A atuação heterodoxa de ministros do Supremo em torno da liquidação do Banco Master destoa do padrão institucional observado em crises bancárias anteriores
No Supremo, a heterodoxia é particularmente inquietante. (Foto: Reprodução)
O sistema financeiro nacional é reconhecidamente um dos mais seguros e bem regulados do mundo. A arquitetura institucional formada pelo Conselho Monetário Nacional, pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários construiu uma rede de fiscalização e controle que se mostrou capaz de conter abusos, mitigar riscos e preservar a confiança de correntistas e investidores. Nesse contexto, a liquidação extrajudicial de instituições financeiras, conduzida pelo Banco Central com base em critérios técnicos rigorosos, nunca foi alvo de grande controvérsia.
Desde a redemocratização, o País assistiu a dezenas de liquidações bancárias, algumas delas, inclusive, envolvendo banqueiros com livre acesso aos governos de turno. Houve ruído, disputas judiciais e reações políticas, mas nada que ameaçasse a estabilidade do sistema ou justificasse a mobilização extraordinária dos mais altos escalões da República. Ao contrário: fossem mais e ou menos ruidosas, essas liquidações só fortaleceram a credibilidade do sistema financeiro nacional.
É justamente por isso que causa perplexidade o alvoroço em torno da liquidação do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Por que esse caso, em particular, provoca tamanha comoção em Brasília? Por que o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal de Contas da União (TCU) e parte do Congresso passaram a atuar de forma tão intensa contra uma decisão técnica do Banco Central e, ademais, previsível à luz das desconfianças que as operações do banco sempre despertaram no mercado e nos órgãos de fiscalização?
Mais grave é o ambiente marcado por conflitos de interesses que cerca o caso Master. Negócios privados envolvendo parentes de Dias Toffoli e pessoas diretamente ligadas a Vorcaro, bem como a contratação milionária do escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, não são, a priori, provas de ilegalidades. Mas impõem o afastamento de ambos. Em um Estado de Direito, a aparência de imparcialidade é tão essencial quanto a imparcialidade em si.
O Supremo é o guardião da Constituição. Justamente por isso, deve explicações ao País sempre que sua atuação se afasta do padrão de autocontenção, previsibilidade e rigor jurídico que dele se espera. (Editorial publicado em O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/a-atuacao-heterodoxa-de-ministros-do-supremo-em-torno-da-liquidacao-do-banco-master-destoa-do-padrao-institucional-observado-em-crises-bancarias-anteriores/ A atuação heterodoxa de ministros do Supremo em torno da liquidação do Banco Master destoa do padrão institucional observado em crises bancárias anteriores 2026-01-17
Paulinho da Força, relator do projeto de redução de penas, apresentou proposta aos petistas. (Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados) O relator do projeto de redução de penas aos condenados por ataques golpistas, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), realizou uma reunião com a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) para tratar da proposta em tramitação na …
Motivo da não votação foi a falta de consenso entre parlamentares. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil) A sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) não votou a convocação do advogado-geral da União, Jorge Messias, na sessão da última quinta-feira (27), por não haver consenso entre os parlamentares. O …
“Torço e trabalharei para que, em 2026, a gente possa criar as condições para uma alternativa ao que está aí”, declarou Leite. (Foto: Vitor Rosa/Secom) O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), está diante de uma encruzilhada. Deseja concorrer à Presidência da República, mas depende de um aval ainda incerto do presidente …
Na interpretação caciques de partidos de centro, o registro de Flávio com Rubio dialogaria apenas “com a bolha bolsonarista”.(Foto: Agência Senado) Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se frustrou em viagem aos Estados Unidos, onde passou as últimas semanas, por não ter conseguido um encontro com representantes da alta cúpula da Casa Branca. …
A atuação heterodoxa de ministros do Supremo em torno da liquidação do Banco Master destoa do padrão institucional observado em crises bancárias anteriores
No Supremo, a heterodoxia é particularmente inquietante. (Foto: Reprodução)
O sistema financeiro nacional é reconhecidamente um dos mais seguros e bem regulados do mundo. A arquitetura institucional formada pelo Conselho Monetário Nacional, pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários construiu uma rede de fiscalização e controle que se mostrou capaz de conter abusos, mitigar riscos e preservar a confiança de correntistas e investidores. Nesse contexto, a liquidação extrajudicial de instituições financeiras, conduzida pelo Banco Central com base em critérios técnicos rigorosos, nunca foi alvo de grande controvérsia.
