A medida dá a Flávio um discurso que pode machucar o presidente durante a campanha. (Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Andressa AnholeteAgência Senado)
Com a campanha presidencial nas cordas desde a revelação de suas negociações milionárias e nebulosas com Daniel Vorcaro há duas semanas, Flávio Bolsonaro (PL) conseguiu uma vitória que poderá servir de armadilha para o presidente Lula durante todo o processo eleitoral: a decisão do governo Donald Trump de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Além do constrangimento para Lula, que há apenas 20 dias visitou Trump nos Estados Unidos e entregou ao americano um documento com argumentos contrários, a medida dá a Flávio um discurso que pode machucar o presidente durante a campanha. Como o presidente será contra, o pré-candidato do PL vai usar a atitude para repisar o discurso dos bolsonaristas de que o petista “defende bandido”.
Sem contar que, como perdeu a oportunidade de tomar a frente do debate da segurança pública na corrida eleitoral, depois da ofensiva de Trump agora capitalizada pelos Bolsonaro, qualquer medida na área soará como uma postura defensiva ou, ainda, oportunista com a proximidade da disputa presidencial.
Não é por outra razão que o Palácio do Planalto vem demorando a responder oficialmente a Trump a não ser a necessidade de planejar com cautela o próximo movimento para evitar ser acusado de proteger o PCC e o CV, como mostrou o jornal O Globo.
Flávio não perdeu tempo e, logo após o anúncio oficial pelo Departamento de Estado americano, divulgou nas redes sociais um vídeo no qual diz que em apenas uma visita à Casa Branca sem a condição de chefe de Estado “fez mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e o Lula em seus 17 anos de mandato”.
Com isso, ganhou um fôlego após duas semanas de intenso desgaste político por conta do caso “Dark Horse” e a mal explicada negociação de R$ 134 milhões para o filme sobre Jair Bolsonaro com o dono do Banco Master.
Embora a proposta de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas já venha de gestões anteriores e esteja sendo discutida pelo governo Trump desde o início de 2025, é impossível dissociar sua adoção neste momento à visita de Flávio, que passou os últimos três dias nos Estados Unidos.
Além de uma reunião rápida com o próprio Trump, ele esteve também com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o vice-presidente, JD Vance, e divulgou uma nota dizendo ter pedido aos dois a adoção da sanção contra as facções brasileiras.
Reposicionamento
Ao mesmo tempo em que o anúncio da decisão por Rubio poucas horas após o pré-candidato chegar ao Brasil sinaliza que, mais do que um trunfo da articulação bolsonarista junto a setores do governo Trump, a classificação do CV e do PCC como organizações criminosas fez parte de um movimento mais amplo de reposicionamento do governo americano em relação ao Brasil, de olho na eleição.
Já por parte do bolsonarismo o cálculo político é objetivo: segundo a última pesquisa Genial/Quaest, divulgada no dia 13 a violência é o tema que mais preocupa os eleitores. O problema foi citado por 31% dos entrevistados, bem à frente de assuntos como corrupção (18%), em alta por conta do escândalo do Banco Master, problemas sociais (15%), saúde e economia (12%) e educação (6%).
O tema da segurança pública é um calcanhar de Aquiles para a esquerda há anos, mas a direita já havia detectado fumaça na última ocasião em que o governo Lula se viu emparedado pelo tema, nos dias seguintes à operação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, que deixou 121 mortos.
Desde então, o Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça aceleraram a tramitação de dois projetos-chave para garantir ao governo bandeiras a serem defendidas no período eleitoral: a Lei Antifacção, que endureceu o combate a grupos como o CV e o PCC, hoje na mira dos EUA, e a PEC da Segurança Pública, que repactua o papel dos entes federativos e amplia o poder da União na área.
