Operação da PF contra o líder do governo no Senado (foto) pode ser um desses ventos que viram birutas eleitorais. (Foto Lula Marques/Agência Brasil)
Pesquisa eleitoral é o retrato do momento. Essa frase é repetida até enjoar a cada eleição. No Brasil, os momentos mudam rápido e, muitas vezes, a população não entende por que o candidato que estava acima nas pesquisas não termina eleito – ou vice-versa.
A operação da Polícia Federal (PF) de quinta-feira (18), contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), pode ser um desses ventos que viram birutas eleitorais. Ao apurar o envolvimento de um amigo próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os esquemas de Daniel Vorcaro na Bahia, a PF dá ao adversário Flávio Bolsonaro a oportunidade de sair das cordas e mudar a narrativa.
Desde a revelação de que Flávio mandou mensagem de áudio para o dono do Banco Master pedindo vultosa quantia de dinheiro sob a justificativa de que seria para o filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, os números do senador nas pesquisas de intenção de voto não param de cair. Qualquer instituto registrou o tombo, mas para ficar em um dos últimos: pesquisa da CNT/MDA, divulgada na última terça-feira (16), mostra que as intenções de voto de Lula e Flávio no segundo turno passaram de 45% e 40%, em abril, respectivamente, para 49,3% contra 36,8% em maio.
Com a viabilidade da candidatura questionada, o envolvimento do aliado de Lula no caso Master agora é tudo o que Flávio queria. E calhou de ser em um dia de agenda positiva do filho do ex-presidente Bolsonaro. Desde o início da semana, seus apoiadores vinham divulgando nas redes vídeos avisando que hoje seria anunciado algo “grande” relacionado ao combate ao crime organizado, aludindo ao lançamento nesta quinta-feira do plano do candidato para área de segurança pública.
E veio como seus eleitores fiéis mais gostam: com a promessa de declarar organizações como PCC, Comando Vermelho e milícias como narcoterroristas, de reduzir a maioridade penal para 16 anos, equipar fronteiras com armas de guerra, construir novos presídios de segurança máxima e castrar quimicamente abusadores sexuais. Em meio à queda de popularidade, Flávio já havia sido aconselhado por coordenadores de campanha a endurecer o discurso para ver se ganhava alguns pontinhos nas pesquisas.
Ele aproveitou o evento para surfar na operação de hoje e disse que o PT da Bahia foi “implodido”. Acontece que há um limite para quem tem teto de vidro atirar pedra no telhado dos outros. Primeiro, porque há uma diferença nas duas situações. É mais fácil para Lula se afastar sacando do bolso sua tradicional frase “se alguém errou, tem que ser investigado e punido”. Ele vem fazendo isso há anos, desde o mensalão, inclusive com seu filho Lulinha no caso do INSS.
Para Flávio, já tem sido mais difícil explicar os tais áudios, em que chamou Vorcaro de “irmão” e ainda disse “estarei contigo sempre”. Até agora, inclusive, ele ainda não apresentou os tais contratos que o filme Dark Horse teria de patrocínio com as empresas de Vorcaro. A ver que retratos as pesquisas eleitorais mostrarão dos próximos momentos e até outubro. (Opinião por Lorenna Rodrigues/O Estado de S. Paulo)
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Com amigo de Lula envolvido com Vorcaro, Flávio pode tentar mudar narrativa
Operação da PF contra o líder do governo no Senado (foto) pode ser um desses ventos que viram birutas eleitorais. (Foto Lula Marques/Agência Brasil)
Pesquisa eleitoral é o retrato do momento. Essa frase é repetida até enjoar a cada eleição. No Brasil, os momentos mudam rápido e, muitas vezes, a população não entende por que o candidato que estava acima nas pesquisas não termina eleito – ou vice-versa.
A operação da Polícia Federal (PF) de quinta-feira (18), contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), pode ser um desses ventos que viram birutas eleitorais. Ao apurar o envolvimento de um amigo próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os esquemas de Daniel Vorcaro na Bahia, a PF dá ao adversário Flávio Bolsonaro a oportunidade de sair das cordas e mudar a narrativa.
Desde a revelação de que Flávio mandou mensagem de áudio para o dono do Banco Master pedindo vultosa quantia de dinheiro sob a justificativa de que seria para o filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, os números do senador nas pesquisas de intenção de voto não param de cair. Qualquer instituto registrou o tombo, mas para ficar em um dos últimos: pesquisa da CNT/MDA, divulgada na última terça-feira (16), mostra que as intenções de voto de Lula e Flávio no segundo turno passaram de 45% e 40%, em abril, respectivamente, para 49,3% contra 36,8% em maio.
Com a viabilidade da candidatura questionada, o envolvimento do aliado de Lula no caso Master agora é tudo o que Flávio queria. E calhou de ser em um dia de agenda positiva do filho do ex-presidente Bolsonaro. Desde o início da semana, seus apoiadores vinham divulgando nas redes vídeos avisando que hoje seria anunciado algo “grande” relacionado ao combate ao crime organizado, aludindo ao lançamento nesta quinta-feira do plano do candidato para área de segurança pública.
E veio como seus eleitores fiéis mais gostam: com a promessa de declarar organizações como PCC, Comando Vermelho e milícias como narcoterroristas, de reduzir a maioridade penal para 16 anos, equipar fronteiras com armas de guerra, construir novos presídios de segurança máxima e castrar quimicamente abusadores sexuais. Em meio à queda de popularidade, Flávio já havia sido aconselhado por coordenadores de campanha a endurecer o discurso para ver se ganhava alguns pontinhos nas pesquisas.
Ele aproveitou o evento para surfar na operação de hoje e disse que o PT da Bahia foi “implodido”. Acontece que há um limite para quem tem teto de vidro atirar pedra no telhado dos outros. Primeiro, porque há uma diferença nas duas situações. É mais fácil para Lula se afastar sacando do bolso sua tradicional frase “se alguém errou, tem que ser investigado e punido”. Ele vem fazendo isso há anos, desde o mensalão, inclusive com seu filho Lulinha no caso do INSS.
Para Flávio, já tem sido mais difícil explicar os tais áudios, em que chamou Vorcaro de “irmão” e ainda disse “estarei contigo sempre”. Até agora, inclusive, ele ainda não apresentou os tais contratos que o filme Dark Horse teria de patrocínio com as empresas de Vorcaro. A ver que retratos as pesquisas eleitorais mostrarão dos próximos momentos e até outubro. (Opinião por Lorenna Rodrigues/O Estado de S. Paulo)
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