Desde a redemocratização, o País assistiu a dezenas de liquidações bancárias, algumas delas, inclusive, envolvendo banqueiros com livre acesso aos governos de turno. Houve ruído, disputas judiciais e reações políticas, mas nada que ameaçasse a estabilidade do sistema ou justificasse a mobilização extraordinária dos mais altos escalões da República. Ao contrário: fossem mais e ou menos ruidosas, essas liquidações só fortaleceram a credibilidade do sistema financeiro nacional.
É justamente por isso que causa perplexidade o alvoroço em torno da liquidação do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Por que esse caso, em particular, provoca tamanha comoção em Brasília? Por que o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal de Contas da União (TCU) e parte do Congresso passaram a atuar de forma tão intensa contra uma decisão técnica do Banco Central e, ademais, previsível à luz das desconfianças que as operações do banco sempre despertaram no mercado e nos órgãos de fiscalização?
Mais grave é o ambiente marcado por conflitos de interesses que cerca o caso Master. Negócios privados envolvendo parentes de Dias Toffoli e pessoas diretamente ligadas a Vorcaro, bem como a contratação milionária do escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, não são, a priori, provas de ilegalidades. Mas impõem o afastamento de ambos. Em um Estado de Direito, a aparência de imparcialidade é tão essencial quanto a imparcialidade em si.
O Supremo é o guardião da Constituição. Justamente por isso, deve explicações ao País sempre que sua atuação se afasta do padrão de autocontenção, previsibilidade e rigor jurídico que dele se espera. (Editorial publicado em O Estado de S. Paulo)
https://www.osul.com.br/a-atuacao-heterodoxa-de-ministros-do-supremo-em-torno-da-liquidacao-do-banco-master-destoa-do-padrao-institucional-observado-em-crises-bancarias-anteriores/
A atuação heterodoxa de ministros do Supremo em torno da liquidação do Banco Master destoa do padrão institucional observado em crises bancárias anteriores
2026-01-17
Related Posts
Bancada do PT faz coro de “sem anistia” após reunião com o relator do projeto
Paulinho da Força, relator do projeto de redução de penas, apresentou proposta aos petistas. (Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados) O relator do projeto de redução de penas aos condenados por ataques golpistas, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), realizou uma reunião com a bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) para tratar da proposta em tramitação na …
CPMI do INSS retira de pauta convocação de Jorge Messias, indicado de Lula para o Supremo
Motivo da não votação foi a falta de consenso entre parlamentares. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil) A sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) não votou a convocação do advogado-geral da União, Jorge Messias, na sessão da última quinta-feira (27), por não haver consenso entre os parlamentares. O …
Eduardo Leite diz que o presidente do seu partido tem deixado muito claro que “não estaremos nem com Lula nem com Bolsonaro” nas eleições
“Torço e trabalharei para que, em 2026, a gente possa criar as condições para uma alternativa ao que está aí”, declarou Leite. (Foto: Vitor Rosa/Secom) O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), está diante de uma encruzilhada. Deseja concorrer à Presidência da República, mas depende de um aval ainda incerto do presidente …
Flávio Bolsonaro se frustra ao não encontrar Marco Rubio durante viagem aos Estados Unidos; não pegou bem
Na interpretação caciques de partidos de centro, o registro de Flávio com Rubio dialogaria apenas “com a bolha bolsonarista”.(Foto: Agência Senado) Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se frustrou em viagem aos Estados Unidos, onde passou as últimas semanas, por não ter conseguido um encontro com representantes da alta cúpula da Casa Branca. …