O endereço do escritório de Maísa Marciano é o de uma empresa que aluga salas e oferece o serviço de emprestar o local como endereço fiscal para empresas.
(Foto: Reprodução)
A J&F e a JBS, dos irmãos Batista, transferiram R$ 11,5 milhões, em dezembro de 2023, a um escritório de advocacia de Goiânia (GO) que registrava faturamento mensal de R$ 9 mil, segundo documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O escritório da advogada Maísa de Maio Marciano tem endereço, conforme registrado no cadastro nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em uma sala compartilhada do bairro Setor Sul da capital goiana. Na internet, o espaço diz oferecer serviços de aluguel de salas, sala de reunião e endereço fiscal.
No mesmo dia de um dos pagamentos, a advogada transferiu R$ 3,5 milhões ao advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa que foi o comprador, em 2025, da participação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).
A advogada não quis dar declarações. Paulo Humberto Barbosa, que presta serviços à J&F, não quis responder perguntas. “Estou doido para processar vocês. Essa informação de vocês é falsa, fraudulenta. Vai você e o gerente do banco para a cadeia. Vou fazer questão de colocar o senhor na cadeia. Moleque! Vá para o quinto dos infernos”, disse, por telefone ao jornal O Estado de S. Paulo.
A JBS e a J&F disseram, por nota, que os pagamentos dizem respeito a serviços jurídicos prestados e comprovados, com emissão de nota fiscal e recolhimento de tributos. Ambas não especificaram os serviços contratados e não responderam a perguntas, incluindo sobre o destino final do dinheiro ter sido Paulo Humberto Barbosa.
A J&F é a holding controladora de várias empresas, entre as quais a JBS, uma das maiores empresas de proteína animal do mundo. O conglomerado pertence aos irmãos Joesley e Wesley Batista.
O alerta sobre as entradas e saídas do escritório foi feito ao Coaf por uma agência do Sicoob de Goiânia, em fevereiro de 2024, a partir de movimentações de Maísa Marciano. O relatório diz que “não foram apresentados documentos comprobatórios que justifiquem e forneçam lastro para as expressivas transações” e diz que o contexto aponta um “alto risco para lavagem de dinheiro”.
Os repasses das duas empresas ocorreram em dias próximos, segundo o documento mantido pelo Coaf. Em 15 de dezembro de 2023, a JBS repassou R$ 8 milhões. No dia 18, a J&F pagou outros R$ 3,5 milhões.
No mesmo dia 18, Maísa fez um pagamento de R$ 3,5 milhões ao advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa. Dono da PHB Holding, Barbosa entrou em evidência recentemente porque comprou, em fevereiro de 2025, a participação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no resort de Ribeirão Claro. Em julho de 2025, Barbosa também comprou a participação no resort do empresário Alberto Leite, que foi sócio do empreendimento por poucos meses.
E no mesmo dia em que recebeu da JBS, em 15 de dezembro, o escritório de Maísa Marciano fez, segundo o alerta ao Coaf, uma transferência de R$ 6,9 milhões ao BK Bank em uma conta no Banco do Brasil. O documento discrimina o CNPJ do BK como destinatário do recurso.
Em nota, o BK disse que atua exclusivamente com serviços de processamento de transações, não integrando a relação comercial entre seus clientes e terceiros e “não recebeu e não enviou recursos em seu nome para a empresa mencionada”.
“Todas as transações processadas por meio de sua plataforma são devidamente identificadas e registradas nas contas individualizadas dos clientes, com origem e destino dos recursos, garantindo elevados padrões de transparência e rastreabilidade”, afirmou.
No entanto, o BK é uma fintech que apareceu em investigações da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo por suspeitas de operar com as chamadas “contas bolsão”, mecanismo que mistura dinheiro de vários clientes para dificultar o rastreamento, e de ter servido a esquemas do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O BK Bank foi o principal alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. Segundo investigadores, a instituição financeira movimentou R$ 17,7 bilhões de forma suspeita e os valores movimentados teriam origem direta na exploração de jogos de azar, na venda de combustíveis adulterados ou em fraudes metrológicas na venda de combustível.
A fintech afirmou, em nota, que sua atuação está integralmente alinhada às normas regulatórias vigentes e que adota “políticas rigorosas de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo”.
