Segundo interlocutores, Motta participou de reuniões recentes com Alcolumbre e o ministro José Guimarães para tentar distensionar o clima.(Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados)
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), intensificou nas últimas semanas os gestos de aproximação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e passou a atuar para reduzir a tensão entre o Palácio do Planalto e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Segundo interlocutores, Motta participou de reuniões recentes com Alcolumbre e o ministro José Guimarães para tentar distensionar o clima. Ainda não há, porém, previsão de encontro entre Lula e Alcolumbre.
Aliados afirmam que a aproximação com o governo também tem como pano de fundo o projeto de reeleição de Motta ao comando da Câmara, em 2027, além da tentativa de ampliar o apoio do Planalto à candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado pela Paraíba.
No entorno do PT, contudo, há resistência. Petistas afirmam que hoje a tendência é que Lula endosse as candidaturas do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e do governador João Azevêdo (PSB-PB) ao Senado.
Pautas em discussão O distanciamento entre Lula e Alcolumbre se agravou após divergências envolvendo a indicação e posterior rejeição de Jorge Messias ao STF. Diante desse desgaste, auxiliares do presidente passaram a apostar numa relação mais próxima com Motta para avançar em pautas consideradas prioritárias.
Entre elas está o debate sobre o fim da escala 6×1. O presidente da Câmara costurou um acordo para acelerar a discussão da proposta, considerada de forte apelo popular. Governistas avaliam que a pauta pode fortalecer politicamente o governo às vésperas da eleição.
Motta também escolheu o deputado petista Alencar Santana para presidir a comissão especial que analisará a proposta. O chefe da Câmara dos Deputados também participou da cerimônia de posse de Odair Cunha (PT) a uma vaga de ministro no Tribunal de Contas da União (TCU).
Nos bastidores, líderes partidários avaliam que Motta tenta consolidar apoios desde já para desestimular candidaturas rivais em 2027. Um dos nomes citados é o do líder do PSD, Antonio Brito, que mantém bom trânsito entre governistas e bolsonaristas. Parlamentares também acompanham os movimentos do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), embora ele negue intenção de voltar a disputar o comando da Casa e confirme a vontade de disputar o Senado.
Controle de relatorias Um líder afirma que, ao contrário da eleição em 2025, Motta dificilmente conseguirá apoio do PT e do PL em torno de sua candidatura. Há desconfiança dos dois partidos com ele. O PL, inclusive, ensaia lançar o líder do partido, Sóstenes Cavalcante (RJ). Já petistas dizem que não foi firmado um compromisso com a reeleição de Motta na primeira disputa, e que isso será tratado mais adiante.
Hoje, um dos principais trunfos de Motta é o controle sobre a distribuição de relatorias de projetos prioritários ou que terão grande visibilidade da sociedade civil para atender a diferentes siglas. Neste semestre, propostas relevantes ficaram com deputados do Republicanos, seu partido, como a PEC da escala 6×1, relatada por Leo Prates (BA), e o projeto que amplia o teto de faturamento dos MEIs, sob relatoria de Jorge Goetten (SC).
A escolha dos relatores também segue um padrão de parlamentares com menor projeção nas disputas internas da Casa e menor capacidade de impor mudanças estruturais nos textos, segundo parlamentares ouvidos reservadamente. Para interlocutores de Motta, esse perfil facilita a condução das propostas com maior alinhamento à presidência da Câmara e reduz o risco de alterações que possam desagradar ao governo.
A assessoria de Motta nega uma concentração de relatorias nas mãos de deputados do Republicanos e diz que isso seria uma coincidência e não reflete o histórico da atual gestão da Casa. Segundo a assessoria, desde que assumiu o comando da Câmara, Motta tem adotado três critérios principais para a definição de relatores: afinidade do perfil do parlamentar com o tema da proposta, indicações feitas pelas lideranças partidárias e a priorização de mulheres para postos de relatoria. Com informações do portal O Globo.
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Presidente da Câmara dos Deputados se aproxima de Lula visando apoio para sua reeleição e avança em pleitos de interesse do governo
Segundo interlocutores, Motta participou de reuniões recentes com Alcolumbre e o ministro José Guimarães para tentar distensionar o clima.(Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados)
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), intensificou nas últimas semanas os gestos de aproximação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e passou a atuar para reduzir a tensão entre o Palácio do Planalto e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Segundo interlocutores, Motta participou de reuniões recentes com Alcolumbre e o ministro José Guimarães para tentar distensionar o clima. Ainda não há, porém, previsão de encontro entre Lula e Alcolumbre.
Aliados afirmam que a aproximação com o governo também tem como pano de fundo o projeto de reeleição de Motta ao comando da Câmara, em 2027, além da tentativa de ampliar o apoio do Planalto à candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado pela Paraíba.
No entorno do PT, contudo, há resistência. Petistas afirmam que hoje a tendência é que Lula endosse as candidaturas do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e do governador João Azevêdo (PSB-PB) ao Senado.
Pautas em discussão
O distanciamento entre Lula e Alcolumbre se agravou após divergências envolvendo a indicação e posterior rejeição de Jorge Messias ao STF. Diante desse desgaste, auxiliares do presidente passaram a apostar numa relação mais próxima com Motta para avançar em pautas consideradas prioritárias.
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Motta também escolheu o deputado petista Alencar Santana para presidir a comissão especial que analisará a proposta. O chefe da Câmara dos Deputados também participou da cerimônia de posse de Odair Cunha (PT) a uma vaga de ministro no Tribunal de Contas da União (TCU).
Nos bastidores, líderes partidários avaliam que Motta tenta consolidar apoios desde já para desestimular candidaturas rivais em 2027. Um dos nomes citados é o do líder do PSD, Antonio Brito, que mantém bom trânsito entre governistas e bolsonaristas. Parlamentares também acompanham os movimentos do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), embora ele negue intenção de voltar a disputar o comando da Casa e confirme a vontade de disputar o Senado.
Controle de relatorias
Um líder afirma que, ao contrário da eleição em 2025, Motta dificilmente conseguirá apoio do PT e do PL em torno de sua candidatura. Há desconfiança dos dois partidos com ele. O PL, inclusive, ensaia lançar o líder do partido, Sóstenes Cavalcante (RJ). Já petistas dizem que não foi firmado um compromisso com a reeleição de Motta na primeira disputa, e que isso será tratado mais adiante.
Hoje, um dos principais trunfos de Motta é o controle sobre a distribuição de relatorias de projetos prioritários ou que terão grande visibilidade da sociedade civil para atender a diferentes siglas. Neste semestre, propostas relevantes ficaram com deputados do Republicanos, seu partido, como a PEC da escala 6×1, relatada por Leo Prates (BA), e o projeto que amplia o teto de faturamento dos MEIs, sob relatoria de Jorge Goetten (SC).
A escolha dos relatores também segue um padrão de parlamentares com menor projeção nas disputas internas da Casa e menor capacidade de impor mudanças estruturais nos textos, segundo parlamentares ouvidos reservadamente. Para interlocutores de Motta, esse perfil facilita a condução das propostas com maior alinhamento à presidência da Câmara e reduz o risco de alterações que possam desagradar ao governo.
A assessoria de Motta nega uma concentração de relatorias nas mãos de deputados do Republicanos e diz que isso seria uma coincidência e não reflete o histórico da atual gestão da Casa. Segundo a assessoria, desde que assumiu o comando da Câmara, Motta tem adotado três critérios principais para a definição de relatores: afinidade do perfil do parlamentar com o tema da proposta, indicações feitas pelas lideranças partidárias e a priorização de mulheres para postos de relatoria. Com informações do portal O Globo.
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