com amplitude, equilíbrio e resultado. (Opinião de O Estado de S. Paulo)
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