Mesmo desidratadas pela oposição, o governo e o PT vinham trabalhando nas redes para consolidar a percepção de que a gestão de Lula fez seu trabalho. Acenando para um eventual quarto mandato, pleiteado pelo petista nas urnas em outubro, Lula voltou a falar nas últimas semanas em recriar o Ministério da Segurança Pública, promessa de campanha de 2022 vetada por Flávio Dino na transição e esquecida nos escaninhos do Planalto. (Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo)
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Flávio Bolsonaro deve usar medida de Trump como armadilha eleitoral para Lula
A medida dá a Flávio um discurso que pode machucar o presidente durante a campanha. (Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Andressa AnholeteAgência Senado)
Com a campanha presidencial nas cordas desde a revelação de suas negociações milionárias e nebulosas com Daniel Vorcaro há duas semanas, Flávio Bolsonaro (PL) conseguiu uma vitória que poderá servir de armadilha para o presidente Lula durante todo o processo eleitoral: a decisão do governo Donald Trump de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Além do constrangimento para Lula, que há apenas 20 dias visitou Trump nos Estados Unidos e entregou ao americano um documento com argumentos contrários, a medida dá a Flávio um discurso que pode machucar o presidente durante a campanha. Como o presidente será contra, o pré-candidato do PL vai usar a atitude para repisar o discurso dos bolsonaristas de que o petista “defende bandido”.
Sem contar que, como perdeu a oportunidade de tomar a frente do debate da segurança pública na corrida eleitoral, depois da ofensiva de Trump agora capitalizada pelos Bolsonaro, qualquer medida na área soará como uma postura defensiva ou, ainda, oportunista com a proximidade da disputa presidencial.
Não é por outra razão que o Palácio do Planalto vem demorando a responder oficialmente a Trump a não ser a necessidade de planejar com cautela o próximo movimento para evitar ser acusado de proteger o PCC e o CV, como mostrou o jornal O Globo.
Flávio não perdeu tempo e, logo após o anúncio oficial pelo Departamento de Estado americano, divulgou nas redes sociais um vídeo no qual diz que em apenas uma visita à Casa Branca sem a condição de chefe de Estado “fez mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros do que o PT e o Lula em seus 17 anos de mandato”.
Com isso, ganhou um fôlego após duas semanas de intenso desgaste político por conta do caso “Dark Horse” e a mal explicada negociação de R$ 134 milhões para o filme sobre Jair Bolsonaro com o dono do Banco Master.
Embora a proposta de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas já venha de gestões anteriores e esteja sendo discutida pelo governo Trump desde o início de 2025, é impossível dissociar sua adoção neste momento à visita de Flávio, que passou os últimos três dias nos Estados Unidos.
Além de uma reunião rápida com o próprio Trump, ele esteve também com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o vice-presidente, JD Vance, e divulgou uma nota dizendo ter pedido aos dois a adoção da sanção contra as facções brasileiras.
Reposicionamento
Ao mesmo tempo em que o anúncio da decisão por Rubio poucas horas após o pré-candidato chegar ao Brasil sinaliza que, mais do que um trunfo da articulação bolsonarista junto a setores do governo Trump, a classificação do CV e do PCC como organizações criminosas fez parte de um movimento mais amplo de reposicionamento do governo americano em relação ao Brasil, de olho na eleição.
Já por parte do bolsonarismo o cálculo político é objetivo: segundo a última pesquisa Genial/Quaest, divulgada no dia 13 a violência é o tema que mais preocupa os eleitores. O problema foi citado por 31% dos entrevistados, bem à frente de assuntos como corrupção (18%), em alta por conta do escândalo do Banco Master, problemas sociais (15%), saúde e economia (12%) e educação (6%).
O tema da segurança pública é um calcanhar de Aquiles para a esquerda há anos, mas a direita já havia detectado fumaça na última ocasião em que o governo Lula se viu emparedado pelo tema, nos dias seguintes à operação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, que deixou 121 mortos.
Desde então, o Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça aceleraram a tramitação de dois projetos-chave para garantir ao governo bandeiras a serem defendidas no período eleitoral: a Lei Antifacção, que endureceu o combate a grupos como o CV e o PCC, hoje na mira dos EUA, e a PEC da Segurança Pública, que repactua o papel dos entes federativos e amplia o poder da União na área.
Mesmo desidratadas pela oposição, o governo e o PT vinham trabalhando nas redes para consolidar a percepção de que a gestão de Lula fez seu trabalho. Acenando para um eventual quarto mandato, pleiteado pelo petista nas urnas em outubro, Lula voltou a falar nas últimas semanas em recriar o Ministério da Segurança Pública, promessa de campanha de 2022 vetada por Flávio Dino na transição e esquecida nos escaninhos do Planalto. (Com informações da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo)
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