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J&F e JBS enviaram R$ 11,5 milhões a advogada que faturava R$ 9 mil por mês – Jornal O Sul
O endereço do escritório de Maísa Marciano é o de uma empresa que aluga salas e oferece o serviço de emprestar o local como endereço fiscal para empresas.
(Foto: Reprodução)
A J&F e a JBS, dos irmãos Batista, transferiram R$ 11,5 milhões, em dezembro de 2023, a um escritório de advocacia de Goiânia (GO) que registrava faturamento mensal de R$ 9 mil, segundo documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O escritório da advogada Maísa de Maio Marciano tem endereço, conforme registrado no cadastro nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em uma sala compartilhada do bairro Setor Sul da capital goiana. Na internet, o espaço diz oferecer serviços de aluguel de salas, sala de reunião e endereço fiscal.
No mesmo dia de um dos pagamentos, a advogada transferiu R$ 3,5 milhões ao advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa que foi o comprador, em 2025, da participação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).
A advogada não quis dar declarações. Paulo Humberto Barbosa, que presta serviços à J&F, não quis responder perguntas. “Estou doido para processar vocês. Essa informação de vocês é falsa, fraudulenta. Vai você e o gerente do banco para a cadeia. Vou fazer questão de colocar o senhor na cadeia. Moleque! Vá para o quinto dos infernos”, disse, por telefone ao jornal O Estado de S. Paulo.
A JBS e a J&F disseram, por nota, que os pagamentos dizem respeito a serviços jurídicos prestados e comprovados, com emissão de nota fiscal e recolhimento de tributos. Ambas não especificaram os serviços contratados e não responderam a perguntas, incluindo sobre o destino final do dinheiro ter sido Paulo Humberto Barbosa.
A J&F é a holding controladora de várias empresas, entre as quais a JBS, uma das maiores empresas de proteína animal do mundo. O conglomerado pertence aos irmãos Joesley e Wesley Batista.
O alerta sobre as entradas e saídas do escritório foi feito ao Coaf por uma agência do Sicoob de Goiânia, em fevereiro de 2024, a partir de movimentações de Maísa Marciano. O relatório diz que “não foram apresentados documentos comprobatórios que justifiquem e forneçam lastro para as expressivas transações” e diz que o contexto aponta um “alto risco para lavagem de dinheiro”.
Os repasses das duas empresas ocorreram em dias próximos, segundo o documento mantido pelo Coaf. Em 15 de dezembro de 2023, a JBS repassou R$ 8 milhões. No dia 18, a J&F pagou outros R$ 3,5 milhões.
No mesmo dia 18, Maísa fez um pagamento de R$ 3,5 milhões ao advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa. Dono da PHB Holding, Barbosa entrou em evidência recentemente porque comprou, em fevereiro de 2025, a participação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no resort de Ribeirão Claro. Em julho de 2025, Barbosa também comprou a participação no resort do empresário Alberto Leite, que foi sócio do empreendimento por poucos meses.
E no mesmo dia em que recebeu da JBS, em 15 de dezembro, o escritório de Maísa Marciano fez, segundo o alerta ao Coaf, uma transferência de R$ 6,9 milhões ao BK Bank em uma conta no Banco do Brasil. O documento discrimina o CNPJ do BK como destinatário do recurso.
Em nota, o BK disse que atua exclusivamente com serviços de processamento de transações, não integrando a relação comercial entre seus clientes e terceiros e “não recebeu e não enviou recursos em seu nome para a empresa mencionada”.
“Todas as transações processadas por meio de sua plataforma são devidamente identificadas e registradas nas contas individualizadas dos clientes, com origem e destino dos recursos, garantindo elevados padrões de transparência e rastreabilidade”, afirmou.
No entanto, o BK é uma fintech que apareceu em investigações da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo por suspeitas de operar com as chamadas “contas bolsão”, mecanismo que mistura dinheiro de vários clientes para dificultar o rastreamento, e de ter servido a esquemas do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O BK Bank foi o principal alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. Segundo investigadores, a instituição financeira movimentou R$ 17,7 bilhões de forma suspeita e os valores movimentados teriam origem direta na exploração de jogos de azar, na venda de combustíveis adulterados ou em fraudes metrológicas na venda de combustível.
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