O advogado Otto Lobo, indicado para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
O advogado Otto Lobo, indicado para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (20) a indicação do advogado Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por 31 votos a 13.
Além de Lobo, o plenário também aprovou o nome de Igor Muniz para a diretoria da autarquia.
A indicação de Lobo para o comando da CVM é atribuída a empresários e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que publicamente negou ser o padrinho.
Lobo não terá um mandato de cinco anos, como acontece em novas nomeações. Ele cumprirá um mandato tampão até julho de 2027, complementando o período restante do mandato de João Pedro Nascimento, ex-presidente que deixou o cargo em julho do ano passado.
A indicação de Lobo dividiu setores do governo, com o ministério da Fazenda, à época comandado por Fernando Haddad, contrário à indicação. A posição foi seguida pelo atual chefe da pasta, Dario Durigan, mas segundo fontes a par das conversas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou ao relator da indicação, senador Eduardo Braga (MDB-AM) a escolha por Lobo.
O nome do advogado também foi mal recebido no mercado financeiro em função de decisões favoráveis ao Banco Master enquanto presidiu a CVM de forma interina.
Em uma das decisões questionadas pelo Tribunal de Contas da União, o voto de qualidade de Lobo dispensou a Ambipar — empresa de gestão de resíduos que realizou diversas transações com o Master — de realizar uma oferta pública de ações (OPA).
A posição de Lobo contrariou a área técnica da CVM que apontou uma ação orquestrada entre os empresários Nelson Tanure e Tércio Bolenghi e do Banco Master para inflar o preço das ações da empresa.
Em outubro de 2025, dias antes da liquidação do banco de Daniel Vorcaro, a Ambipar teve sua recuperação judicial aprovada.
Mais cedo, a Comissão de Constituição e Jusitiça (CCJ) do Senado aprovou a indicação de Lobo à CVM. Questionado durante a sabatina na CCJ, o advogado disse que houve incompreensão no caso da Ambipar e que não houve qualquer questionamento formal no órgão a favor da OPA da empresa.
“Até hoje, passados dez meses, nenhum advogado, nenhum parecerista, nenhum minoritário, nenhum grupo de interesse minoritário, se apresentou à CVM para defender essa OPA. É a OPA mais curiosa da história da CVM”, disse Lobo aos senadores.
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Senado aprova indicação do advogado Otto Lobo para presidir órgão que regula fundos de investimento
O advogado Otto Lobo, indicado para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários.
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
O advogado Otto Lobo, indicado para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (20) a indicação do advogado Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por 31 votos a 13.
Além de Lobo, o plenário também aprovou o nome de Igor Muniz para a diretoria da autarquia.
A indicação de Lobo para o comando da CVM é atribuída a empresários e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que publicamente negou ser o padrinho.
Lobo não terá um mandato de cinco anos, como acontece em novas nomeações. Ele cumprirá um mandato tampão até julho de 2027, complementando o período restante do mandato de João Pedro Nascimento, ex-presidente que deixou o cargo em julho do ano passado.
A indicação de Lobo dividiu setores do governo, com o ministério da Fazenda, à época comandado por Fernando Haddad, contrário à indicação. A posição foi seguida pelo atual chefe da pasta, Dario Durigan, mas segundo fontes a par das conversas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou ao relator da indicação, senador Eduardo Braga (MDB-AM) a escolha por Lobo.
O nome do advogado também foi mal recebido no mercado financeiro em função de decisões favoráveis ao Banco Master enquanto presidiu a CVM de forma interina.
Em uma das decisões questionadas pelo Tribunal de Contas da União, o voto de qualidade de Lobo dispensou a Ambipar — empresa de gestão de resíduos que realizou diversas transações com o Master — de realizar uma oferta pública de ações (OPA).
A posição de Lobo contrariou a área técnica da CVM que apontou uma ação orquestrada entre os empresários Nelson Tanure e Tércio Bolenghi e do Banco Master para inflar o preço das ações da empresa.
Em outubro de 2025, dias antes da liquidação do banco de Daniel Vorcaro, a Ambipar teve sua recuperação judicial aprovada.
Mais cedo, a Comissão de Constituição e Jusitiça (CCJ) do Senado aprovou a indicação de Lobo à CVM. Questionado durante a sabatina na CCJ, o advogado disse que houve incompreensão no caso da Ambipar e que não houve qualquer questionamento formal no órgão a favor da OPA da empresa.
“Até hoje, passados dez meses, nenhum advogado, nenhum parecerista, nenhum minoritário, nenhum grupo de interesse minoritário, se apresentou à CVM para defender essa OPA. É a OPA mais curiosa da história da CVM”, disse Lobo aos senadores.
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